Volta a França: Rui Costa vence oitava etapa (vídeo)
O ciclista português Rui Costa (Movistar) fez hoje história, ao tornar-se o quinto português a vencer uma etapa da Volta à França, a oitava da edição 2011, que continua a ser liderada pelo norueguês Thor Hushovd (Garmin).
No ano a seguir a Sérgio Paulinho ter honrado a bandeira portuguesa, em Gap, na 10ª tirada, Rui Costa teve um dia heroico, rumo a Super-Besse Sancy: esteve quase sempre em fuga e nos últimos 5,7 quilómetros foi a solo e terminou em 4.36.46 horas, numa montanha de terceira categoria.
O jovem luso, de 24 anos, sucedeu ao medalhado olímpico (Atenas2004) e a Joaquim Agostinho (cinco triunfos em etapas, entre 1969 e 79), Paulo Ferreira (uma, em 1984) e Acácio da Silva (três, de 1987 a 89).
"Ainda não acredito que ganhei uma etapa no Tour"
Rui Costa integrou um grupo de nove ciclistas em fuga desde dos oito dos 189 quilómetros, entre Aigurande e a estância de desportos de inverno de Super-Besse Sancy, e que se foi reduzindo paulatinamente.
"É uma vitória muito importante para mim... ainda não acredito que ganhei uma etapa no Tour. Sempre foi um sonho poder vencer uma etapa. Foi incrível. Na minha cabeça ainda não acredito que ganhei", disse, no final da tirada.
O ex-ciclista do Benfica, que subiu três lugares na geral, para o 40.ª, a 3.47 minutos do líder, contou a fase decisiva: "Ataquei no momento crucial. Quando vi que os meus companheiros em fuga estavam um pouco desgastados, tentei a minha sorte. Consegui ganhar um pouco espaço, que geri bem".
"Quando senti o Vinokourov atrás, pensava que me ia apanhar"
"Quando senti o (Alexandre) Vinokourov atrás, pensava que me ia apanhar. Mas, no fim, vim ao máximo, dei tudo por tudo para chegar sozinho e ainda bem que consegui vencer a etapa. Estou muito feliz. Dedico o triunfo à equipa, pois passámos momentos muito complicados este ano. Esta vitória vai alegrar-nos um pouco mais e afastar os momentos difíceis", concluiu.
Vinokourov (Astana) fugiu do pelotão a cerca de 20 quilómetros da meta - chegou a ter vantagem superior aos 32 segundos que o separavam do líder Thor Hushovd - e foi-se aproximando do grupo que comandava -- quando Rui Costa se isolou, foi ele quem o perseguiu, mas o português resistiu.
O cazaque pagou o esforço nos metros finais, em que foi apanhado pelo pelotão, liderado por Philippe Gilbert (Omega), que conseguiu mesmo ganhar três segundo ao resto da coluna e recuperou a liderança dos pontos.
O australiano Cadel Evans (BMC) entrou em terceiro, a 15 segundos, e o espanhol Alberto Contador (SaboBank) em oitavo, imediatamente à frente dos "manos" luxemburgueses Andy e Frank Schleck (Leopard).
Norueguês Thor Hushovd continua de amarelo
Por seu lado, e ao contrário do que pensada, o norueguês Thor Hushovd resistiu ao primeiro "aperitivo" de montanha e segurou a liderança, ao entrar no primeiro pelotão -- "reservado" a 24 ciclistas -, no 16.º posto.
"Continuo de amarelo. Surpreendi-me novamente hoje. Não foi um bom dia. Sofri muito, mas não desisti. Aguentei, aguentei. Estou surpreso por continuar líder", disse Hushovd, admitindo que "não tinha possibilidade" de responder aos ataques dos seus rivais.
Sérgio Paulinho foi 75.º, a 3.33 minutos de Rui Costa, e com isso, subiu do 175.º para o 138.º posto, a 31.42 do norueguês.
Domingo, disputa-se a nona etapa, com 208 quilómetros, entre Issoire e Saint-Flour, com sete contagens de montanha, incluindo três de segunda categoria.
Momento mais alto da (curta) carreira de Rui Costa
Rui Costa (Movistar) viveu hoje o momento mais alto da sua ainda curta carreira, ao vencer a oitava etapa da edição 2011 da Volta a França em bicicleta, o melhor "antídoto" para esquecer o doping.
Aos 24 anos, o português triunfou pela primeira vez numa das três grandes voltas, cinco meses depois de ter terminado um castigo de cinco meses, devido à utilização do estimulante metilhexanamida, que entrou na lista de substâncias proibidas em 2010.
Rui Costa, que se sagrou campeão português de contrarrelógio em elites, e o seu irmão Mário, terceiro na competição, acusaram o estimulante, após a prova, disputada a 25 de junho, em Santa Maria da Feira.
Em outubro, o ciclista da Póvoa de Varzim foi suspenso preventivamente, até 4 de fevereiro, quando o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) decidiu reduzir para cinco meses o castigo aos dois irmãos, pena que já tinham cumprido.
Rui Costa sempre defendeu que o controlo positivo se deveu a uma contaminação alimentar.
Espanhol Carlos Barredo tentou agredir Rui Costa
O triunfo na oitava etapa da Volta a França ocorre na terceira presença de Rui Costa no Tour, depois de, em 2009, ter desistido na sequência de uma queda na 11. etapa e de, em 2010, ter terminado em 73.º lugar, tendo sido desclassificado posteriormente, devido ao controlo positivo.
A participação de Rui Costa na "Grand Boucle" em 2010 ficou ainda marcada pela tentativa de agressão do espanhol Carlos Barredo (Quick Step), que tentou acertar no português com a roda de uma bicicleta.
Apesar de ter apenas 24 anos, Rui Costa, que começou a correr aos 11, na equipa Gilhabreu, já tem uma série de feitos no seu currículo, com destaque para o triunfo nos 4 Dias de Dunquerque, em 2009, a conquista da Volta à Comunidade de Madrid, em 2011, e o segundo lugar na Volta a França do Futuro, em 2008.
Quinto português a vencer no Tour
A Movistar é a terceira equipa profissional de Rui Costa, depois de se ter estreado no Benfica, em 2007, passando depois pela Caisse d'Epargne, antes de este ano ter assinado pela equipa espanhola.
Para a história, aconteça o que acontecer, será sempre o quinto português a vencer etapas no "Tour", depois de Joaquim Agostinho, Paulo Ferreira, Acácio da Silva e Sérgio Paulinho, este último na edição de 2010.
Veja o vídeo:
Etape 8 : Aigurande - Super-Besse Sancy por tourdefrance


Christophe Ena/AP
Rui Costa festejou a vitória
