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A vingança do bombista de Times Square

Desde o 11 de Setembro, Nova Iorque foi 11 vezes alvo de tentativas de ataque terrorista. O pacato cidadão americano Faisal Shahzad, o bombista de "Times Square", esteve cinco meses a aprender a fazer bombas com os talibã.

Ricardo Lourenço, correspondente nos EUA (www.expresso.pt)

Faisal Shahzad levava uma vida normal. Casado e com dois filhos, este cidadão americano de 30 anos trabalhava como analista financeiro, adorava "fast-food", mas era viciado em ginásios. Há cinco meses esteve no Paquistão, país onde nasceu, para visitar a mulher. Mas não só.

Nas imediações da cidade de Carachi, frequentou um campo de treino gerido pelos talibã, onde teria aprendido a montar engenhos explosivos.

Durante esse período testemunhou vários ataques de aviões americanos não tripulados, que mataram alguns líderes do grupo.

Aparentemente, o desejo de vingança motivou-o a preparar a acção terrorista de sábado à noite (madrugada de domingo em Lisboa) quando conduziu um Nissan Pathfinder armadilhado até à baixa de Nova Iorque, deixando-o estacionado no cruzamento entre rua 45 e a "Broadway", a poucos metros de "Times Square".

O cocktail de gás, gasolina e fertilizante nunca chegou a explodir.

A polícia de Nova Iorque (NYPD) reconhece que a "competência do terrorista era limitada" e que a forma como ele preparou a acção foi no mínimo "atabalhoada".

Shahzad chegou mesmo a esquecer-se das chaves de casa no veículo armadilhado. O rasto deixado foi tal, que foi capturado 53 horas depois da tentativa de ataque.

Mesmo assim, quase no fim, ele quase escapava. Ludibriou a equipa do FBI que o vigiava e a companhia aérea onde iria viajar de Nova Iorque até ao Dubai. Aparentemente, a Emirates ainda não tinha uma versão actualizada da "no fly list", emitida 24 horas antes, onde o nome Faisal Shahzad já figurava.

Quando o avião se preparava para partir, a torre de controlo informou o piloto para abortar a descolagem e regressar. "Estava à vossa espera. São do FBI ou da NYPD?", terá perguntado o suspeito na altura da detenção.

"Claramente, ele nunca devia ter embarcado. Tivemos sorte", reconheceu ontem à noite, em conferência de imprensa, o "mayor" de Nova Iorque, Michael Bloomberg.