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A insegurança como arma eleitoral

O sequestro começou por banalizar-se na Venezuela há cerca de 25 anos. A questão da segurança já saltou para as campanhas presidenciais.

Os portugueses que vivem na Venezuela conhecem bem a realidade dos assaltos e dos sequestros. A questão da segurança saltou para a campanha presidencial e tornou-se uma das grandes bandeiras de Manuel Rosales, o principal adversário de Hugo Chávez.

A 19 de Setembro, num comício no Centro Português de Caracas, Rosales focou o seu discurso no combate à criminalidade. Pediu um minuto de silêncio por Filipe Pereira, um português assassinado poucos dias antes, e denunciou que «na Venezuela são milhares os senhores e as senhoras Pereira». «Depois das seis da tarde, não podemos sair de casa. Temos que dormir às vezes debaixo da cama, abraçados aos nossos filhos, quando ouvimos os sons dos tiros, dos gritos, da violência», afirmou, perante uma plateia eufórica, constituída sobretudo por portugueses.

O sequestro começou por banalizar-se na Venezuela há cerca de 25 anos, nas zonas de fronteira com a Colômbia. O aumento deste tipo de crime obrigou a polícia a criar, há cinco anos, a Divisão Anti-Extorsão e Sequestro, actualmente chefiada por José Perez.

Em entrevista ao Expresso, Perez garante que os portugueses não são mais afectados que as outras comunidades, mas reconhece que o facto de muitos terem os seus negócios, com rotinas fáceis de seguir e horários tardios de regresso a casa, os torna «alvos vulneráveis». Por outro lado, a fama de bons pagadores também não ajuda. Este ano já foram raptados, pelo menos, dez portugueses, estando um sequestrado há mais de seis meses.