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Editorial: O Expresso e o WikiLeaks
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Wikileaks Portugal: Como o Expresso teve acesso aos documentos

A parceria que o Expresso estabeleceu com o "Politiken" e o "Aftenposten" permitiu a leitura integral dos 722 telegramas sobre Portugal.
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Wikileaks Portugal: Como o Expresso teve acesso aos documentos

Em junho de 2010, Alan Rusbridger, diretor do diário inglês "The Guardian", foi contactado por representantes da organização WikiLeaks que propôs entregar ao jornal uma quantidade enorme de comunicações confidenciais do Governo dos Estados Unidos, sobretudo sobre a guerra do Iraque e do Afeganistão. Este foi o ponto de partida para um enorme terramoto diplomático, mas também para uma das mais fascinantes investigações jornalísticas dos nossos dias.

Para conseguir ordenar, analisar e compreender uma tão grande quantidade de material, o "The Guardian" acabou por se associar ao americano "The New York Times". O trabalho partilhado foi eficaz e aumentou o impacto da divulgação da informação. Um trabalho que acabou por se alargar à revista alemã "Der Spiegel" e, mais tarde, ao "El País" e ao "Le Monde". A diplomacia e o jornalismo ficaram no centro do furacão.

Nem tudo correu sobre rodas. As zangas entre Julian Assange, o líder da WikiLeaks, e o "New York Times" foram épicas. Chegaram ao ponto de o grupo de cinco jornais ter passado a trabalhar sozinho, praticamente sem relação formal com a WikiLeaks. O que mais afastou os jornalistas da WikiLeaks foram os métodos de trabalho.

Os jornais criaram regras muito estritas para divulgar o material. Protegeram identidades e instituições quando estavam em causa razões de segurança. Discutiram com as autoridades oficiais todos os documentos que iam publicar. Hoje, é bastante claro que a estratégia seguida pelos jornais foi a correta. Apesar das críticas violentas da Casa Branca e de outros governos, os jornais souberam quase sempre separar o trigo do joio. O mundo não ficou mais perigoso depois da WikiLeaks.

Ontem, o ministro da Defesa de Portugal, Augusto Santos Silva, condenou a divulgação pelo Expresso dos 722 telegramas da Embaixada dos EUA em Lisboa. Mas o ministro sabe que o trabalho do Expresso está a ser feito de forma ponderada e com o cumprimento das regras que os outros jornais seguiram. O Governo soube no início da semana que o Expresso tinha os documentos. O ministério da Defesa conheceu antecipadamente os telegramas que revelamos, para que nenhuma questão de segurança fosse posta em causa. E será sempre assim, enquanto a investigação continuar.

Seguiremos este caminho porque queremos. E também porque esse é o caminho que seguiram os jornais com que estabelecemos uma parceria: o "Politiken" da Dinamarca e o "Aftenposten" da Noruega.

Poucos terão dado por isso, mas o diário norueguês conseguiu acesso aos 251 mil telegramas americanos em 17 de dezembro. O "Aftenposten" nunca revelou a origem do material mas afirma que não o conseguiu junto da WikiLeaks. No dia 8 de janeiro, o "Politiken" associou-se e começou a investigar os telegramas dinamarqueses. Foi através deste jornal que o Expresso teve acesso a todo o material português.

Em Copenhaga, o jornalista Micael Pereira, responsável pelo contacto com o "Politiken", leu os 722 telegramas. Escolheu o material mais relevante que agora começamos a trabalhar. Não o faremos com pressa nem à pressa. Os documentos que divulgamos esta semana, sobre o ministério da Defesa e a Fundação Luso Americana, exigiram muitos contactos e várias correções. Não estavam em causa razões de segurança, mas sim factos. Estes telegramas têm opiniões de diplomatas que não serão nunca adulteradas, mas é nossa obrigação enquadrar tudo o que estiver factualmente errado.

Todos os telegramas serão publicados online depois de o Expresso os divulgar. Neste caso, na próxima segunda-feira às 7 da manhã, cinco telegramas estarão disponíveis. Tudo o que escrevemos será partilhado com os jornais desta parceria.


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Comentários 5 Comentar
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A corrupção está no poder
Mas isso toda a gente sabia.Ou será que alguém tem dúvidas?
Acesso
Como o Expresso teve acesso aos documentos ?
Que resposta mais fácil, COMPRANDO-OS !
Só falta saber se foi um bom ou um mau negócio !
E para fazer render o peixe irá publicando às pinguinhas os documentos...
Só duvido é que a partir de determinada altura, alguém os leia...
É que pode até acontecer que o Sr. Julian Assange já "esteja noutra"...
Nese caso o assunto já será outro !
Em Portugal não precisamos de
Wikileaks. Temos muito melhor. Se alguém quiser divulgar seja o que for é só enviar para a Procuradoria Geral da República, de lá até se tornar público são segundos!
Medo do quê?
esta é uma excelente ocasião de se poder avaliar o trabalgho feito pelos governos.
Para se saber até que ponto vai a hipocrisia interna de cada país. E ninguém tem que ficar escandalizado com o que vier a público. Devia era vir TUDO para ser publicado. O Mundo só melhorará quando não houver cinismo, hipocrisia e mentira entre todos, governos e cidadãos.
Re: Medo do quê?
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Edição Diária 17.Abr.2014

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