A Wikileaks
tenciona divulgar mais documentos diplomáticos confidenciais nos próximos dias, semanas e meses, afirmou hoje o porta-voz da organização, Kristinn Hrafnsson, ao diário norte-americano "The Wall Street Journal".
Hrafnsson especificou ainda que as próximas publicações concentrar-se-ão em regiões específicas, nas quais a organização procura fazer alianças com meios locais.
A Wikileaks começou a publicar no domingo no seu sítio na internet, os primeiros de mais de 250 mil mensagens diplomáticas dos Estados Unidos, algumas das quais com conteúdo polémico, no que já foi considerado um rude golpe na política externa norte-americana.
Os documentos revelaram segredos diplomáticos dos EUA, como a ordem de espiar altos funcionários da Organização das Nações Unidas ou opiniões dos seus diplomatas pouco abonatórias sobre dirigentes de vários países.
"Crime grave", alega a Casa Branca
A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, considerou hoje que a divulgação não autorizada dos documentos diplomáticos é um ataque aos Estados Unidos e à comunidade internacional, além de corroer a confiança entre as nações. A Casa Branca classificou-a como um "crime grave".
Também hoje a administração Obama ordenou às agências governamentais a imediata revisão dos procedimentos para a salvaguarda de informação classificada. De acordo com uma nota obtida pela agência noticiosa norte-americana AP, o Gabinete de Gestão e Orçamento informou as agências do governo para formarem equipas de avaliação de segurança para garantir que os funcionários não têm um acesso mais alargado a informações classificadas do que aquilo que é necessário para o seu trabalho.
Alemanha e Afeganistão garantem manter boas relações com os EUA
O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão considerou "um processo lamentável", garantindo que Berlim vai examinar o caso, mas que as relações com Washington não serão afetadas. O chefe da diplomacia alemã acrescentou ainda esperar que a publicação "não afete a segurança" da Alemanha nem dos seus aliados, adiantando quem andou proceder a uma análise do respetivo conteúdo, para verificar se os interesses da política externa e de segurança alemã são tocados.
As autoridades afegãs reagiam aos telegramas que descrevem o Presidente Hamid Karzai como "fraco" e o irmão Ahmed Wali como um "barão da droga corrupto". "Isso não terá impacto sobre as relações estratégicas entre os Estados Unidos e o Afeganistão", declarou o porta-voz da presidência Waheed Omar durante uma conferência de imprensa em Cabul, embora considerasse "infeliz" a publicação dos documentos, que disse continuarem a ser analisados pelos seus serviços.
"Documentos não têm valor", diz Irão
Os documentos da administração norte-americana relativos ao Irão "não têm valor" e têm um objetivo "ofensivo", afirmou hoje o Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, em conferência de imprensa.
De acordo com os documentos revelados no ontem, vários países árabes, incluindo o Egito, Jordânia, Arábia Saudita e mais estados do Golfo usaram termos como "mal" e "ameaça existencial" para descrever o Irão. O rei Abdullah da Arábia Saudita terá mesmo apelado "frequentemente aos Estados Unidos para atacarem o Irão para acabar com o programa nuclear do país".