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Expresso

10 perguntas a... por Inês Meneses

Tarantini: “Sou muito competitivo mas justo”

Tarantini, capitão do Rio Ave, está no clube há nove anos. Em 2014 concluiu o mestrado em Ciências do Desporto. O Rio Ave é um dos clubes sensação desta temporada

RUI DUARTE SILVA

No meio de tanta adrenalina 
e desgaste o jogador nunca se esquece de que é capitão?
Passo por momentos que me apetecem esquecer. Mas o gosto de sentir sucesso no resultado final, aquele prazer do contributo vale por tudo. Sinto que tenho de ligar as coisas e se cada um de nós acrescentar coisas diferentes para o todo estamos no caminho certo.

Quando é que a força nas pernas te falta, antes mesmo de o jogo começar?
Não sinto falta de força nas pernas, mas sempre um nervosismo antes de a bola rolar. Depois lembro-me de que é só um jogo, mas nunca será igual àqueles que temos na infância. Lá atrás ficou a essência da paixão.

Na arbitragem as ferramentas estão cada vez mais aperfeiçoadas... a falha 
é só humana?
Eu sou muito competitivo, mas justo. Já falhei, falho e irei falhar. A falha irá ser sempre humana.

Como se lida com um resultado injusto?
Só o tempo o cura. Na clareza das coisas, um resultado injusto é sempre quando planeamos algo e conseguimos cumprir. Mas obviamente que as sensações de uma vitória injusta são diferentes das que sinto numa derrota injusta. Se por um lado o resultado leva a um sentimento de esquecimento rápido, por outro o esmiuçar dos acontecimentos ajuda a lidar com a situação.

Quando é que te começaste 
a preocupar com o futuro dos outros jogadores?
Eu preocupo-me com a vida dos jogadores, essencialmente dos mais novos. Há muito tempo que absorvo e preocupo-me com os mais queridos à minha volta, mas acredito que chegou a hora de despertar toda uma geração de jogadores. Gostava de chegar ao topo também para mostrar que o futebol não acaba no verbo “ter”.

Também se joga muito bem depois dos 30. A idade é preconceito no futebol?
Concordo, eu jogo melhor. Direi que a idade é negócio no futebol e desculpa preconcebida. Vivemos constantemente sob análises pouco profundas ao sabor da maré.

Escolheste ficar no Rio Ave?
Escolhi ficar porque ainda não tive uma melhor opção de carreira. Custa-me interiorizar que atingi o meu topo de carreira como jogador, mas também quero acreditar que o futebol é justo para me dizer que ninguém acredita que posso jogar a outro nível.

O Mestrado em Ciências do Desporto deu-te confiança. e para o exterior, que mensagem passaste?
O mestrado ajudou-me a sair novamente da bolha do futebol para a vida real. Passei uma mensagem de possibilidades para aqueles que querem mesmo “fazer acontecer”.

Até a tua mulher te chama Tarantini. Quando é que és Ricardo Monteiro?
Quando tenho de assinar. Acho que nunca mais voltarei a ser.

Qual é a melhor maneira de festejar uma vitória?
Chegar ao balneário e dar um abraço.