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Nissan vai ter serviço de partilha de carros para responder às tendências do mercado

Marcos Borga

O anúncio foi feito pelo CEO da Renault-Nissan na Web Summit. A indústria automóvel e o seu modelo de negócio não estão condenados, afirmou Carlos Ghosn

A Renault-Nissan Alliance anunciou esta terça-feira a criação do serviço Get & Go Micra, de partilha de carros. Esta iniciativa serve para marcar o lançamento do novo modelo Nissan Micra, mas também para responder à maior procura por serviços de partilha de carros, explicou na Web Summit o presidente executivo do grupo. "Não olhamos para esta tendência do mercado como uma afronta ao nosso modelo clássico de venda de automóveis", explicou. "Antes, é um complemento", explicou o responsável, orador da palestra "Driving a Connected Future", sobre a cada vez maior tecnologia associada à mobilidade.

Também presente esteve o fundador da BlaBlaCar, plataforma que promove a partilha de carros. "Temos 4 milhões de utilizadores. Há 9 anos, quando começámos, parecia-nos um cenário impossível. Hoje, sabemos que isto é só o o início", referiu Nicolas Brusson. "Basta que a conectividade dos carros aumente - e para isso só é preciso ter smarthpones cada vez mais avançados - para que se tornem cada vez mais ativos partilháveis", reforçou.

Por enquanto, o sistema de partilha de automóveis (car pooling) funciona sobretudo para viagens de longa distância, em que os utilizadores têm maior capacidade para serem flexíveis, para esperarem "15 minutos, porque sabem que a viagem vai durar algumas horas". O desafio, agora, é estimular a maior utilização deste sistema para viagens de curta duração e isso será mais fácil quanto mais rápida for a tecnologia: "Se soubermos que temos um carro para partilha a 1 minuto de nós, mais facilmente começamos a olhar para o carpooling como uma alternativa para o nosso quotidiano", explicou Brusson.

Carlos Ghosn explica que as grandes marcas automóveis estão a olhar ata estas tendências e a investirem em novos serviços tecnológicos. Que, na verdade, nem sempre passam pela partilha de automóveis. "Estamos a desenvolver um sistema que permite a um condutor entrar para o carro como quem entra para o seu escritório, permitindo-lhe fazer uma série de tarefas, como fazer teleconferencias em tempo real. Certamente, está a pessoa quererá ir sozinha no seu carro", afirmou. Por isso, afirma, a indústria automóvel "não está condenada".