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"A agenda transatlântica tem de mudar"

O ministro dos Negócios Estrangeiros salientou a necessidade de cooperação entre a Europa e os EUA para resolver a crise actual, que considerou a mais grave desde a guerra fria.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, defendeu hoje que há "uma nova agenda transatlântica" que sobreveio ao 11 de Setembro e que tanto os Estados Unidos como a Europa têm que fazer o seu "trabalho de casa" para agir juntos em prol da estabiliade mundial.

De acordo com o ministro, que falava no final de almoço no American Club, "há ajustamentos internos que os Estados Unidos têm que fazer - porque um Estado não pode estar em tantas frentes sem uma base sólida de consenso nacional"; ao mesmo tempo que a Europa "não pode estar paralisada sem resolver os seus problemas internos e a sua capacidade de lidenrança".

E, citando o antigo conselheiro de Segurança Nacional americano Zbignew Brejinski, afirmou: "um dos problemas com que nos defrontamos é que a América precisa de mudar de regime e a Europa não tem regime. São duas fraquezas em simultâneo".

Para Luís Amado, a agenda da guerra fria e do pós queda do muro de Berlim "foi cumprida em boa parte", mas a viragem do 11 de Setembro produziu uma ruptura.

Desde logo, afirmou, "o terrorismo global desencadeou perspectivas muito diferentes dos dois lados do Atlântico e a tentação unilateral americana foi a resposta imediata à brutalidade do 11 de Setembro", que culminou com a invasão do Iraque.

"Os limites desse unilateralismo são hoje mais do que evidentes e o problema iraquiano tornou-se um problema central da política externa americana, um problema europeu e um problema do sistema internacional", referiu.

Reconduzir as raízes da NATO

Em conclusão, Amado considera que se fragilizou a imagem dos EUA no mundo, a coesão da NATO e a capacidade de acção do sistema transatlântico: "neste momento, em que nos confrontamos com a situação mais grave desde o fim da guerra fria, precisamos de reconduzir os princípios fundadores da NATO e dar uma resposta adequada à crise, à qual nenhum Estado está em condições de responder isoladamente".

Face aos desafios mundiais, o ministro dos Negócios Estrangeiros português considerou ainda fundamental reforçar a relação transtlântica e as relações Estados Unidos-Europa "para impedir a desordem do sistema internacional, que está a por em risco o próprio sistema".

O reforço dessa relação, surgeriu, deve ser feito em torno do reforço do sistema de valores, do sistema de relações económicas, do sistema de segurança colectivo e da revisão da cooperação internacional entre a Europa e os EUA.

Abertura perante o mundo islâmico

"Há que garantir novas prioridades da agenda transatlântica e que os EUA e a Europa se entendam", disse, porque é crucial "mobilizar esforços para estabilizar o Médio Oriente e, nomeadamente, o conflito israelo-palestiniano". "Há que olhar para a relação com o mundo islâmico com outra perspectiva, mais aberta", acrescentou.

Sobre a relação particular entre Portugal e os Estados Unidos, Luís Amado considerou que "o atlantismo português não é redutor" à relação com os EUA e o Canadá, nem tão "ideológico" como o dos países do Leste europeu e novosd membros da UE. "O atlantismo português é de natureza física, é uma marca de identidade e da nacionalidade portuguesa".