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“A imagem pode ser melhorada”

O líder centrista mostra-se satisfeito com o seu desempenho nos estudos de opinião, mas admite que se tivesse meios para isso contratava técnicos de marketing.

Mas partidos como o CDS dependeram sempre muito de lideranças fortes. Acha que é um líder carismático?
Eu não sou o melhor juiz sobre isso. Mas em termos comparados, numa observação objectiva, não é desprimoroso para mim, pelo contrário. No painel de popularidade do Expresso eu sou o líder do CDS que sempre teve saldo positivo, e não me recordo de outro que tivesse sempre saldo positivo. Apesar de todas as dificuldades.

Há quem interprete isso por uma indiferença maior em relação a si. O senhor é também o líder do CDS com menos notoriedade.
Isso tem a ver com estar há menos tempo no exercício de funções e com não ser deputado na Assembleia da República, o que obviamente é uma limitação.

Pois, mas tem que viver com o que tem…
Mas também lhe digo que no barómetro Marketest o meu saldo é melhor que o do meu antecessor. E também o desempenho do CDS é superior e a média de intenções de voto é superior.

Enquanto líder não acha que tenha problemas de imagem, não se preocupa por não ser considerado um líder mediático?
Isso é uma questão que pode ser melhorada.

Como? Vai contratar técnicos de marketing?
O partido tem os recursos que tem e eu trabalho com os recursos que o CDS tem.

Portanto, não contrata marketing porque não pode? Se pudesse contratava?
Sim. Mas eu acho que essas questões põem-se sobretudo na aproximação do período eleitoral. Eu não tenho que estar sujeito, nem tenho que sujeitar o partido, a lógicas que tenham a ver com o meu egocentrismo ou com a minha vaidade, ou com ritmos mediáticos.

Não tem a ver com vaidade, tem a ver com a realidade como ela é.
A coisa fundamental não é um campeonato de popularidade imediato, mas a reconstrução do partido.

Disse há tempos que o negócio do CDS não é o entretenimento. Acha que Portas é um entertainer?
Nós não devemos estar sujeitos à lógica do espectáculo. Se nós nos esgotamos em corridinhas que têm a ver com outros ritmos – que eu compreendo, mas que são os ritmos da pressão mediática, que não nos podem subjugar, não nos podem dominar –, não realizamos aquilo que é mais importante para a transformação qualitativa do CDS e seremos de novo incapazes de cumprir as nossas ambições.

Então Portas é o homem das corridinhas e o senhor é o homem da maratona?
Eu não faço críticas ao passado, mas o ciclo anterior foi marcado por corridinhas e este ciclo é marcado por um grande desafio de reorganização e reconstrução. A direita e o centro-direita tiveram em Fevereiro de 2005 a maior derrota histórica desde 1975.

Qual é a responsabilidade que assume nesse resultado? Era dirigente do CDS, votou muitas vezes vencido na definição de estratégia?
Votei algumas vezes, mas a questão não é essa. Não é um julgamento, é a mudança de página. O CDS não teve melhor resultado porque precisa de desenvolver outro tipo de modelo que vá mais ao encontro das pessoas.

Preocupou-se demasiado com as corridinhas e a sua corrida é outra?
É uma corrida de fundo, de músculo, de robustez.

Mas o seu problema não é só fora do CDS. Nas suas voltas pelas estruturas do partido tem sido pouco mobilizador, lembro-lhe um jantar em Tondela onde estavam sete pessoas…
E também um jantar com 700 pessoas, em Albergaria. Eu janto com quem está nos sítios, eu não levo gente, vou a Portalegre e janto com as pessoas de Portalegre. E nesse jantar de Tondela, não estavam sete pessoas, estavam 25. Mas o presidente do partido tem que estar onde o partido é mais débil, não onde ele é mais forte é menos necessário esse trabalho de reconstrução.