O cantor Youssou N'dour sofreu ferimentos numa perna, durante uma manifestação dominada pela polícia, terça-feira na capital do Senegal, contra a candidatura do Presidente Abdoulaye Wade a um terceiro mandato nas eleições do próximo domingo.
Os confrontos ocorreram na Praça da Independência, em Dakar, onde hoje, pelo terceiro dia consecutivo, as forças policiais voltaram a impedir os protestos da oposição. Nas últimas três semanas, já se registaram pelo menos oito mortes.
Youssou N'Dour, que foi afastado da corrida presidencial, recusa-se a comentar o incidente por não desejar que este se torne um assunto de Estado, como assinalou Charles Fayer, assessor do grupo "Fekké ma ci boolé", liderado pelo cantor.
Morte de jovem de 16 anos
Na mesma terça-feira, autoridades e manifestantes entraram em confronto, resultando na morte de um jovem de 16 anos. Os opositores de Wade, liderados pelo Movimento de 23 de Junho (M-23), concentraram-se na Praça da Independência, que estava cercada pela polícia. Durante quase uma hora, não houve qualquer incidente, mas com a chegada do cantor senegalês agitaram-se as águas.
A oposição não aceita a candidatura do atual Presidente, no poder desde 2000, que consideram ser uma violação da Constituição. Numa conferência de imprensa, o M-23 afirmou que aceita o adiamento da votação para que o Partido Democrático Senegalês designe outro candidato. Caso isto não aconteça, assegura que vai impedir a realização das eleições de 26 de fevereiro.
Entretanto, chegou ao Senegal o ex-Presidente da Nigéria Olusegun Obasanjo, que lidera o grupo de observadores internacionais nomeado pela União Africana e pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental. A União Europeia, que destacou 90 observadores para as eleições, pediu o fim da violência no país.