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Bloqueador de anúncios é a nova ameaça aos media

Os bloqueadores de anúncios são a nova ameaça às receitas nos media. O Financial Times e a Bloomberg afastam qualquer parceria neste campo e asseguraram-na Web Summit que são os media quem tem de monotorizar a relação com os leitores e os anunciantes

"Achar que não pensamos na experiência do utilizador (da informação) é extremamente condescendente", disse num tom duro Cait O´Riordan, administradora para as áreas do produto e da informação do Financial Times, na Web Summit, esta quarta-feira, em Lisboa, durante o debate "World War Media". Era uma resposta directa a Till Faida, fundador da Abdlock Plus, um bloqueador de anúncios no acesso a conteúdos na Internet, que se apresenta como detentor de uma solução que dá o poder de controlo aos utilizadores, e quer ser parceiro da indústria de media.

"Temos um contato direto com os nossos leitores, sabemos o que eles querem. Oferecemos-lhe jornalismo de qualidade e conteúdos que o possa ajudar no seu negócio. E é essa experiência que nos interessa. Estamos mais preocupados em saber como lidamos com a privacidade dos nossos leitores", atira Cait O´Riordan. Não é só o Financial Times que rejeita a ajuda que a Adblock Plus diz querer oferecer aos media, a Bloomberg também recusa a existência de intermediários na relação com os leitores e clientes."O aparecimento de novas tecnologias não é uma novidade. Vamos resolver mais este desafio dentro do sector. Precisamos de encontrar uma solução por nós próprios. (...) Isso passa também por aumentar o valor acrescentado que entregamos e por encontrar soluções criativas", afirmou Justin Smith, presidente da Bloomberg.

A AdBlock Plus é detentora de um software gratuito, usado por mais de 50 milhões de internautas em todo o mundo, e que permite bloquear os anúncios quando se acede a conteúdos na Internet. "Queremos dar a oportunidade aos consumidores de decidirem o que querem ver. Dar-lhe o controlo", explicou Till Faida. A AdBlock apresenta-se também como um parceiro dos media, e diz que quer trabalhar com o sector para arranjar uma solução alternativa a um modelo de negócios que diz "estar destruído".

Tanto O´Riordan, como Smith reconhecem que os anúncios são um mal menor e um importante captador de receitas. A administradora do Financial Times admite mesmo que os leitores e clientes compreendem que os anúncios são uma forma de manter a indústria dos media sustentável, só a subscrição de serviços não chega. E, diz O´Riordan, há maneiras menos agressivas de chegar aos clientes: se o acesso às notícias se faz com uma dose grande de anúncios, 66% dos utilizadores desaparecem, mas se for mais suave apenas se afastam 40%, explica.

As receitas dos media deveriam chegar pelo pagamento dos conteúdos, e é neste caminho que o sector deve seguir, mas não é suficiente, diz Cait O’Riordan. E prossegue, dizendo que os bloqueadores de anúncios só vieram "acelerar" os passos dos media nessa direção.

"É um dos grandes desafios que enfrentamos. Mas mais do que nunca o que fazemos é muito importante", sublinhou a responsável do Financial Times. E explicou que o Brexit fez aumentar o número de acessos de leitores ao jornal britânico. As pessoas precisam muito que lhes expliquem e enquadrem o que está a acontecer no mundo, e esse é papel dos media, frisa. "è preciso que alguém lhes ajude a retirar todo o ruído que há à volta dos acontecimentos", diz Cait O’Riordan.

Cabe aos consumidores decidirem e escolherem o que querem ver e o aparecimento destes softwares veio provar que há espaço para vídeos publicitários, mas com maior qualidade", defendeu Till Faida, que esteve sobre fogo cruzado dos responsáveis do Financial Times e da Bloomberg."Há que melhorar as métricas e saber monotorizar os anúncios", disse ainda o fundador do Adblock Plus. E defendeu que as empresas de media têm de ter o controlo da circulação de informação de Internet, o que nunca aconteceu.