"Qualquer tentativa de dizer que a PT foi instrumentalizada do ponto de vista político é um insulto, para mim e para todas as pessoas que trabalham na PT. Somos 30 mil no mundo e temos mais 34 mil pensionistas. São 64 mil pessoas que se sentem insultados por qualquer tipo de sugestão de que poderíamos ser instrumentalizados", afirma Zeinal Bava.
O administrador-executivo da Portugal Telecom falava aos jornalistas no final da conferência de apresentação dos resultados de 2009 e acrescentou: "Acima de tudo, o que queremos é servir melhor o cliente e criar valor accionista".
Zeinal Bava assegura ainda que "o tema (compra de até 30% da Media Capital à Prisa) não foi agendado, nem em sede da comissão executiva da PT nem no conselho de administração. Nem o conselho de administração, nem a comissão executiva discutiram este negócio", garante.
O presidente da PT volta a reafirmar que o investimento em conteúdos faz parte do plano estratégico da operadora, sublinhando que foi nesse contexto que foi equacionado o negócio da compra da TVI aos espanhóis Prisa.
Negócio "era bom para nós"
"O negócio era bom para nós", sublinhou. Escusou-se, contudo, a esclarecer se a PT desistiu de vez da TVI. "O que a PT tem a dizer sobre este negócio já disse na entrevista que deu à RTP, no Verão de 2009", afirmou.
Bombardeado com questões sobre o envolvimento da PT no alegado plano do Governo para controlo da Comunicação Social e sobre a saída dos dois administradores associados ao Estado, Zeinal Bava elogiou a "dignidade" da decisão de Rui Pedro Soares e Soares Carneiro e rejeitou totalmente a ideia de qualquer associação politica ao negócio.
Mas evitou responder directamente a algumas questões, remetendo os esclarecimentos finais para o relatório da Comissão de Auditoria, já pedido por Zeinal Bava e pelo chairman Henrique Granadeiro. "A Comissão de Auditoria é um órgão fiscalizador. E deve fazer o seu trabalho livre de qualquer pressão", concluiu.