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Web Summit

Ponha o braço no ar quem leva o telemóvel para a casa de banho!

José Caria

O comediante britânico David Schneider brinca com a nossa dependência à internet e às redes sociais e compara-a com os livros que dantes devoravamos.

O discurso é conhecido e recorrente: estamos a ficar antissociais à medida que aumentamos a nossa depedência da internet. O comediante britânico David Schneider, um viciado assumido e seguido por mais de duzentas mil pessoas no Twitter, desdramatizou esta ideia durante uma conferência no Web Summit, esta terça-feira.

"Sou completamente obcecado com as redes sociais. Mais de 99% do meu tempo é passado no Twitter. Fico alheado, da mesma maneira que, antigamente, as pessoas ficavam com os livros." E no écrã do palco de Future Socities surge o livro "Madame Bovary", de Gustave Flaubert. Parece exagerado comparar clássicos da literatura com post banais de redes sociais, porém, Schneider diz que é a mesma coisa. "Dizem que a internet nos afasta da sociedade, nos faz sentir num mundo diferente. Isso também não acontece com um livro? Ora, o que eu não percebo é porque é que com os livros não há problema."

O comediante, que também é diretor criativo de uma empresa de tecnologia, diz até que as redes sociais amplificam o nosso sentimento de boa vontade para com o próximo. E dá o exemplo de um utilizador do Twitter que durante uma viagem de comboio ficou sem papel higiénico e, minutos depois de se queixar num post, recebeu logo em seguida... um rolo de papel higiénico. "Quanto mais não seja, por isto, por podermos ter mais capacidade de ficar com o rabo limpo, já vale a pena a Internet."

Para Schneider, o problema não é estarmos agarrados ao telemóvel em vez de falarmos uns com os outros. O problema seria se apenas uns ficassem agarrados ao telemóvel enquanto outros não. "Dá nos sentido de comunidade e conta-nos histórias de pessoas. A Internet faz-nos sentir vivos."

Mas sim, estamos cada vez mais tempo online. Schneider diz que não é mau, é só outra realidade "Ponha o braço no ar quem leva o telemóvel para a casa de banho!" (E a audiência em peso levanta o braço)