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Web Summit: Lisboa preparada para a enchente

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Mostrar um “país jovem, dinâmico e para a frente” será a tónica da Web Summit em Lisboa, que está a apostar sobretudo em dar visibilidade às aplicações digitais

Joao Carlos Santos

Metro vai duplicar a capacidade no Parque das Nações, hotéis e restaurantes estão a postos para acolher mais 50 mil pessoas

É uma enchente, e também uma lufada de ar fresco, que é esperada em Lisboa nos dias da Web Summit, a conferência mundial de empreendedorismo e inovação que decorre de 7 a 10 de novembro, e para a qual já há mais de 50 mil participantes confirmados. Com os hotéis à beira de ter lotação esgotada, o Turismo de Lisboa garante que a cidade está preparada para receber toda a gente envolvida neste megacongresso.

“Se Lisboa se abalançou para um evento desta natureza é porque percebemos à partida que a cidade tinha capacidade e infraestruturas adequadíssimas para o receber”, salienta Paula Oliveira, diretora executiva do Turismo de Lisboa, lembrando que “a cidade já tem experiência” em acolher eventos com dezenas de milhares de participantes, em particular congressos médicos. “Lisboa tem perfeitas condições para todas estas pessoas ficarem alojadas, poderem sair e jantar fora. O tecido empresarial da cidade vai absorver esta concentração de gente, todos estão a dar o seu melhor e tenho a certeza que vai correr bem”.

Transportes reforçados

Os transportes públicos de Lisboa estão a preparar os serviços para o aumento de passageiros previsto para os dias da conferência. Contactadas pelo Expresso, as empresas não quantificam o afluxo extra de passageiros com o evento, mas garantem estar “em articulação com a organização” para implementar “medidas de apoio à sua realização”.

O Metropolitano, a Carris e a Transtejo estão a preparar um sistema de receção aos participantes com toda a informação relativa à utilização dos transportes públicos em Lisboa. Para tal, vão montar um balcão de venda no Aeroporto Humberto Delgado para apoio aos congressistas que chegam de avião a Lisboa. Fonte das empresas de transportes refere que “está igualmente em curso a articulação da venda de títulos de transporte nos hotéis”, para maior facilidade dos participantes que ainda não tenham adquirido bilhetes. O Metro de Lisboa também prevê reforçar o serviço nas principais estações de acesso aos locais referenciados pela organização da Web Summit e colocar em circulação permanente comboios de seis carruagens na linha vermelha, para o Parque das Nações, duplicando assim a capacidade face às três carruagens habituais neste percurso.

‘Movida’ nos hotéis

Os hotéis da região de Lisboa estão a ficar com a capacidade no limite para a Web Summit, havendo muitos já esgotados. “Está tudo a ficar muito cheio para estes dias”, nota Cristina Siza Vieira, presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP).

Segundo um inquérito da AHP realizado em setembro, os hotéis de Lisboa preveem para os dias da conferência, com base em reservas já efetuadas, atingir em média ocupações de 85% e diárias a €163 — o dobro do preço médio na cidade em novembro do ano passado, que se cifrou em €73. Franceses, britânicos, portugueses e espanhóis lideram, por esta ordem, as reservas de hotéis para o evento. “Estes valores ainda podem subir, nesta altura a ocupação média já deve ultrapassar os 90%”, refere Cristina Siza Vieira, enfatizando as reservas de última hora que continuam a disparar em plataformas como a Booking.

“Com esta pressão, é natural que os preços possam subir”, à semelhança de outros grande eventos em Lisboa, como a Liga dos Campeões. “Vai haver uma movida maior dentro dos hotéis, com pequenos-almoços partilhados ou cocktails até mais tarde. O ambiente da Web Summit vai contagiar os hotéis”, salienta a responsável da AHP, garantindo que os 288 hotéis da região com mais de 50 mil camas serão suficientes para fazer face à procura. Além dos hotéis, também o alojamento local será massivamente utilizado pelos participantes, e já em agosto a Airbnb registava para Lisboa o triplo de reservas para os dias da Web Summit.

