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À procura da terceira via

À beira de completar 67 anos, Jorge Sampaio assume que a sua carreira na política nacional terminou no dia em que abandonou o Palácio de Belém.

A caneta Montblanc repousa em cima dos papéis por intervalos de três a quatro minutos. Jorge Sampaio já não é Presidente da República, mas não perdeu o hábito de anotar tudo em cadernos, que se transformaram em milhares de páginas da história de Portugal e até do mundo. Um hábito e um método de trabalho adquiridos há mais de 40 anos, desde as lides estudantis contra a ditadura de Salazar. «Estamos a ver o que é que se vai fazer com todo este material», diz Sampaio. As pernas, por baixo da mesa – quase uma réplica, em ponto pequeno, da do Conselho de Estado, no Palácio de Belém –, não param quietas. Ora se cruzam, ora abanam, revelando a inquietação de quem está à procura de um caminho novo, uma «terceira via», como o próprio faz questão de especificar. Uma via necessariamente diferente das traçadas pelos dois outros ex-Presidentes eleitos pelo povo após a reconquista da democracia. «Tenho de ir construindo o que significa o cidadão Jorge Sampaio ser ex-Presidente da República», afirma, para acrescentar, logo de seguida, que a sua «missão de serviço público electivo em Portugal terminou».

Por ter sido Presidente durante dez anos, Sampaio ainda não despiu totalmente a pose inerente à de chefe de Estado. Apesar de vincar que agora «tem mais liberdade para dizer o que pensa», a verdade é que as palavras continuam a ser medidas, enquanto cultiva, mesmo inconscientemente, um certo distanciamento. A formalidade mantém-se até ao momento em que Sampaio pergunta se pode «tirar o casaco». É depois do almoço, está muito calor e, perante os jornalistas, o agora ex-Presidente percebe que deve descontrair-se. «A minha tarefa é descobrir uma terceira via para mim. Descobrir e consolidar um estilo que se adeqúe à minha personalidade», prossegue, sublinhando que, agora, a relação com o tempo e a palavra mudou: «Reganhei essa liberdade».

Mas o que é então a terceira via sampaísta? Que tipo de intervenção se imagina a ter daqui a dez anos, quando comparado com os seus antecessores? Ramalho Eanes, o primeiro Presidente eleito (em 1976), manteve alguma intervenção política. Fundou e dirigiu o fracassado Partido Renovador Democrática (PRD) e, nas últimas eleições, foi presidente da comissão de honra da candidatura de Cavaco Silva. Por seu turno, Mário Soares, que se seguiu ao general, em 1986, manteve sempre um pé na Fundação (que criou e tem o seu nome) e o outro na política. Foi deputado europeu pelo Partido Socialista e, dez anos depois de ter saído de Belém, voltou a candidatar-se ao cargo. «Isso é daquelas coisas que acho que está fora do trabalho e do horizonte de um ex-Presidente», afirma peremptório Sampaio.
 
O papel que cabe aos ex-Presidentes é uma das reflexões que Sampaio vai fazendo no seu gabinete na Casa do Regalo, com uma deslumbrante vista para a Tapada das Necessidades, com o Tejo, a ponte e a outra banda como pano de fundo. Mais uma vez, optou por uma decoração semelhante à do Palácio de Belém. Numa secretária comprida, repousa uma única foto: a dos filhos André e Vera. Atrás, numa prateleira, estão mais duas fotografias: a do casal Sampaio, ladeado pelos filhos, e, a preto-e-branco, o pai, o médico Arnaldo Sampaio. Revelador é o facto de a única fotografia de um estadista ser a do ex-Presidente norte-americano Bill Clinton, com a inevitável dedicatória. Nas paredes, dois dos quadros que mais preza, da autoria de Pedro Portugal e Júlio Resende. O computador está desligado, à espera que a recuperação de duas intervenções cirúrgicas (devido a um descolamento de retina) lhe permita retomar a aprendizagem e a adaptação à escrita electrónica e a outros segredos e mistérios informáticos.

