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10 perguntas a... por Inês Meneses

Karla Campos: “Com paixão produz-se muito mais”

Karla Campos, a diretora do EDP Cool Jazz Fest que este ano, na 15ª edição, receberá David Byrne, Van Morrison, Norah Jones, Salvador Sobral ou os Dead Combo. Em Cascais durante o mês de julho

António Pedro Ferreira

Ainda faz sentido dizer, “uma mulher entre homens”?
Ainda... São séculos de história, não muda do dia para a noite, apesar de estar a mudar e a evoluir muito rapidamente. Estamos no bom caminho.

O que foi fundamental para seguir com a sua carreira?
Sair de casa aos 19 anos. Estudar, viajar, aprender no e com o mundo. Ser independente e autossuficiente, determinação, foco, seleção do essencial com bom senso, autossuperar-me, tudo isto a sorrir e sem reclamar.

Está subvalorizado o privilégio de trabalharmos com paixão?
Sim, na classe conservadora, é pena porque com paixão produz-se muito mais e de barriga cheia. Porém, está a mudar, a nova geração é muito emotiva e procura esse privilégio como sendo o grande desafio a conquistar.

O que quer manter sempre de São Paulo?
A memória de uma experiência de vida única: sou filha do Brasil, fui educada em Lisboa, mas sou uma criação de São Paulo.

O que leva de Portugal quando regressa ao Brasil?
Levo a sensação de realização pessoal e profissional. Levo segurança, estabilidade, coerência. No Brasil estudei e aprendi, em Portugal realizei-me pessoal e profissionalmente. Ao fim destes anos, o sentimento de que somos o melhor país do mundo para se viver.

É importante fazer festivais para gente cansada?
Sendo gente cansada os mais velhos, então sim, é importante fazer. Desde que sejam únicos, diferentes, e não sigam a estratégia “me too”.

Em fórmula vencedora não se mexe, ou é importante fazer evoluir o formato?
A vida é uma evolução constante, não podemos parar senão morremos.

O país já é muito mais além de Lisboa?
Sem dúvida, prova disso é a excelente oferta — de estradas, programação cultural, hospedagem, restaurantes, entre outros — que existe hoje por todo o território. Portugal é de tamanho agradável, o que nos permite circular com facilidade e, pelo que parece os turistas internacionais também, estão por todo o lado.

Como pode Portugal aproveitar este estado de graça em que vive?
Renovar-se, inovar: mostrando/vendendo as nossas origens, os nossos costumes, a nossa cultura, a nossa identidade única, mas respeitando a nossa originalidade. Não cair no erro de fazer igual aos outros correndo o risco de perder a nossa identidade, o que é fácil neste mundo global.

Qual foi o melhor concerto de todas estas edições?
O concerto de David Byrne, porque já o vi e é sem dúvida o melhor concerto de sempre, pelo alinhamento musical, performance artística da banda, conceito do espetáculo, cenário, mensagem. David Byrne é um artista único.