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| Ilustração de Paulo Buchinho |
O Google Wave
está a desencadear uma onda de entusiasmo entre os fãs das novas tecnologias. Alguns dos 100 mil acessos à versão experimental, que a Google colocou em Setembro à disposição de um grupo restrito de utilizadores, a que o Expresso teve acesso, chegaram ser leiloados no eBay
acima dos 100 dólares. E durante alguns dias monopolizou, no início de Outubro, as discussões na rede social Twitter
.
Mas até que ponto o Wave se mostra útil para quem já o testou? Um aluno do ensino secundário norte-americano conta em resposta a um inquérito do blogue Lifehacker, que até agora "os estudantes trocam por e-mail os apontamentos e a seguir cada um tem de compilar e verificar toda a informação". No futuro, "todas as contribuições poderão convergir num único documento, editado por todos mas que cada um poderá consultar sempre que precise".
À mesma pergunta, um repórter do "The Arizona Republic" garantiu que seria "muito útil para apoiar a investigação e escrever artigos em parceria com outros jornalistas".
FUNCIONALIDADES
- O Google Wave organiza as mensagens de forma dinâmica e centralizada
- É uma rede social que oferece controlo mais rigoroso dos participantes numa 'conversa'
- Permite recapitular todas as contribuições de uma 'conversa' pela ordem de ocorrência
- Além de texto, permite partilhar conteúdos multimédia (vídeos, fotos, música e mapas)
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Muito mais do que email
Se num primeiro momento a Google garantia que se o correio electrónico tivesse sido inventado hoje seria igual ao Wave, Kasia Chmielinski, membro da equipa de desenvolvimento, disse agora ao Expresso que "é muito mais do que uma aplicação de e-mail".
"É um local onde as pessoas podem comunicar e trabalhar em grupo, podendo usar texto formatado, fotos, vídeos, mapas e até conteúdos de outros sítios na Web. Na aplicação podemos criar um wave (onda em inglês mas que em português significará conversa ou debate) e adicionar os participantes, sendo que qualquer um pode editar tudo o que está a ser dito em tempo real", explica Kasia Chmielinski.
Toda a conversa num único sítio
A estrutura do ecrã inicial da aplicação assemelha-se a um tradicional programa de correio electrónico como, por exemplo, o Outlook da Microsoft. À esquerda em cima, o menu navegação e por baixo a janela com os contactos. Ao centro surgem listadas as 'conversas' e à direita o seu conteúdo. Mas as semelhanças com o popular sistema de gestão de correio electrónico ficam por aqui.
O Wave propõe-se concentrar num único espaço a conversa interminável que tomou de assalto o actual ecossistema da Web 2.0
, a rede colaborativa onde todos podem ter o seu púlpito. Mas tem muito pouco que ver com uma cadeia de e-mails onde o que é dito fica cristalizado à medida que o tempo passa. Aqui, uma afirmação proferida no início de uma 'conversa' pode ser alterada ou comentada por qualquer interlocutor em qualquer altura.
À primeira vista, o Wave vale sobretudo pela capacidade de organizar e sistematizar estes diálogos mais ou menos intermináveis. A conversação decorre em tempo real, sendo possível, por exemplo, ver o que outra pessoa está a escrever no exacto momento em que o faz.
A aplicação permite ainda recapitular uma conversa, relendo cada contribuição no momento em que foi feita.
Ainda sem data de lançamento para a primeira versão, a Google revelou no início de Novembro que qualquer empresa poderá hospedar e gerir sistemas de comunicação baseados no Wave. Entretanto, alguns grandes actores do mercado de software profissional, como a SAP
e Novell, já estão a desenvolver ferramentas que tiram partido do Google Wave.
Três perguntas a Kasia Chmielinski da Equipa do Google Wave
Quem serão os grandes utilizadores do Wave: empresas ou consumidores domésticos?
O Google Wave pode ser usado de muitas maneiras. Apenas para conversar ou, de uma forma mais elaborada, para partilhar documentos com vídeo, mapas e exportá-los para um sítio na Web. Quando convidámos empresas e escolas para testarem esta versão, queríamos perceber como é que diferentes grupos poderiam usá-la.
Quais são os planos da Google para rentabilizar o Wave?
O Google Wave não terá serviços pagos. Será um sistema aberto para o qual muitos programadores desenvolverão novas extensões que poderão ser usadas livremente pelas empresas nos seus servidores.
Na sua opinião o Facebook, Twitter e o MSN tem razões para temer o Wave?
Há muitas formas de comunicar através da Web. Sabendo que os internautas não têm tendência para substituir os actuais formatos de comunicação - as mensagens instantâneas não substituíram o correio electrónico - o nosso objectivo é desenvolver uma nova tecnologia para comunicar e cooperar de uma forma mais simples.