O regresso de Jorge Fernando Branco de Sampaio ao estatuto de simples cidadão trouxe-lhe uma outra realidade. «Durante dez anos nunca precisei de manusear um computador. Nem sequer de telemóvel: à minha volta, toda a gente tinha um. Agora, já sei mandar SMS». À beira de completar 67 anos (18 de Setembro), Sampaio confidencia, com um sorriso quase infantil: «Até já domino a nova linguagem...»

Jorge Sampaio afirma que «os ex-Presidentes não podem ser artífices do quotidiano político do País». Diz, por isso, que o papel que lhe está reservado é sobretudo ao nível internacional, sem descurar a atenção pelos assuntos internos. «Tenho que me resguardar», observa. Nestes termos, foi com agrado que aceitou deslocar-se em Maio à Costa Rica, para representar Cavaco Silva, seu sucessor, na posse do novo Presidente costa-riquenho.
 
Uma tarde, estava ainda no gabinete provisório do Palácio de Queluz – antes ocupado por Cavaco Silva no período que mediou entre a eleição e a posse na AR –, quando tocou o telefone. «Era o secretário-geral da ONU», recorda o ex-Presidente. A razão do telefonema era o convite, aceite de imediato, para ser enviado especial de Kofi Annan para a tuberculose. «Como ele já tinha enviados para o VIH-Sida em todos os continentes, decidiu fazer-me este convite», explica. Deslocou-se então a Nova Iorque, a 30 de Maio, onde se encontrou a sós com o secretário-geral da ONU e foi formalmente nomeado. «Isto que estou a fazer é apaixonante», diz o enviado especial de Kofi Annan. Devorador de informação, o ex-chefe de Estado já domina a realidade internacional da doença. «Há uma tríade fatal constituída pela sida, a malária e a tuberculose», afirma Sampaio, perante a anuência de um pequeno grupo de especialistas portugueses convocados para uma reunião no passado dia 27 na Casa do Regalo, nome do antigo Pavilhão de Pintura da rainha D. Amélia – que foi pioneira no combate à tuberculose em Portugal, há mais de um século.

Foi ali, na Tapada das Necessidades, que Jorge Sampaio decidiu instalar o gabinete a que tem direito como ex-Presidente. «Vim cá ver isto com o secretário-geral da Presidência da República, com o director-geral do Património e com o arquitecto Pedro Vaz», o mesmo que projectou a entrada para o Museu da Presidência. «Isto estava podre! Houve a preocupação de manter a traça original», razão pela qual o republicano Sampaio convive diariamente com o brasão da família de Orleães e Bragança, que se vê do lado de fora do belo edifício.

O seu dia de trabalho começa por volta das dez horas da manhã, quando chega ao gabinete. Poucos minutos antes, José Correia, segurança, motorista e amigo que o acompanha há mais de dez anos (desde o dia da posse para o primeiro mandato), vai buscar o «senhor Presidente» à porta de casa, na Rua Padre António Vieira. Apesar do protocolo em Portugal não prever a manutenção do título após a saída de funções (ao contrário das tradições francesa e norte-americana), é assim que é tratado pelos seus colaboradores mais próximos, vindos todos de Belém. Clara Chambel, a secretária, encarrega-se dos contactos diários. Helena Barroco, adjunta que nos tempos de Belém foi assessora diplomática, assegura os contactos internacionais, a ligação à Imprensa e a preparação de dossiês. Enquanto não toma posse do seu lugar na embaixada de Portugal em Roma, Helena Barroco garante que ao gabinete chegue a imprensa nacional e internacional que Sampaio jamais dispensa. O espanhol «El Pais», o francês «Le Monde», os britânicos «Financial Times» e «The Economist», e o norte-americano «Herald Tribune» são, por estes dias, parcialmente fotocopiados em formato A3, para que Sampaio não force demasiado a vista. A sua leitura favorita, contudo, vai para a «New York Review of Books», «porque nos permite ter acesso a artigos de grande qualidade sobre a actualidade e, ao mesmo tempo, mantém-nos a par dos livros que vão saindo». Outra presença habitual na Casa do Regalo é a do embaixador reformado Paulouro das Neves, amigo e conselheiro em Belém. Na manhã de 28 de Julho, recebeu, a pedido do próprio, a visita de Durão Barroso, acabado de chegar da cimeira do G8. Sampaio havia escrito a todos os participantes, pedindo que contemplassem uma verba para o combate internacional à tuberculose, mas até àquela data só Jacques Chirac, o Presidente francês, lhe respondera, favoravelmente.
 
