27/05/2012 atualizado às 0:53

WikiLeaks: EUA consideram o Vaticano fechado e provinciano

Telegramas de diplomatas norte-americanos publicados pelo WikiLeaks revelam que os EUA consideram o Vaticano um Estado fechado, provinciano e antiquado. Santa Sé pede o fim do embargo a Cuba. Australianos pedem a libertação de Julian Assange.

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Maria Luiza Rolim(www.expresso.pt)
23:09 Sexta feira, 10 de dezembro de 2010
Milhares de pessoas manifestaram-se hoje na Austrália, pela libertação do fundador do WikiLeaks, Julian Assange
Milhares de pessoas manifestaram-se hoje na Austrália, pela libertação do fundador do WikiLeaks, Julian Assange
Tertius Pickard/AP

Os diplomatas norte-americanos vêem na Santa Sé um aliado, mas criticam o secretário de Estado do Vaticano , cardeal Tarcisio Bertone , e todo o sistema de comunicação que cerca o Papa, considerado repleto de "fracassos e lentidão"  em especial nos casos relacionados a abusos sexuais. Pelo menos, é o que revelam os telegramas enviados pela Embaixa dos EUA no Vaticano, hoje difundidos pelo WikiLeaks.

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Os documentos mostram que, para os EUA, o Vaticano é um sistema de poder monárquico, milenar, fechado, provinciano e antiquado. A divulgação do pacote de correspondência confidencial da Embaixada dos EUA no Vaticano havia sido previamente anunciada pelo site.

A correspondência diplomática mais antiga, de 2001, revelada pelo WikiLeaks, relata que o Vaticano defendeu a "ditadura laica de Saddam Hussein" por considerar que era mais favorável aos cristãos iraquianos do que qualquer outra solução que "aquela guerra injusta" pudesse encontrar. 

Hugo Chávez é o novo Fidel Castro, diz Vaticano


O site teve acesso a quase dez anos de correspondência de diplomatas norte-americanos baseados no Vaticano.

Segundo a documentação, Cuba tem sido o tema central de muitas reuniões bilaterais entre os EUA e o Vaticano. E desde que Obama foi eleito, o Vaticano tem  redobrado os seus esforços para convencer Washington a levantar o embargo.

Numa correspondência enviada em janeiro deste ano pela Embaixada dos EUA na Santa Sé, os diplomatas dizem terem ouvido que o Vaticano está muito preocupado com "a desastrosa situação económica na ilha (Cuba) e a tensão política que pode gerar um banho de sangue".

De acordo com os documentos, durante uma reunião, Angelo Accatino, membro da Secretaria de Estado, disse a Julieta Valls Noyes , chefe interina da missão diplomática, que era preciso "dialogar com Cuba, por mais desagradável que seja", e que o novo Fidel Castro não era o seu irmão Raúl, mas sim Hugo Chávez, Presidente da Venezuela. Daí o Vaticano estar muito mais preocupado com Chávez do que com Raúl.

Porta-voz usa Blackberry mas não tem acesso ao Papa


A Embaixada dos EUA traça um perfil tragicómico do responsável da Sala de Imprensa do Vaticano. Os diplomatas dizem que o padre Federico Lombadri "usa Blackberry", o que é "uma anomalia no meio, posto que muitos dos dirigentes mais importantes não têm sequer correio electrónico".

O problema, diz Valls, "é que o porta-voz não faz parte do círculo íntimo do Papa, não tem nenhuma influência sobre as principais decisões, não escreve os comunicados, apenas limita-se a distribui-los".

A divulgação dos documentos da Embaixada dos EUA no Vaticano coincidiu com a realização de protestos hoje, na Austrália, contra a prisão do fundador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange.

 

 


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Wiki-bluff mesmo!
makiavel (seguir utilizador), 2 pontos , 1:28 | Sábado, 11 de dezembro de 2010
Até parece que isto é novidade...
 
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Perante isto...
BrincaNareia (seguir utilizador), 2 pontos , 1:45 | Sábado, 11 de dezembro de 2010
Aconselho os USA a mudarem imediatamente o embaixador no Vaticano.

Ou faz parte do Opus Dei, ou anda mesmo muito distraído !!
 
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O Expresso traduziu mal...
Mordaquikesaileite (seguir utilizador), 2 pontos , 2:13 | Sábado, 11 de dezembro de 2010
Estados Unidos considera al Vaticano un Estado anacrónico y en crisis
 
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O Vaticano e os EUA
Durruti Blak (seguir utilizador), 1 ponto , 5:37 | Sábado, 11 de dezembro de 2010
O pormenor de o porta-voz do Vaticano, Federico Lombadri, usar Blackberry, é delicioso... segundo Julieta Valls Noyes, os cardeais sofrem de “tecnofobia” e “ignorância sobre as comunicações do século XXI”. Ainda relacionado com o Vaticano, fica-se a saber que usam um código altamente complexo nas suas comunicações diplomáticas, que usaram a sua influência para impedir a entrada da Turquia na UE e para libertar 15 marinheiros britânicos detidos em 2007 no Irão, de que o observador do Vaticano na ONU participa activamente “por detrás da cena” em várias negociações diplomáticas, que funcionários seus visitam periodicamente a Coreia do Norte e que passam informações à embaixada dos EUA sobre essas visitas.
 
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