18 de maio de 2013 às 23:00
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Zona euro: sete catalizadores duma crise em roda livre (Expresso)

A crise de dívida europeia está presa em roda livre. Políticos culpam os responsáveis dos bancos centrais por falta de acção. E estes, lembram que o seu papel não é resolver com politica monetária os problemas orçamentais dos países. Entretanto, as diferenças tornam-se mais graves com cada reafirmação dos mesmos assuntos. E para complicar um pouco mais, referendos na Alemanha e Reino Unido podem revelar-se determinantes. Aqui, sete catalizadores da crise de dívida da Zona Euro.
Expresso, sobre os actuais catalizadores da crise de dívida europeia:
  1. A cimeira europeia de 28/29 de Junho alterou o rumo político da gestão da crise das dívidas soberanas na zona euro, depois da eleição de François Hollande em França. A reunião do conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE) de julho abriu caminho a uma intervenção mais acentuada da política monetária na gestão da crise. Mas, em ambas as frentes, continua um compasso de espera.
  2. Aprofundamento das diferenças dentro da zona euro. A crise de dívida na zona euro aprofundou as diferenças na zona euro entre os países "periféricos" (com fuga massiva de capitais, yields da dívida elevadas ou insustentáveis, e preço dos credit default swaps acima de 450 pontos base) e os do "centro", como a Alemanha e França (atraindo capitais para a sua dívida que remunera com taxas negativas ou próximas de zero nos prazos mais curtos e abaixo de 2,1% no longo prazo).
  3. Politica monetária sem alcançar os efeitos pretendidos. As políticas monetárias seguidas pelos bancos centrais nos EUA, no Reino Unido, na zona euro e na China não estão a gerar os efeitos pretendidos na economia real. As previsões de crescimento para 2012 avançadas para estas economias são preocupantes: a zona euro irá recair em recessão, com uma quebra de 0,3% do PIB; o Reino Unido ter crescimento zero; a China poderá ficar abaixo do patamar dos 7,5%; e nos EUA poderá haver uma revisão do intervalo de crescimento, entre 1,9% e 2,4%.
  4. O não funcionamento dos mecanismos de transmissão da politica monetária, ou seja a disponibilização de 1 TN euros aos bancos (através das duas operações de LTRO a 3 anos) não se repercutiu no crédito à economia real e reforçou a ligação entre os bancos e as dívidas soberanas e a "fuga" para commodities ou mesmo para o "parqueamento" do dinheiro dos bancos na facilidade de depósito no BCE.
  5. Aumento do preços nas commodities. O índice FAO - que abarca nomeadamente o açúcar, os cereais, os lacticínios, a carne e os óleos alimentares - subiu 6% em Julho. E o Brent subiu de 72 euros, em 21 de Junho, para 91 euros.
  6. Debate no Reino Unido sobre a sua permanência na União Europeia no caso de o quadro integrado do sistema financeiro (conhecido por união bancária) avançar nos termos em que foi proposto pelo Concelho e Comissão Europeia. Peter Mandelson, já em Maio levantara a possibilidade de um referendo sobre o assunto e Tony Blair chamou a atenção para esse risco. Uma eventual saída do Reino Unido da UE alterará o desenho geoestratégico da Europa.
  7. Referendo na Alemanha sobre as opções da UE. Apesar de Merkel ter resistido até agora à ideia de um referendo na Alemanha sobre mais transferência de soberania para Bruxelas, várias vozes estão a referir a necessidade de um maior envolvimento dos eleitores no processo. "Nós só podemos superar a crise de legitimidade e confiança nas instituições europeias com mais participação dos cidadãos", disse Horst Seehofer, da CSU, partido que integra a coligação do governo, ao jornal Welt am Sonntag.
adaptado de: Seis catalisadores | Crise da dívida: agenda quente no final do verão e outono | Expresso
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