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Acidentes e maus-tratos matam 20 mil crianças por ano

Mais de 40% das crianças na Suíça, Áustria e Portugal afirmam ter sido vítimas de actos de violência física ou psicológica.

Pelo menos 3.500 crianças morrem anualmente nos  21 países da OCDE devido a maus-tratos, onde os acidentes de viação, afogamentos, quedas, incêndios e envenenamentos fazem ascender a mais de 20 mil o número anual de mortes de menores de 15 anos, revelou o estudo 'Report Card 7' do Centro de Pesquisa Innocenti, em Florença, que se debruça sobre o bem-estar das crianças e dos jovens nas economias mais avançadas do mundo.

O estudo, representativo do bem-estar das criança no seu todo, mede e compara, pela primeira vez, o bem-estar das crianças  e jovens nos países ricos relativamente às taxas de pobreza, saúde, segurança e relacionamento com familiares, professores e amigos.

Em todos os países da OCDE há melhorias a fazer, conclui o estudo. Segundo a directora do Centro Innocenti, a portuguesa Marta Santos Pais, "todos apresentam debilidades que devem ser colmatadas".

Portugal nos piores lugares

Segundo este estudo, em matéria de saúde e segurança, a  melhor situação encontra-se nos quatro países nórdicos (Suécia, Finlândia, Noruega e Dinamarca) e na Holanda, que ocupam os cinco primeiros lugares da tabela.

Relativamente ao bem-estar material, nove países – todos no Norte da Europa – registaram um decréscimo das taxas de pobreza infantil que se cifram abaixo dos 10%, encontrando-se nos países nórdicos as taxas mais baixas (inferiores a 5%). Contudo, a pobreza infantil mantém-se acima dos 15% em três países do Sul da Europa, nomeadamente em Portugal, Espanha e Itália, bem como em três países anglófonos (EUA, Reino Unido e Irlanda).

A Bélgica e o Canadá lideram a tabela do "bem-estar educativo das crianças", enquanto quatro países do Sul da Europa – Grécia, Itália, Espanha e Portugal – ocupam os quatro lugares do fim da tabela. Curiosamente, a Noruega e a Dinamarca, que habitualmente sobressaem nas tabelas de indicadores sociais, encontram-se na 18.ª e 19.ª posições, respectivamente. Outra surpresa é a Polónia, que surge confortavelmente acima da maioria dos países da OCDE, alguns dos quais maiores e mais ricos.

No que toca aos comportamentos e atitudes de risco, menos de 15% dos jovens afirmaram ter-se embriagado em duas ou mais ocasiões. Na Holanda, este número sobe para mais de 25% e no Reino Unido para perto de 30%. A percentagem de jovens (com 11, 13 e 15 anos) que afirmam ter fumado cigarros pelo menos uma vez por semana varia de 6% na Grécia a 16% na Alemanha. Quanto ao uso de cannabis, a percentagem varia desde 5% na Grécia e na Suécia a mais de 35% no Reino Unido, Suíça e Canadá.

Em 18 dos 21 países analisados, a proporção de jovens que estiveram envolvidos em brigas nos 12 meses anteriores ao inquérito é superior a um terço, com oscilações que vão de menos de 30% na Finlândia e na Alemanha a mais de 45% na República Checa e na Hungria.

O sentimento subjectivo das crianças acerca do seu próprio bem-estar é nitidamente mais elevado nos Países Baixos, Espanha e Grécia, e significativamente mais baixo na Polónia e Reino Unido. No conjunto dos países da OCDE, verifica-se uma ligeira tendência para a diminuição da satisfação relativamente à vida entre os 11 e os 15 anos, especialmente nas raparigas. São elas também que reportam níveis de saúde inferiores aos dos rapazes, e diferença que se acentua gradualmente com a idade.

A percentagem de jovens (11, 13 e 15 anos) que afirmam "gostar muito da escola" varia entre mais de 35% na Áustria e na Noruega e menos de 15% na Finlândia, República Checa e Itália. Quanto à  percentagem dos que afirmam que os seus pares são "simpáticos e prestáveis" vai desde os 80% ou mais na Suíça e Portugal até menos de 50% na República Checa e no Reino Unido. 

Em termos globais, cerca de 80% das crianças nos países abrangidos por este estudo vivem com ambos os pais. Isto acontece sobretudo na Grécia e na Itália (90%) e menos no Reino Unido (70%) e nos EUA (60%). Quase dois terços das crianças tomam o pequeno-almoço com os pais, mas é na Europa, nomeadamente na França e Itália, onde se preserva mais esta tradição.

A percentagem de crianças cujos pais dedicam tempo para "conversar com os filhos"  várias vezes por semana varia de 90% na Hungria e Itália até menos de 50% no Canadá e na Alemanha.