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Expresso

Web Summit

Governo quer dar poder 
de fogo às empresas

Clodagh Kilcoyne/GETTY

Em 2017, o apoio oficial às startups vai chegar aos 400 milhões de euros

João Ramos

João Ramos

Jornalista

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

O Governo não quer que a Web Summit se transforme num mero fogacho com a presença em Lisboa de milhares de empresários e investidores e que se esgota numa semana, e está a apostar numa série de medidas que não só valorizem Portugal como país a investir, como possam atrair investidores para as empresas portuguesas e estrangeiras que se localizem no país.

Para o efeito, o Executivo vai anunciar na próxima semana que vai duplicar em 2017 o poder de fogo de apoio às startups inovadoras que atualmente se situa nos €200 milhões disponíveis para coinvestir em capitais de risco. Ao anunciar a disponibilidade de €400 milhões, pretende mostrar que não vai faltar dinheiro ao ecossistema de empreendedorismo.

Isso mesmo vai ser comunicado na campanha de outdoors ‘This is not Silicon Valley, This is Portugal’ (‘Isto não é o Silicon Valley, Isto é Portugal’). Uma mensagem que visa afirmar a identidade e as vantagens de Portugal face a este local famoso no mundo da tecnologia e mostrar que o país está equipado com internet de banda larga, “incluindo todas as escolas, que há €400 milhões para coinvestir em capitais de risco e em business angels, benefícios fiscais para investidores da fase inicial” e que o país dispõe de “80 incubadoras certificadas”.

Mostrar as vantagens do país

“Não basta virem a Portugal”, disse ao Expresso o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, “mas, ao estarem, vão conhecer o país, receber material e abrir portas para, se quiserem, ter contactos e saber dos benefícios de investir aqui”, sublinhou. Ou seja, ter a sede da Web Summit é bom, mas é preciso que o evento “ganhe tração”, trabalhando no sentido de convencer os investidores, ao mesmo tempo que agilizam uma série de instrumentos para melhorar o “ecossistema do empreendedorismo”.

São várias essas medidas, entre benefícios fiscais, sistema de incentivos e ajudas. Já a partir desta semana, por exemplo, vão estar disponíveis fundos de investimento no valor de €100 milhões, que os privados podem alavancar para o dobro, num total de €200 milhões. O dinheiro, que saiu dos fundos comunitários, poderá ser usado pelas empresas de capital de risco para investir em empresas inovadoras, startups e empresas em fase de aceleração.

No total, serão 25 tipos diferentes de fundos de capital de risco. O Estado escolheu os investidores, segundo critérios rigorosos, entre aqueles com mais experiência, e serão eles, alguns deles estrangeiros, que escolherão onde investir. “Quando estes investidores encontrem uma empresa para investir ficam com o dobro da capacidade para o fazer”, adiantou o ministro. Este tipo de projetos pode ter muito retorno em valor e emprego, mas são muitas vezes arriscados, pelo que este incentivo dilui o risco.

Outra medida — e que já está contemplada no Orçamento do Estado para 2017 — é o chamado “Programa semente”, um programa de incentivos fiscais para quem investe em startups. O programa permite deduzir até €100 mil no IRS de um investidor privado dos seus ganhos com lucros e mais-valias. O programa foi inspirado por um semelhante que existe no Reino Unido e que é considerado um dos melhores na Europa.

Outra medida é o financiamento aos chamados business angels (investidores que apostam nas empresas em fase de arranque): são €18 milhões que já foram distribuídos em concurso e que perante a afluência o Governo decidiu lançar novo concurso, de igual montante (ver E16), num total de 36 milhões.

“Não tenho dúvidas de que há empresas portuguesas que vão conseguir levantar fundos importantes na Web Summit”, considera Miguel Frasquilho, presidente da AICEP. “Trata-se de um cartão de visita extraordinário. E já estamos a tratar das edições do próximo ano”, acrescenta. Lembra que a AICEP fez recentemente contactos importantes com empresas como a Facebook, Apple, Google e Amazon para lhes dar a conhecer o ecossistema empreendedor de Portugal e espera retirar frutos desse contacto a muito breve prazo.