Com a agenda totalmente preenchida, Sampaio descansa agora na vivenda da família em Lagos, no Algarve, que «está finalmente construída». Recarrega baterias para um segundo semestre que se adivinha intenso. As viagens programadas são numerosas – a próxima é já no final deste mês, a Adis Abeba, para uma cimeira dos ministros da Saúde africanos para discutir o combate à tuberculose no continente. Mas as férias deste ano não serão diferentes apenas pelo facto de já não ser Presidente. O descolamento da retina impede-o de praticar o seu desporto favorito: «Não posso jogar golfe; agora, chapéu!», diz, resignado.

Os primeiros tempos de adaptação a um quotidiano diferente não têm sido fáceis. Embora diga não ter qualquer «remorso ou tristeza» por ter deixado a presidência, a verdade é que, depois da passagem de testemunho, admite ter sentido, nos primeiros dias, a falta das rotinas presidenciais. «Dei comigo com vontade de me dirigir ao meu gabinete no Palácio de Belém. E à noite, à hora do Telejornal, quando ouvia dizer ‘o PR disse hoje…’, corria instintivamente para a televisão. Até que me apercebia que já não era eu o Presidente». Foi uma sensação estranha, «mas que só durou dois ou três dias». O facto de nunca ter vivido no Palácio ajudou à adaptação. «Nunca me perverti com as mordomias da Presidência, não fiquei prisioneiro da vida do palácio», orgulha-se. As «mordomias» de que hoje beneficia são integralmente suportadas pelo orçamento do Palácio de Belém: o gabinete, uma viatura, um telemóvel, motorista, segurança pessoal e um «staff» de apoio. «Isto é um problema, porque a presidência tem de assegurar agora a actividade de três ex-Presidentes vivos», além, claro, do titular do cargo, Aníbal Cavaco Silva. Uma realidade que só encontra paralelo na gigantesca Alemanha.

Foi precisamente no país que organizou o último Mundial de Futebol que Sampaio se descontraiu. Aproveitando uma viagem já planeada com amigos, e em que visitou monumentos, comeu salsichas e se «bebeu muita cerveja», não recusou os bilhetes oferecidos pela Federação Portuguesa de Futebol para assistir aos jogos da primeira fase da selecção nacional. De cachecol ao pescoço e com a voz rouca disse, na altura, a propósito da conquista do à-vontade do cidadão comum: «Agora já posso dar uns gritos!»
 
A falta de exposição mediática dos últimos meses contribuiu igualmente para que Sampaio descesse à terra. A 26 de Março, poucos dias depois de abandonar as suas funções, participou, como de costume, na corrida da ponte 25 de Abril, cumprindo a andar a chamada Minimaratona de Lisboa. Convertido ao inevitável estatuto de estrela enquanto inquilino de Belém - não faltavam os beijinhos, os autógrafos, as fotografias e os jornalistas sempre à sua volta -, desta vez, porém, a indiferença do povo e dos «media» foi a nota dominante da presença de Sampaio.

