Declaração pública de Assange prevista para esta tarde
O fundador do portal WikiLeaks, Julian Assange, vai falar hoje em público a partir da embaixada do Equador em Londres, arriscando prisão caso dê um passo que o coloque fora do edifício.
A declaração pública de Julian Assange, marcada para hoje às 14h00 (13h00 GMT), foi anunciada através da rede social Twitter, mas persistem dúvidas sobre os moldes em que vai decorrer, uma vez que o australiano arrisca ser detido se sair do apartamento protegido pela embaixada equatoriana, situada num imóvel no bairro luxuoso de Knighstbridge, em Londres.
O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico confirmou no mesmo dia à agência AFP que as partes comuns do imóvel não são território diplomático, colocando-se apenas a possibilidade "segura" de falar a partir da varanda ou mesmo de uma janela.
O Equador mostrou estar disponível para dialogar com o Reino Unido, caso Londres retire a "ameaça" de invadir a sua embaixada para deter o fundador do portal WikiLeaks, Julian Assange, a quem Quito concedeu asilo.
"Temos estado em conversações há dois meses e a resposta final foi uma ameaça. Esperamos que a ameaça seja retirada. Teremos muito prazer em dialogar, não temos qualquer problema, é o que queremos desde o início, mas com uma ameaça em cima da mesa não se pode conversar", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Ricardo Patio.
Contudo, como ressalvou o chefe da diplomacia do Equador, isso não significa estar a "negociar" com o Reino Unido, uma vez que Quito toma as suas decisões de forma "soberana".
"Estávamos a conversar no sentido de ver se era possível obter uma declaração de garantias para Assange, de que não o extraditam para um terceiro país", aditou em conferência de imprensa em Guayaquil, no final do encontro da Aliança Bolivariana para os Povos da América (Alba).
Patio disse ainda acreditar que as conversações se fazem na base do "respeito", mas quando este se perde, "as condições para nos sentarmos a conversar também são muito mais limitadas".
Aliança Bolivariana alerta para "graves consequências" em todo o mundo
A Alba - que reúne a Venezuela, Cuba, Nicarágua, Equador, Bolívia, República Dominicana, São Vicente e Granadinas bem como Antígua e Barbuda - solidarizou-se com o Equador e condenou as "ameaças intimidatórias", "violadoras dos princípios de soberania e integridade territorial das nações e dos princípios do Direito Internacional".
Na declaração final que saiu do encontro, a Aliança condenou ainda "a postura do Reino Unido de pretender resolver, de maneira contrária ao Direito Internacional, as controvérsias com nacionais do mundo, e particularmente da América Latina e do Caribe".
Além disso, alertou o Governo britânico para as "graves consequências" que podem advir em todo o mundo, no caso de uma agressão direta à integridade territorial do Equador em Londres, mas sem entrar em detalhes.
O bloco lançou ainda um apelo aos governos de todo o mundo, aos movimentos sociais e aos intelectuais para que se oponham a "esta nova pretensão do Governo britânico de impor a sua vontade, por via da força, às nações soberanas".
Equador acedeu a pedido de Assange
A reunião da Alba ocorreu dois dias depois do Equador ter decidido conceder asilo ao fundador do portal WikiLeaks, que se refugiou na embaixada do Equador em Londres no passado dia 19 de junho.
O Reino Unido considera, no entanto, que a decisão "não muda nada" e que tem a obrigação de extraditar Julian Assange para a Suécia, que o reclama por dois crimes sexuais.
Quito anunciou que o Reino Unido poderia assaltar a sua missão diplomática em Londres caso o australiano não fosse entregue às autoridades britânicas. Londres poderá justificar uma intervenção desse tipo com uma lei de 1987 que permite levantar a imunidade de uma embaixada em solo britânico.


Olivia Harris/Reuters
