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10 anos de Kofi Annan

Fez do HIV a "sua prioridade pessoal" e esteve envolvido nos processos de paz dos maiores conflitos internacionais. O mandato do homem forte das Nações Unidas está a chegar ao fim.

O mandato de Kofi Annan abrangeu duas eras históricas: pré e pós 11 de Setembro de 2001. Durante a sua primeira época como secretário-geral, Clinton estava na Casa Branca e falava-se da globalização. Concentrou-se, então, no poder "suave" das Nações Unidas: fez do VIH/SIDA a sua "prioridade pessoal"; juntou os líderes mundiais numa “Cimeira do Milénio”, onde se comprometeram a objectivos de desenvolvimento importantes; pediu desculpa pelo fracasso das Nações Unidas no Ruanda e na Bósnia; viajou até Bagdade e convenceu Saddam Hussein a concordar com os inspectores de armas em oito áreas que ele tinha declarado estarem “fora dos limites”, adiando assim a Segunda Guerra do Golfo. A sua pior crise foi Timor-Leste que, ainda assim, considerou um sucesso das Nações Unidas. Tinha o estatuto de um Papa secular quando foi reeleito em Junho de 2001 e ganhou o prémio Nobel da Paz, nesse  mesmo ano.

Mas o mundo mudou depois da queda das Torres. Em 2002, Annan foi confrontado pela administração Bush, determinada em invadir o Iraque com ou sem a aprovação das Nações Unidas. Kofi Annan opôs-se à invasão mas acabou por enviar Capacetes Azuis para ajudar na reconstrução do país.

Em Agosto de 2003, o seu amigo Sérgio Vieira de Mello foi assassinado na sede das Nações Unidas em Bagdade, juntamente com mais 22 pessoas. Em 2004, más relações com os Estados Unidos levaram um Senador a exigir a demissão de Annan, por causa do escândalo do “Óleo Alimentar”, onde se descobriu que o seu filho negociava em nome do pai.

Em 2005, os seus esforços no sentido de reformar as Nações Unidas e, em simultâneo, adiantar a agenda de desenvolvimento foram desvalorizados (sobretudo pelos Estados Unidos), na decepcionante cimeira do 60.º aniversário, a maior reunião de líderes mundiais de sempre. Uma das conquistas dessa cimeira foi a adopção do princípio da responsabilidade colectiva para proteger as populações civis do genocídio, dos crimes de guerra, das limpezas étnicas e dos crimes contra a humanidade, um dever que o mundo tem tido dificuldade em reconhecer no Darfur.

Em Agosto de 2006, Annan persuadiu o Conselho de Segurança a exigir o cessar-fogo no Líbano. A sua mediação pessoal e a solicitação dos intervenientes locais da aprovação da ONU de uma força de manutenção de paz realçaram novamente o papel fundamental das Nações Unidas.

No seu discurso de despedida na Assembleia Geral da ONU, Kofi Annan descreveu os três grandes problemas de uma "economia mundial injusta, da desordem mundial e do desprezo generalizado pelos direitos humanos e pelo estado de direito" que, na sua opinião, se "aguçaram" enquanto ocupou o cargo de secretário-geral.