27/05/2012 atualizado às 0:53
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Watergate à portuguesa

Daniel Oliveira
8:00 Segunda feira, 24 de agosto de 2009

A história começou com uma acusação: os assessores do Presidente andavam a ajudar a escrever o programa do PSD. Uns dias depois, um 'garganta funda' de Belém fez as perguntas que faltavam ao "Público": "Como é que os dirigentes do PS sabem o que fazem ou não fazem os assessores do Presidente? Estamos sob escuta ou há alguém na Presidência a passar informações?" Primeiro resultado da notícia: a fonte confirma a acusação feita pelo PS. Faltava responder à inquietação: como raio souberam os dirigentes do PS de um segredo que apenas tinha sido publicado há 15 dias no "Semanário" e seguidamente difundido no site de Manuela Ferreira Leite? Como estaria esta gente tão bem informada? Leriam jornais? Consultariam a Internet? A dúvida, a ansiedade, a consternação...

Depois de o "Público" ver morto, em poucas horas, o seu pequeno Watergate, decidiu não desistir. No dia seguinte, o problema já não eram as escutas aos assessores. Há um ano meio (há jornais que gostam de notícias frescas) um suspeito assessor de Sócrates acompanhou a comitiva do Presidente à Madeira. O espião escreve em blogues, foi autarca e é autor de um livro contra Cavaco Silva. O homem certo para não dar nas vistas. Diz que almoçou sem ser convidado e, veja-se lá, até conversou com jornalistas do continente. Sempre atentos, os senhores da Casa Civil viram ali todos os sinais da presença do agente 001 da polícia socratista.

A acusação de escutas e vigilância à Presidência, apesar de patética, é, se este país ainda se leva a sério, gravíssima. Perante ela, seria de esperar uma de duas atitudes do Presidente: ou confirmava a suspeita e agia em conformidade ou a desmentia e corria com o assessor que anda a espalhar tamanhos disparates. Nem uma nem outra. Preferiu, com o silêncio, alimentar a coisa. E é nestes pormenores que se percebe como há homens desajustados à relevância do lugar que ocupam.

A solidão de Portas

Há quatro anos Paulo Portas abandonou a liderança do CDS porque ficou poucos votos à frente de "trostsquistas e comunistas". Dois anos depois, no meio de gritos e encontrões, Ribeiro e Castro foi corrido sem ter sequer chegado às urnas. Portas voltou e, nas últimas europeias, depois de ter ficado atrás dos mesmos "trotsquistas e comunistas", festejou com lágrimas. Porquê? Porque teve mais do que as sondagens anunciavam. E esta é a arte de Portas: cria narrativas improváveis.

Como um eucalipto, Portas foi aniquilando todos os quadros do seu partido. Primeiro os opositores, depois aliados e amigos. O pouco que restava de apresentável foi enviado para Bruxelas. É da sua natureza: Portas é a sua própria solidão. E fez do CDS o primeiro partido português verdadeiramente unipessoal. Sozinho, tem de encarnar todas as personagens da direita: o "Paulinho das feiras e da lavoura", o "ministro de Estado", o político "contra o rendimento mínimo, os imigrantes e os criminosos", o Portas "conservador e cristão", o Paulo "da direita liberal".

Anti-sistema nas campanhas, o CDS precisa, depois das eleições, de voltar aos "responsáveis" negócios de Estado. Sem mais personagens para representar, alguém acredita que Portas ficará mais quatro anos a perorar no Parlamento? E quem sobrará para o acompanhar em tão ingrata tarefa?

Primeiro de cinco textos sobre as candidaturas às legislativas.

Daniel Oliveira

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Watergate à portuguesa
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 15:49 | Segunda feira, 24 de agosto de 2009
Se os deuses estão loucos eu não sei, mas que por este andar os portugueses para lá caminham não tenho duvida. Num jornal como o Expresso com prestigio e credibilidade reconhecida pela maioria é no mínimo difícil de aceitar tal conduta. Eu sei que estamos em tempo de férias e as noticias não abundam. É verdade que a desgraça da praia do Algarve com cinco mortos dá no minímo para uma semana, que começou com uma tragédia e vai acabar em polémica. Lá voltamos outra vez ao problema de que quando não se passa nada vai-se ao Jardim e sempre se arranja algo para uma refeição mesmo que ligeira. Multiplicam-se os pães e temos o milagre de uma noticia do tamanho dum grilo transformada num elefante. Em oito pessoas no artigo de opinião cinco tratam do mesmo tema, ou seja Henrique Monteiro,Ricardo Costa,Miguel S. Tavares,Daniel Oliveira e João Garcia. Mas afinal não falam uns com os outros e obrigam-me a ler cinco vezes a mesma coisa. Já agora em relação ao assunto tratado qual a duvida o problema e a impotância de uma coisa que já toda a gente sabe e que sempre foi assim desde que a Humanidade existe como organização. Os espiões estão por todo o lado e o mais caricato todos os conhecem. Se fosse o Raul Solnado diria que queria os planos da polvora, já o Hermen José diria que não havia necessidade.

 
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Portas
brunogva (seguir utilizador), 1 ponto , 12:43 | Segunda feira, 24 de agosto de 2009
Portas, menino mimado e narcisista, anda a ver se chega outra vez a ministro.
 
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    Re: Portas    Ver comentário
Doisémes (seguir utilizador), 1 ponto , 23:13 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009
Nem é dificil...
lord byron (seguir utilizador), 1 ponto , 13:33 | Segunda feira, 24 de agosto de 2009
Explica aí aos outros comentadores que falam no assunto como se o m esmo necessita-se de uma apurada investigação a sucessão de acontecimentos que toda a gente que está minimamente informada sabe e onde o ridículo que aqui hoje se prestaram Henrique Monteiro (curiosamente este na SIC noticias até que esteve absolutamente certo na apreciação a quente que fez do Silly facto de facto apenas tem o silly) e António Costa não tem limites.
Eu optei por responder aos dois com o mesmo comentário e talvez alguém agora se quiser perceba o porquê!
 
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