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Expresso

10 perguntas a... por Inês Meneses

Miguel Loureiro: “Vivo do teatro em Portugal”

Foto de Estelle Valente/São Luiz

Ator e encenador. Um dos nomes do elenco de “Timão de Atenas”, de William Shakespeare (encenação de Nuno Cardoso), para ver no São Luiz até 23 de setembro. Recebeu, este ano, o Globo de Ouro para melhor ator com a peça “Esquecer”

É mais natural a misantropia do que o amor à humanidade?
Na Mongólia, onde a densidade populacional é de aproximadamente um habitante por quilómetro quadrado, essa escolha pode ser superada.

A aculturação puxa-nos para que lado, afinal?
Continuo a amar blackfaces e bindis na testa, mesmo com o Boaventura Sousa Santos a torcer o nariz.

Exaltam-se os que amam, ou os outros também?
Os outros também. Principalmente com a fatura da EDP.

Toda a gente tem um lado negro?
Graças a Deus e a Darth Vader.

É sempre a Fé que nos salva?
A fé é um músculo, portanto depende do grau de exercício e da quantidade de fibra ingerida.

O que não está ultrapassado em Shakespeare?
A quantidade de más traduções em português.

Um prémio doura a pílula mas não costuma ser remédio para todos os males… ou resolve alguns?
Depende se o cheque vem ou não traçado.

Onde é feliz quando não está em palco?
Nos casinos, nas casas de banho das estações de serviço, nos fatos de corte inglês, num quarto de hotel fora de moda, na intriga, no aniquilamento do que não gosto, no final dos meses, na Ásia Central, nos países do Magrebe, em algumas memórias e sobretudo no coração de alguém que chegará um dia.

O que mudava, sem hesitar, no país?
A Constituição, a fauna e a flora.

Deus não lhe castiga tanto sarcasmo?
Vivo do teatro em Portugal.