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"Só falta vontade política", diz Ban Ki-moon

"Se não exercitarmos vontade política em Bali, dificilmente caminharemos para lá", afirmou o secretário-geral das Nações Unidas referindo-se às metas definidas no acordo que pretende substituir o Protocolo de Quioto.

Pedro Rosa Mendes, da Agência Lusa

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, considerou esta quarta-feira que "só falta vontade política" para enfrentar o aquecimento global e pediu "liderança" aos participantes da conferência de Bali.

Ban Ki-moon pediu "respeito" pelas conclusões e recomendações dos cientistas reunidos no Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), que apresentou o seu quarto relatório em Novembro de 2007.

"Estou razoavelmente convencido de que podemos iniciar em Bali as negociações dos próximos dois anos" para um novo acordo global, afirmou Ban Ki-moon, salientando a "urgência" do novo roteiro climático.

Ban Ki-moon explicou a linha mínima de exigência da conferência de Bali: uma "agenda" e um "calendário" para o processo negocial.

O secretário-geral da ONU está em Bali, Indonésia, para a fase crucial da 13.ª Conferência Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC), a decorrer na estância turística de Nusa Dua.

Ban Ki-moon admite que não é "realista" esperar da conferência de Bali que estabeleça metas específicas para a redução de gases com efeitos de estufa.

Avisou, no entanto, que "em algum momento do processo os números terão que ser incorporados" no acordo que pretende substituir o Protocolo de Quioto, cuja vigência termina em 2012.

"Mas se não exercitarmos vontade política em Bali, dificilmente caminharemos para lá", notou o secretário-geral da ONU.

"Tem que haver uma meta, seja a longo, médio ou curto-prazo", insistiu Ban Ki-moon na conferência de imprensa de quarta-feira em Nusa Dua.

"É irónico que os países menos desenvolvidos, que menos contribuíram para o problema do aquecimento global, sejam os mais atingidos", comentou Ban Ki-moon.

"Esses países estão a fazer esforços que devem ser incentivados e assistidos agora e é nisso que os países industrializados devem mostrar liderança", acrescentou Ban Ki-moon.

O secretário-geral da ONU declarou também a sua convicção sobre o empenhamento dos Estados Unidos (EUA) no processo da UNFCCC.

Yvo de Boer, secretário executivo da UNFCCC, que participou na conferência de imprensa, explicou que "os trabalhos de Bali não são para atingir uma meta de redução agora mas para saber se as negociações vão ser guiadas por um certo nível de ambição".

Yvo de Boer sublinhou também que "a UNFCCC não é a única jogada na cidade", explicando que o Banco Mundial anunciou um pacote de iniciativas que "providenciam oportunidades" de redução de emissões.

"Daqui até 2009 pode parecer muito tempo de negociações, mas se considerarmos experiências do passado, sobretudo de negociações multilaterais, não temos muito tempo", frisou Ban Ki-moon.

O secretário-geral da ONU afirmou que a UNFCCC abre caminho para um consenso global de combate às alterações climáticas.

"A outra via é a da traição ao planeta e aos nossos filhos", resumiu Ban Ki-moon.