Ao nível dos voos e passageiros esperados para a conferência, o aumento da procura não envolve ainda a necessidade de oferta acrescida. Segundo a ANA, o aeroporto de Lisboa está a trabalhar com a organização da Web Summit e com o protocolo do Estado na receção dos congressistas, mas para já não adianta pormenores sobre a forma como está a planear o acolhimento dos passageiros que vêm para o evento. Até porque ainda não há rotas nem voos charter extra previstos para a altura, o que significa que os voos serão os que já existem, mas com os aviões mais cheios.

A TAP confirma ter “um volume de reservas no mercado europeu, de onde virá a grande maioria dos participantes, superior em 11% face a igual período do ano passado”, mas “ainda sem procura que justifique voos extra”, adianta fonte oficial da transportadora, enfatizando o facto de as reservas em voos de médio curso se fazerem mais em cima das datas de viagem. Também a EasyJet não adicionou oferta específica para o evento. Até esta semana, a companhia de baixo custo registava um aumento de 16,5% nos lugares vendidos para o período da Web Summit, face ao período homólogo do ano passado.

App já na segunda-feira

A aplicação móvel da Web Summit vai ser lançada a 17 de outubro, passando a estar disponível para ser descarregada nas lojas online App Store e Google Play. Os participantes podem assim instalar a app nos telemóveis que usem os sistemas iOS (iPhone). A organização recomenda vivamente a sua utilização por ser uma ferramenta que ajuda a gerir agendas (através da função Schedule) e a desencadear encontros com as pessoas certas — investidores, startups ou oradores — de acordo com as áreas de interesse de cada participante. E ainda permite interagir em tempo real através da funcionalidade de chat. Segundo a organização da Web Summit, “quanto mais informação partilharem connosco, mais ativos seremos e melhores recomendações podemos fazer na app de cada um”.

Aposta no wi-fi gratuito

O wi-fi acessível e gratuito nas zonas mais movimentadas da cidade é outra aposta forte para a Web Summit — e na sequência do recente programa lançado pelo Governo de criar redes de acesso à internet nos centros históricos em todo o país. “Vai haver muita gente a trabalhar ao mesmo tempo, e este foi um dos motivos que mais reclamações geraram na Web Summit em Dublin”, nota a diretora executiva do Turismo de Lisboa.

Aproveitando a onda da Web Summit, o Turismo de Lisboa vai dar a conhecer durante o evento uma nova aplicação da sua página na internet que vai estar operacional até ao final do ano, envolvendo “a integração entre o mundo real e o mundo digital, no sentido de perceber o que o turista quer e poder desenhar programas taylor made”, adianta Paula Oliveira. Segundo o presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, “vamos utilizar a Web Summit para posicionar Portugal como hub para captar empresas startup do turismo, atingindo um segmento que nos interessa bastante, de uma nova geração que quer investir nesta área, a quem queremos mostrar um país jovem, dinâmico e para a frente”.

Cimeira em Lisboa

164

países marcam presença; o maior contingente vem do Reino Unido (7244 inscritos), seguindo-se a Alemanha (4040), a Irlanda (3927) e os EUA (3643)


€200

milhões é o impacto económico imediato previsto com o evento, o que inclui hotéis, táxis ou restaurantes


€45

mil milhões é o montante já aplicado pelos fundos de capital de risco que vão estar presentes na Web Summit

AHRESP recomenda

Bares devem ‘esticar’ horários

Os restaurantes e bares não vão alterar os horários de funcionamento durante a Web Summit, mas José Manuel Esteves, diretor-geral da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), recomenda aos seus associados que ‘estiquem’ a noite e ‘não ponham na rua’ os clientes após o horário legal de encerramento. “Por tradição, esta gente gosta de fazer negócios à volta da mesa e de um copo, como se passou em Dublin (destino anterior da Web Summit)”, refere o responsável da AHRESP. “Não há alargamento de horários à noite, mas vamos alargar os serviços. Se a polícia chegar vamos pedir compreensão, porque em causa estão clientes que vêm fazer negócios, não vêm fazer despedidas de solteiro”, argumenta José Manuel Esteves, avançando que o que está em causa não é pedir às fiscalizações que fechem os olhos à higiene e segurança mas que colaborem numa situação excecional. O Vasco da Gama, centro comercial no Parque das Nações, zona onde decorrerá a conferência, não pretende alterar os horários, estando apenas previstos reforços na vigilância e na limpeza.