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Web Summit: Carlos Moedas destaca a importância de confiar na Internet

Tiago Miranda

Comissário europeu considera que existe uma "grande oportunidade" na Europa na área científica. Já o ministro da Educação, Brandão Rodrigues, quer acabar com a iliteracia financeira

O comissário europeu Carlos Moedas, defendeu a “grande oportunidade” que existe na Europa na área científica e sublinhou que a importância da Internet mede-se pela confiança que inspira. Já o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, considerou fundamental combater a iliteracia em relação à linguagem científica, reconhecendo que a escola pode desempenhar um papel nesta matéria.

Oradores do Fórum dos líderes da Web Summit, no painel subordinado ao tema “reparar a nossa relação com os especialistas”, o comissário europeu para a investigação, ciência e inovação, e o ministro da Educação, Tiago Brandão, sublinharam a importância de criar instrumentos para dar visibilidade à ciência e capacidade para a entender, dada a relevância num mundo cada vez mais global e complexo.

"Temos de explicar melhor o processo cientifico”, afirmou Carlos Moedas, frisando que não se pode “perder a conexão com as pessoas”. “Não podemos levar as pessoas a perceber todos os papers científicos, mas podemos criar-lhes o interesse pela ciência. A nossa missão como políticos é levar as pessoas a compreender a importância da ciência”, frisou

O comissário europeu afirmou ainda que a ciência é uma área de grande oportunidade para a Europa, e que nesse sentido deve funcionar como um mecanismo de atração. “Somos 7% da população mundial e produzimos 30% da pesquisa científica. Estamos abertos a que venham para cá envolver-se nesta área”, apelou.

A confiança é uma palavra chave no mundo da informação e da internet, e saber distinguir os factos falsos dos verdadeiros é um dos desafios contemporâneos, defendeu Tiago Brandão Rodrigues. “Nunca houve tanta gente a aceder a tanta informação, nunca tivemos tanta gente a produzir conteúdos racionais e emocionais, mas isso é positivo ou negativo?”, pergunta o ministro da Educação. E responde: “Na minha opinião, mais do que caos nesta matéria temos progresso, mas temos de traçar uma linha (entre boa e má informação)”.

Brandão Rodrigues admite que as pessoas não entendem a linguagem científica, e que é que preciso que o ensino lhe dê os instrumentos necessários para que a entendam, para que possam também identificar as chamadas notícias e informação falsa, e os pós-factos.

“No futuro haverá os sítios de internet em que confiamos e aqueles em que não confiamos. Não sei quando vamos chegar lá, mas sei que lá chegaremos”, diz, por seu turno, Carlos Moedas.

Kamila Markram, da Frontiers Science Platform, presente no mesmo painel, defendeu a importância de dar acesso, ao público em geral, à quantidade gigantesca de informação produzida por cientistas e académicos anualmente e cujo acesso está vedado. “É muito importante que as pessoas percebam a importância da ciência. O processo de partilha dos artigos científicos tem de começar o mais rápido possível. As pessoas acedem a muitos conteúdos na Internet, mas não é a artigos científicos, é às redes sociais, aos blogues...”, lamentou.