Nota-se hoje um certo alheamento, a roçar a desconsideração, face ao ex-Presidente. Foi o que aconteceu a 26 de Julho, na conferência proferida no Instituto de Defesa Nacional (IDN). Tratava-se de uma sessão para assinalar o 30.º aniversário da instituição e, ao mesmo tempo, encerrar o ano académico. Muito notado foi o facto de Jorge Sampaio, convidado para falar dos vinte anos da integração europeia de Portugal, ter à sua espera o responsável pelas relações públicas do IDN e não o seu director, João Marques de Almeida, que se limitou a recebê-lo no seu gabinete. Igualmente notada foi a escassez de público no auditório, como fez notar e lamentar na sua interpelação o prof. Adriano Moreira, sempre no seu jeito sábio e diplomático. Significativa foi ainda a ausência de qualquer canal de televisão. Na plateia estavam antigos colaboradores em Belém, como Carlos Gaspar, Luís Salgado de Matos e Paulouro das Neves, o amigo de sempre João Cravinho, alguns militares na reserva, o ex-ministro da Administração Interna de Cavaco Silva, Figueiredo Lopes, e antigos colegas de curso, como o ex-embaixador Carvalho Faria e o jornalista Francisco Sarsfield Cabral. Longe vão os tempos em que o mesmo auditório se enchia de militares e de fumo dos cigarros até de madrugada, para as assembleias do MFA. Chamava-se então Centro de Sociologia Militar e viviam-se os dias «loucos» do chamado PREC.

Na curta e circunstancial intervenção que o director do IDN fez, elogiou o general Câmara Pina, fundador, em 1969, da instituição, com o nome de Instituto de Altos Estudos Militares. «Um militar notável», foi como Marques de Almeida chamou a Câmara Pina. Um elogio que, obviamente, não agradou nada a Sampaio. Com efeito, Câmara Pina foi um dos mais destacados generais do Estado Novo; chefe do Estado Maior do Exército durante onze anos, teve especiais responsabilidades na guerra colonial. Em matéria de patronos, Sampaio ter-se-á sentido bem mais confortável quando, em Maio, foi convidado pelo ISCTE a abrir uma conferência internacional sobre corrupção, no auditório Afonso de Barros, um seu amigo já falecido e antigo camarada no então Movimento de Esquerda Socialista (MES).

Um velho e certeiro adágio lembra que «rei morto, rei posto»... Sampaio, porém, rejeita a ideia de que esteja votado a uma espécie de esquecimento ou indiferença. «Quando vou às compras com a Maria José, nas Amoreiras ou nas lojas da minha zona, as pessoas olham e cumprimentam-me», afirma. Recentemente, na sala de espera do serviço de oftalmologia do Hospital de Santa Maria, enquanto aguardava por uma consulta, uma mulher abordou-o: «Quis agradecer-me o facto de lhe ter indultado o filho, ex-toxicodependente, que estava preso na ala livre de drogas do Estabelecimento Prisional de Lisboa». À medida que recorda o episódio, vai sendo traído pela voz embargada. A emoção que marcou os dez anos do mandato de Jorge Sampaio, tantas vezes acusado de «chorar por tudo e por nada», revela-se, afinal, um traço marcante da sua personalidade. «Comovo-me com facilidade. Não sou imune a coisas como o abandono, o esquecimento, o sofrimento, a dor, a solidão. Tinha um truque, que era dar uma unhada na própria mão, para ver se me aguentava», recorda, reconhecendo que houve situações em que «preferia ter evitado» exibir publicamente os seus estados de alma.

Rejeita ainda o rótulo de que o seu discurso seja «indecifrável». «Confuso» e «prolixo» foram outros adjectivos usados por comentadores mais críticos para o apoucar. O ex-Presidente responde com um argumento de peso: «Alguém, como eu, que em cinco eleições personalizadas venceu quatro, tem que ser entendido pelo povo». De reter que Marcelo Rebelo de Sousa e Cavaco Silva foram dois dos adversários que derrotou nas urnas, este para Presidente da República, aquele para a Câmara de Lisboa.

