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Geert Wilders, o populista de direita holandês, devia ser feito cidadão honorário da Europa central. Por duas razões: o seu interesse pela eficácia da luta contra a corrupção levada a cabo pelos novos Estados-membros da UE e o seu apoio à integração dos seus cidadãos no mercado de trabalho comum.
O Partido pela Liberdade de Wilders lançou recentemente um sítio de Internet em que os holandeses podem apresentar casos em que um trabalhador polaco, checo ou romeno os tenha feito perder um trabalho. Populismo no seu estado mais puro, só por isso esta iniciativa contraria as leis em vigor na UE. É graças ao apoio do partido de Wilders que o Governo de centro-direita holandês conserva o poder. Por isso, os ministros guardam um silêncio pudico, enquanto Wilders se vangloria de já ter recebido 32 mil mensagens em apenas dois dias de funcionamento do site. E a Europa é, de novo, o palco de um debate sobre as (im)possibilidades do mercado comum de trabalho.
Este assunto poderia ainda ser considerado como completamente folclórico, uma emanação do populismo de direita em que Wilders e outros, na Europa Ocidental, fazem a sua cama, se não fosse esta posição muito mais grave assumida pela Holanda, tanto do ponto de vista da estrutura como funcionamento da União Europeia e que os coloca em contracorrente, um pouco como a República Checa com o pacto fiscal: bloqueiam a entrada da Roménia e da Bulgária no espaço Schengen, criticando-os por não conseguirem combater eficazmente a corrupção e por terem um sistema judicial que não funciona convenientemente.