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“Saca”, o surfista dos sete ofícios

Nuno Botelho

Tiago Pires “vende” a Ericeira, onde está a decorrer o Surf Summit

Tiago Pires, mais conhecido no circuito do surf como "Saca", é o embaixador português da Surf Summit, evento paralelo à conferência mundial Web Summit (WS), que arranca ao final da tarde desta segunda-feira, e que decorre durante este fim de semana na Ericeira. Há uns quatro meses foi convidado a reunir-se com uma equipa da WS, quando Paddy Cosgrave, o mentor do certame que reúne mais de 50 mil pessoas até ao próximo dia 10, ainda não se tinha decidido quanto ao local para a realização do encontro de surf que reúne 200 pessoas, incluindo presidentes de empresas tecnológicas mundiais. Ericeira, Peniche e Cascais eram as possibilidades. A escolha acabou por recair na primeira opção, precisamente o destino que "Saca" representa.

"A Ericeira tem andado mais resguardada, desde que perdeu para Peniche a etapa do circuito mundial de surf, a Moche Rip Curl Pro Portugal", explica o surfista, que esta semana estreia nos cinemas portugueses o documento "SACA - O filme de Tiago Pires", que conta a história do surf português e do último ano de competição do surfista no circuito mundial, onde competiu durante sete anos. Dificilmente a Ericeira conseguirá recuperar o seu espaço a nível internacional, tendo em conta a competição direta com Peniche, mas outros eventos como o Surf Summit e algumas provas em campeonatos menos mediáticos (como o campeonato mundial de juniores, que também já decorreu nestas praias) podem trazer mais gente a esta região. Afinal, "não existe em Portugal outro sítio onde haja tão boas ondas num tão curto espaço" e onde a "beleza natural é tão impactante", diz.

Tiago Pires será um dos oradores no primeiro dia de conferências, dia 8, terça-feira, no MEO Arena, em Lisboa. Não pode deixar de achar "interessante" que um evento como o WS tenha escolhido Lisboa como palco, quando a imagem de Portugal lá fora "ainda é a de um país envelhecido" - pelo menos a contar pelas opiniões que foi recolhendo nas suas viagens, um pouco por todo o mundo. "Essa ideia não passa de um mito. Como diz o Garett McNamara, as praias de surf, em Portugal, são um dos segredos mais bem guardados do mundo. Temos infraestruturas, ondas, sol, comida e segurança. Temos grandes contrastes, é certo, mas as pessoas estão a procurar-nos cada vez mais".

Por outro lado, nunca tantos portugueses praticaram surf. "Na minha geração, éramos 20 ou 30 miúdos a fazer surf. Hoje, são 20 ou 30 só nesta praia".

É precisamente essa "onda", o negócio do surf, que "Saca" vai aproveitar a partir de agora. Continua a competir (na semana passada, participou na competiçao "Capítulo Perfeito", na Nazaré) e tem contratos com patrocinadores até 2020, mas está a preparar a nova fase da carreira. "Passei 20 anos a competir, nunca fui muito orientado para o negócio, mas tenho noção que o meu nome é uma marca", admite, para explicar que se irá focar mais na sua escola de surf, na Ericeira, até agora mais focado em encontrar novos talentos entre miúdos do que em aproveitar o turismo ligado ao surf. "O propósito da escola não vai mudar, mas importa estar mais focado no negócio", explica.

A possibilidade de dar palestras de motivação e partilha de experiências também está em aberto. E vai continuar a associar o nome a determinados eventos, como a competiçao, inédita, patrocinada pela Red Bull (um dos principais patrocinadores de "Saca"), que vai opor uma equipa de surfistas portugueses a uma equipa de espanhóis, com duas etapas, uma em "casa", em Ribeira d'Ilhas, outra em Mundaka, no País Basco, onde estão as ondas mais famosas da Europa. "Este tipo de competição entre países é inovador e pode ser facilmente exportado para outros países", refere. Agora, está focado em apresentar o seu documentário, que produziu, e cuja antestreia, no CCB, encheu o Grande Auditório do CCB no mês passado. "Saca", o surfista português mais conhecido, também é agora o homem dos sete ofícios.