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Expresso

10 perguntas a... por Inês Meneses

Tó Trips: “Temos de ser inconformados sempre!”

Tó Trips formou com Pedro Gonçalves os Dead Combo. Este ano lançaram o álbum “Odeon Hotel”. Fazem música que atravessa o mundo inteiro. Em Portugal, cruzaram-se com Anthony Bourdain em 2012, no programa “No Reservations”

foto vitorino coragem

O que nos vai ensinando o rock´n´roll?
Ensina-nos a saber estar com os outros. Como diria o Joe Strummer: podemos ter muito talento mas sem os outros não somos ninguém!

Andar na estrada é um sacrifício que compensa ou nem chega a ser um sacrifício?
Uma vez fomos tocar a Toronto num clube pequeno e estava um único gajo a assistir! O melhor momento foi depois do concerto nas traseiras do backstage, eu e o Pedro a fumarmos um cigarro e a rirmo-nos daquele sacrifício todo: atravessámos o Atlântico e ainda por cima o gajo era tuga! Mas quando a alma não é pequena, tudo vale a pena!

O que te ficou de Anthony Bourdain?
O Tony Bourdain para mim é o Ernest Hemingway do século XXI, alguém simples que sabia estar com os outros (fossem eles stars ou da Cova do Vapor) em qualquer ponto do planeta, gostava de viajar, comer, contar histórias... Um homem da cultura e da rua!

Têm sido anos de perdas. O único remédio é viver mais do que nunca?
Para os que cá ficam não há outro remédio senão viver a vida da melhor maneira! Um velho guitarrista inglês uma vez disse-me que toda a experiência que teve na vida não servia para explicar certas coisas aos filhos que já usam outra linguagem e outras tecnologias!

Como é que um homem sabe que pode usar um fato vermelho?
Quando esse homem toca nos Dead Combo e nos anos 80 esse mesmo homem/puto usava calças vermelhas de bombazina!

A música dos Dead Combo chega a todos?
É uma música transversal feita por dois gajos que adoram viver nesta cidade e neste mundo!

Em palco és o mesmo homem com quem nos cruzamos na rua?
No palco sou o mesmo gajo com um figurino diferente metido num cenário e num universo diferentes do habitual do dia a dia!

O que te comove?
Comove-me que este país não respeite o trabalho das pessoas, não valorize as pessoas sejam elas novas ou velhas. Eu venho de famílias humildes que passaram a vida a trabalhar nas fábricas de lanifícios da Covilhã e ganhavam uma miséria! Essa mentalidade do tempo do outro senhor continua por aí à solta! Mesmo que sejas bom naquilo que fazes não é aqui em Portugal que te pagam o real valor desse nobre trabalho!

Está muitas vezes em nós a capacidade de tornar a vida melhor?
Não tenho a mínima dúvida sobre isso! Temos de ser inconformados sempre!

E se a tua mãe não tivesse começado a tocar guitarra?
Eu próprio começaria a tocar. No início dos anos 80, andava com tipos mais velhos, do 2000 e da boa música dos 60/70’s , muitos deles morreram ou foram para a Índia, mas deram-me a conhecer um dos gajos que mais gostava de ter visto em vida e ao vivo: O Jimi, sim esse, o Jimi Hendrix!