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A África do Brasil

Santarém do Pará também fica sobranceira a um rio e, na época das chuvas, as águas inundam-lhe a avenida marginal, chegando a interromper o trânsito, tal como o Tejo perturba por vezes as zonas ribeirinhas da nossa Santarém Mas ficam-se por aí as parecenças entre as duas cidades homónimas.

 

A principal cidade do Oeste do Pará, se é que se parece com alguma coisa, de tão degradada, só pode ser com os subúrbios de Freetown ou Conakry, na África Ocidental. Monróvia e Libreville também não lhe ficam a dever nada, quanto a miséria e abandono, se tomarmos por comparação Santarenzinho, o bairro maior dos subúrbios. Vivem lá umas 35 mil pessoas e mete medo.

Aqui, quase nem se pode dizer que haja um centro comercial e cultural, mais arrumado e limpo. A não ser a parte antiga, perto da catedral e num dos extremos da Avenida Tapajós, o que se encontram são buracos na rua, bairros quase favelas e favelas mesmo, tristonhas e miseráveis, com esgotos a céu aberto, ruas feitas ribeiros e intransitáveis.

Uma exemplo de como (não) funciona Santarém: a maior parte das ruas de sentido único não tem sinal de proibição algum, no virtual sentido contrário. O resultado é entrar-se à confiança e daí a pouco ver o pessoal a fazer sinais desesperados do passeio e um ou outro veículo a buzinar desenfreadamente, para afastar o intruso.

O que vale é que, como só se chega a Santarém de avião ou barco, na maior parte do ano, os poucos automóveis que lá circulam são dirigidos por residentes, que conhecem bem a pequena cidade. Não fora isso, e haveria desastres em barda, até regularizarem a sinalização.

E é pena, este desleixo e abandono, pois o enquadramento da cidade na natureza é um deslumbramento. Logo em frente à marginal é possível ver o espectáculo do encontro das águas, no lago onde dois grandes rios se misturam: de um lado o Amazonas, com suas águas barrentas e de outro, o Tapajós, azul-esverdeado.

Ainda resistem na cidade alguns belos prédios históricos e monumentos, herança da colonização portuguesa na região. Os jesuítas andaram por aqui, a catequizar os índios Tapaiussu (depois Tapajós).

O município é constituído pelos distritos de Santarém, Alter do Chão, Belterra, Boim, Curuai e Mojuí dos Campos, que somam no total 241,7 mil habitantes. Há meia dúzia de hotéis, dois ou três muito bons, e outros quanto baste para as necessidades do turismo. Quem vem à região só a passeio ou turismo, mais rápido parte para Alter do Chão, a 35 km de distância, do que se queda em Santarém.