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Expresso

10 perguntas a... por Inês Meneses

B Fachada: “A subversão é a única porta para uma certa zona do cérebro”

TIAGO MIRANDA

Cantautor português com mais de uma dezena de discos. Aos 34 anos, B Fachada já é uma referência para uma nova geração. Em 2008 editava “Viola Braguesa”, EP que motiva o concerto-celebração no dia 26 de outubro, no Jameson Urban Routes, no Musicbox, em Lisboa

Um disco com 10 anos assusta menos do que as fotografias de 2008?1
As fotografias só surpreendem pelo farto cabelo. Um disco está cheio de fantasmas: é traumático!

Que certezas dos 24 se desvaneceram?
Diria que todas! Passa-se da idade das certezas para a das incertezas sem qualquer aviso... É um bocado injusto.

A provocação nunca te abandona?
A provocação não resulta sempre, mas a subversão é a única porta para uma certa zona do cérebro, menos lógica e menos afeita a convenções: é terreno fértil para fazer canções.

Fomos um povo triste muitos anos. Já somos outros?
Não mudámos muito, parece-me. Mudou mais a perceção que temos e que têm de nós. O nosso jeito brando passa agora por tolerância, prudência e sensatez: qualidades que escasseiam noutras partes da Velha Europa.

O que fez falta foi mimar a malta?
A malta é que me mimou a mim.

O motor, de muito do que fazes, foi o Zeca [Afonso]?
Não. O Zeca é muito importante enquanto referência musical, mas é alguém que eu nunca conheci pessoalmente. Outras pessoas com quem convivi tiveram e têm, parece-me, um papel mais direto na origem do meu trabalho.

Tens o reconhecimento justo?
Não existe reconhecimento justo. O reconhecimento ao autor é socioeconómico e o reconhecimento da música é meramente circunstancial.

Enganamos os nossos filhos quando (sistematicamente) lhes contamos histórias com finais felizes?
Nem todas as culturas enchem as crianças de histórias com finais felizes... Mas é óbvio que enganamos os nossos filhos, como a nós próprios, sistematicamente (até com histórias com finais tristes)!

De onde te vem a capacidade de criação?
Acho que a capacidade criativa treina-se (e destreina-se) tal como a capacidade prática. Às vezes ajuda ter menos de uma para deixar florescer a outra...

Ficaste à espera ou foste procurar?
Estou à espera, como a cigarra.