Quando revisita o passado recente, não tem dúvidas em apontar os momentos mais difíceis. O primeiro aconteceu em 1999, quando António Guterres ficou a um deputado da maioria absoluta. «Quando soube que o PS e a oposição tinham ficado ambos com 115 deputados, disse um impropério e pensei: isto vai ser um inferno!» E foi mesmo. Dois anos depois, Guterres demitiu-se na sequência da derrota socialista nas autárquicas. Mas o mais grave ainda estava para acontecer. A saída de Durão Barroso para a Comissão Europeia, a meio do mandato como primeiro-ministro, abriu uma crise sem precedentes. «A mim tudo me surpreendeu naqueles meses de Junho e Julho de 2004», confessa. Apesar de garantir que mantém intacta a galeria dos seus amigos de sempre, a verdade é que a decisão de não dissolver o Parlamento e a subsequente nomeação de Santana Lopes custaram-lhe a amizade de Eduardo Ferro Rodrigues e de Ana Gomes. «Não posso dizer que gostei», reconhece, sem se alongar em grandes comentários. Ainda assim, deixa escapar uma frase muito cara a Salgado Zenha: «A gente pode perdoar, mas não esquece».

A 10 de Março, logo que abandonou as funções de PR, ganhou «uma nova disponibilidade para a família e para os livros». De rajada viu três filmes com a mulher, Maria José Ritta: «Match Point», de Woody Allen, «O Segredo de Brokeback Mountain», de Ang Lee e «Capote», de Bennett Miller. Melómano e apreciador de Wagner, foi ao São Carlos deliciar-se com a ópera «O Ouro do Reno». «Nunca vi uma coisa tão boa em Portugal!» Leu os últimos livros do derradeiro governador britânico de Hong-Kong, Chris Patton, e do sociólogo português Manuel Lucena. Agora devora a última obra de Mário Cláudio, «Camilo Broca», um livro que considera «absolutamente resplandecente». «Mas depois meteu-se a tuberculose - salvo seja», diz, batendo três vezes no tampo da mesa, apesar de garantir que não é supersticioso.

Preocupado com a situação no Médio Oriente, não deixa de recordar o desfecho da guerra do Vietname: «Enquanto as bombas caíam em Hanói, os americanos negociavam em Paris com os vietnamitas. Temos que negociar sempre, mesmo com aqueles que mais detestamos». O recado está dado. Outra preocupação vai para Timor-Leste, onde fez a sua última viagem de Estado. «Nessa altura já se previa muito claramente que iria haver uma enorme crise». Escusa-se, porém, a fazer muitos comentários: «Só espero que não haja processos políticos em Timor. É a minha única declaração».

Sobre Portugal, faz voto de silêncio. O mesmo voto que o levou a nunca falar do Partido Socialista desde 1992, altura em que abandonou a liderança, ou da Câmara Municipal de Lisboa, de onde saiu em 1995 para se candidatar a Belém. «Nunca falei dos que me antecederam e não falo do meu sucessor. Orgulho-me de ter feito, do ponto de vista democrático, uma transição impecável». Começou a preparar a saída em Janeiro, ainda antes das presidenciais. Reuniu-se várias vezes, antes da posse, com Cavaco Silva, com quem mantém uma «excelente relação». «Julgo que a transição que fiz não tem paralelo em Portugal», garante. Convidado a estabelecer uma comparação com o sucedido há dez anos, quando recebeu a pasta das mãos de Mário Soares, hesita mas deixa um desabafo: «Quero estar em paz com os meus antecessores».

No balanço de mais de quarenta anos de vida pública, Jorge Sampaio não esconde a satisfação pelo difícil percurso que trilhou: «Prezo muito a minha independência. Nunca fui da Maçonaria, da Igreja ou de qualquer grupo económico. Chegar onde cheguei, nestas condições, é obra. Porque é muito difícil ser independente em Portugal».