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Expresso

10 perguntas a... por Inês Meneses

Rita Redshoes: “Adoro ser mulher”

Rita Redshoes: cantora, compositora. Editou há 10 anos “Golden Era”, o primeiro álbum a solo. Vive agora a experiência da maternidade, durante a qual compôs e gravou canções para o disco que sairá em 2019

foto Vitorino Coragem

Como tem sido cantar de ‘barriga cheia’?
Tem sido diferente! Fisicamente sinto o diafragma quase colado à garganta, o que torna tudo mais ofegante, emocionalmente sinto-me menos sozinha.

Nestes últimos meses permitiu-se viver outra vida?
Sim, necessariamente. Entre o sono desmedido, o corpo a corresponder de uma forma mais lenta e as mil dúvidas que me assaltam, passei a viver os dias a outro ritmo e a aprender a respeitar não só a minha vontade mas a ouvir a vida que estou a gerar dentro de mim.

É uma decisão que nos obriga, temporariamente, a abdicar do trabalho. É difícil parar?
É, muito. Até agora a minha vida foi centrada na minha música e carreira. Tem sido um desafio muito compensador perceber que de facto não sou apenas fruto do meu trabalho. Sou além disso.

Sente que teve de batalhar mais para que a sua voz (de mulher) se ouvisse?
Em determinados aspetos sinto que sim. Noutros, o ser mulher pode até ter facilitado. Nenhuma das versões me agrada. Hoje em dia lido com isso de outra forma, mais consciente e construtiva. Eu adoro ser mulher.

Como nos protegemos da exposição quando só o recolhimento nos interessa?
Aparecendo só quando é mesmo necessário.

Passaram-se 10 anos desde que se estreou a solo. O mundo mudou e o seu também. Qual foi a grande mudança?
Sinto tudo mais disperso. O mundo, eu, as pessoas no geral. Há uma sensação de que o tempo escasseia e que abdicar de algo significa uma perda e não uma escolha. Parece que se tem de viver tudo, se não, não se está vivo.

Como foi vendo este período conturbado no Sporting?
Inicialmente com estupefação, depois recorrendo ao humor negro. E no final dando conta que se trata apenas de futebol.

Adaptava-se a uma vida sem canções?
Não. As canções são como que o narrador dos meus dias na terra.

A psicologia também reforça a máxima: quem canta seus males espanta?
Creio que sim. Aliás, é já um dado científico. A arte no geral é das melhores terapias para quase todas as patologias. A expressão de emoções através de linguagens mais abstratas é, a meu ver, muito mais rica e profunda.

Que primeira música pode servir de passagem de testemunho?
Tenho pensado muito sobre isso. Tenho várias playlists feitas mas ainda não me decidi. Mas talvez o original que escrevi nos dias seguintes a saber que iria ser mãe. b