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Expresso

10 perguntas a... por Inês Meneses

Ricardo Ribeiro: “Tento cantar sempre o amor”

O fadista aceitou o desafio do CCB para um tributo a Zeca Afonso e levou ao Grande Auditório daquele espaço “Carta Branca”, na passada quinta-feira

d.r.

Não é um risco cantar Zeca Afonso?
É um risco enorme, mas quando se faz com amor e dedicação, o risco passa a ser mais uma cor do quadro.

A reinvenção é uma forma de lutarmos contra a nossa finitude?
Sim, é de facto. Mas para mim o mais importante é a obra e não o obreiro, a mensagem e não o mensageiro. A obra ficará. Afinal é para isso que um criador vive, para deixar frutos à eternidade.

Que música se ouvia em sua casa?
Música variada, desde fado, flamenco, música clássica, até à música que passava na rádio na época, Trovante, Rao Kyao, Gipsy Kings, Rui Veloso, entre outros.

São as (demasiadas) concessões que matam o carisma?
Um artista, não está para julgar, deve estar no mundo para entender. O carisma é, quanto a mim, uma condição, portanto julgo que é difícil matá-lo. Porém, os atos mais óbvios nem sempre são os mais inteligentes.

Gosta da contaminação que o Fado tem sofrido?
Gosto. São as tais tentativas de reinvenção. Algumas não têm que ver com a minha sensibilidade, mas, reconheço o esforço e há coisas muito bem feitas. Não confundo valor com gosto.

Depois de termos sido o povo das descobertas, estamo-nos a descobrir enquanto povo. Sente o otimismo?
É difícil, quanto a mim, descobrirmo-nos enquanto povo, porque somos muitos povos no mesmo povo. Como dizia Fernando Pessoa, os portugueses devem encontrar-se na sua pluralidade. Não vejo isso como otimismo, antes como uma lucidez há muito necessária, para que as pequenas vaidades deixem de o ser e passemos a descobrir novas obras, novos caminhos marítimos.

Há nestes dias uma pressão muito grande sobre a imagem. Sentiu-a?
O mundo, infelizmente, vive demasiado de aparências. Sim, senti, mas emagreci para bem da minha saúde física e mental.

Entra no coro que defende que Portugal não trata bem os artistas?
Sou um dos solistas...

Como se prepara o futuro numa altura em que vivemos para o imediato?
Respondo com uma frase de Agostinho da Silva: “Não faças planos para a vida, para não estragares os planos que a vida possa ter para ti.”

Canta melhor a paixão ou o desamor?
Eu não canto uma ideia do amor. Eu tento cantar sempre o amor.