23 de abril de 2014 às 23:57
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"Zonas de conforto": eu, Troika, Relvas, Mário Crespo e os "Costas"

FARANAZ KESHAVJEE www.expresso.pt
 
Repensar. Reflectir. Re-alocar. Re-alojar. Recomeçar tudo; outra vez. A família, a escola dos miúdos, as despesas que todos estes aspectos implicam, fora as despesas com toda a papelada para submeter uma candidatura a um visto, e o tempo perdido... E o dinheiro que não se ganha quando se perde tempo. Nada é fácil. Não há em nada disto "conforto". E a "zona", oh, essa ainda é mais difícil de encontrar.
De novo escrevo de Angola. Procuro uma " zona de conforto ", entre ter os filhos em Lisboa e ter o marido a trabalhar neste pais. Não é possível conciliar tudo e encontrar uma " zona de conforto".      
À procura de um tema para o blogue, sigo as notícias. De Portugal nada de novo. Ou melhor, tudo cada vez pior. A Troika continua a governar o pais e para mim, por mais repugnante que possa parecer, prefiro que seja essa entidade a fazê-lo do que os governantes que temos. Tentamos afastar os corruptos, mentirosos, e maus exemplos, para aparecerem outros piores. Prefiro mesmo que permaneçam fantoches, para não piorar mais o que já é irrecuperável, e ainda por cima, dando maus exemplos de ética e comportamento.
Ontem assisti a um espectáculo escandaloso: o Jornal das Nove de Mário Crespo. Parecia um programa de lavagem da imagem de Miguel Relvas. Bem sei que Relvas foi carregado nas palminhas das mãos de Mário Crespo para poder propagandear Passos Coelho nos "frente a frente" do mesmo programa. Ontem, este mesmo Jornal pareceu mais o jornal do Mário Crespo, do que um meio de compromisso para a informação e formação deontológica. MC permitiu a si mesmo longos minutos para defender o que chamou "uma tese" para defender um alto representante do governo que cometeu erros gravíssimos e puníveis da forma mais justa se acontecesse numa verdadeira democracia.
Criticamos os países africanos pela corrupção e conivência com interesses político-económicos. É mesmo nesses países que os Portugueses e não só, encontram "oportunidades". Não estou tão convencida no entanto, que a maioria consiga novas "zonas de conforto". 
Nesta minha senda de uma "zona de conforto" olho para o meu país e para os seus governantes e pergunto-me se realmente percebem as consequências devastadoras dos seus exemplos para gente a quem dizem para sair da "zona de conforto" e olhar para a crise como uma "oportunidade".
No dia em que cheguei a Luanda entrei num apartamento onde tudo precisava de ser reposto, re-começado. O Sr.Costa, um homem de Viana do Castelo, apareceu com um rapaz angolano. Ambos trabalham para um empreiteiro. O Sr.Costa trabalhou muito, sempre com grande empenho e vontade de bem servir. Tem casa e família em Portugal. Passou o dia inteiro sem pedir nada para comer ou beber. A formação que tive não me permite receber sem oferecer algo. Havia pão e queijo e sumo. E todos comemos. De outra forma, trabalharia na mesma as 9 horas seguidas, como me disse. 
Iguais a este, devem estar por cá muitos "Costas" que vieram à procura de "oportunidades" mas certamente não vão gozar de novas "zonas de conforto", pelo menos, não enquanto tiverem saúde e vida para o fazerem.
O último relatório da OCDE refere, entre outros factos importantes, o de Portugal ser um dos países onde o fosso entre ricos e pobres é dos mais significativos. Afinal, temos a infelicidade de estarmos neste momento em circunstâncias muito semelhantes aos dos países em desenvolvimento, nomeadamente os africanos, com a desoladora agravante de, em vez de anteciparmos qualquer tipo de desenvolvimento, vemos governantes tentando exercer o seu poder sobre órgãos de informação e sendo eles mesmos manipulados por interesses económicos, sem escrúpulos ou qualquer tipo de pudor.
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Desilusões e esperanças
Não vi esse programa do Crespo, mas acredito no seu relato. Crespo sempre esteve nas boas graças de Relvas, que tencionava nomeá-lo correspondente da RTP em Washington, como era seu desejo. Só não se concretizou porque houve uma fuga de informação que inviabilizou o esquema
  A desilusão com mais este episódio, similar a tantos outros e que nos tornam cépticos sobre a honestidade desta gente, é justificada.

A esperança são os Srs,Costa, que não se deixam abater, que vão trabalhar para onde está o trabalho, que enviam dinheiro para sustentar a família e que nunca se deixarão afundar no desânimo.

São as duas faces da vida, tão importantes nas filosofias orientais.....
lol
Eu vi esse frente a frente na sic noticias, e concordo com a sua opinião. Nunca tinha visto o MC comunicar uma "tese" durante tantos minutos defendendo com toda a clareza uma parte no lugar de procurar a imparcialidade que o jornalismo tanto carece. Fico contente de alguém fazer um raparo sobre esta "dissonância cognitiva".
CEGO È O QUE NÂO QUERE VER
VI o noticiario, como todos os dias, porque é liso e sem ondulados. MC. É hoje dos poucos jornalistas, que tem estatuto e que não precisa de vergar a espinha, ou ser servil, como aconteceu com nesta casa, onde os Directores, criam fazer mudar de opinião, e ele bateu com a porta. Agora com Luis Fazenda, a vomitar como é se apanagio, e o jose L. Arnaut a não querer ser indelicado. Mas vamos ao que interessa. O Relvas Prejudicou, benefeciou, ou ele tirou proveito dee qualquer situação. RESPONDAM. Mexeu foi com muitos interesses.RTP. Privatizaçãp. Tem muita ligação com jornalistas, e muitos pensam, que se pode ter sempre b eneficios. Acham correcto um jornalistaa dar 32 minutos para uma resposta. Há Pessoas que vão sempre parasitando outros para se tornaarem conhecidas.
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