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Web Summit

O robô programa. E ensina

Nuno Botelho

Tommy Otzen, um dos mentores da Kubo Robot, explica, pouco depois de ganhar o prémio do concurso de startups da Web Summit, como é que a melhor forma de ensinar uma criança a programar pode passar por um robô

O que vai fazer a seguir a este prémio?
Esta noite vamos festejar com as outras startups que estão por aqui. Depois vamos focar-nos em criar relações em vários países. A seguir à Web Summit, vamos a Silicon Valley para estabelecer novos contactos e encontrar potenciais investidores e escolas com que possamos trabalhar.

Como é que funciona este robô?
Funciona com vinhetas que comunicam em radiofrequências para o robô. Essas vinhetas têm ainda imagens que servem de referência para os utilizadores.

Como é que esta solução pode vir a evoluir?
Este robô já está a ser trabalhado para o ensino de matemática, inglês e música. No futuro queremos trabalhar nos dados recolhidos pelos robôs. Podemos usar essa informação para apurar a forma como as crianças aprendem nas salas de aula. Assim podemos saber em que ponto se encontra a aprendizagem de uma turma… um professor poderá, assim, saber em que pontos da matéria terá de fazer incidir os seus esforços.

Com esses dados, também poderia criar novas funcionalidades…
Sim, mas também é possível um professor descobrir qual o nível de competência de uma turma, ou saber quão bons são os alunos. Deste modo, é possível evitar aulas em que se ensina o que as crianças já sabem ou a ensinar coisas que são demasiado difíceis para essas crianças.

É assim tão importante ensinar programação a crianças de cinco anos?
Quando se ensina programação a adolescentes, geralmente, eles já têm outras preferências: querem jogar à bola, andar de cavalo… e o interesse pela programação será muito reduzido. Se disser a um criança de cinco anos: «agora vais aprender um algoritmo», ele não terá medo. É apenas uma nova palavra! Mas se disser isso a um adulto, ele vai ficar assustado, porque remete para uma coisa que ele acha que não vai conseguir aprender.

Acredita que essa geração que tem hoje cinco anos vai acabar por aprender a programar?
Não acho que todas as crianças tenham de ser programadoras. Mas sei que todas elas gastam seis, sete ou oito horas diárias a usar dispositivos eletrónicos, jogos, computadores e TV… mas nenhum deles percebe ao certo como é que uma imagem aparece naqueles ecrãs. Sabemos também que, em 2034, 47% dos empregos terão desaparecido, porque vão passar a ser desempenhados por inteligência artificial e robôs. No futuro, os miúdos de hoje vão trabalhar com muita tecnologia…

Ensino de programação é como um kit de sobrevivência.
Se aprender a fazer software, pode tornar-se programador e produzir um filme para a Pixar; pode produzir música no computador, pode tornar-se banqueiro e trabalhar com algoritmos que compram ações.

Qual o preço do Kubo Robot?
Estamos a fechar vendas com escolas da Dinamarca. O preço de retalho será 220 dólares por um robô e 2199 por um conjunto para uma sala de aula inteira. Já fechámos encomendas de 50 robôs para escolas da Dinamarca.

Esperava ganhar o prémio?
Comecei a criar startups e a fazer pitches há cinco anos. Fiz coisas estúpidas tantas vezes que acabei por conhecer bem a coisa. E concluí que precisava de mais prática para chegar ao estado em que estou agora (no que toca à qualidade do pitch), mas também acho que a qualidade do produto também teve influência. O júri viu que nós sabíamos o que estávamos a fazer. Temos dois anos como companhia; sabemos como nos diferenciar; e temos um produto que é fantástico. Tudo isso nos ajudou imenso!