É o fim de um dos segredos mais mal guardados de Bruxelas. Depois da vitória do centro-direita nas eleições para o Parlamento Europeu
(PE), Durão Barroso
conta anunciar esta semana a decisão sobre se é ou não candidato à sua própria sucessão. Sem surpresa, deverá afirmar a intenção de prosseguir durante mais cinco anos à frente dos destinos da Comissão Europeia, na esperança de que a decisão seja confirmada pelos líderes da União já no Conselho Europeu dos próximos dias 18 e 19 de Junho.
O único percalço pode surgir da intenção de alguns países e de grupos políticos do PE de adiar todo o processo para depois da realização do referendo ao Tratado de Lisboa na Irlanda, previsto para Outubro.
Entretanto, em Bruxelas, no rescaldo da votação, a hora é para as famílias políticas marcarem posição e começarem as negociações sobre a gestão do PE durante os próximos cinco anos e também do destino de Durão. Mas, para já, a nota mais marcante é a completa ausência dos socialistas deste exercício. Depois da pesada derrota averbada a noite passada Europa fora, o PSE foi o único, entre os principais grupos políticos, a não realizar uma conferência de imprensa esta manhã na capital belga.
O PPE, por seu lado, que viu reforçada a sua condição de maior família política, não perdeu tempo a reivindicar a vitória e a deixar claro que Durão Barroso é o seu candidato á presidência da Comissão e que querem resolver o assunto já na primeira sessão do novo Parlamento, que decorrerá em Estrasburgo a partir de 14 de Julho. Uma posição defendida pelo presidente da formação, o belga Wilfried Martens, em nome da "estabilidade institucional" e da "continuidade política".
Quanto ao habitual acordo estabelecido com o grupo socialista para a gestão do Parlamento e a escolha do respectivo presidente (os cargos institucionais do PE são todos alterados a meio do mandato e estes dois grupos costumam dividir entre si a presidência da instituição), os populares tomarão uma decisão na quarta-feira, sobre com quem pretendem entender-se
Mas, hoje, Martens estendeu a mão a socialistas e liberais, ao evocar a possibilidade de uma "cooperação" entre as três maiores famílias europeias para fazer face à ascensão de "populistas e eurocépticos".
Também esta manhã, o britânico Graham Watson, o presidente do grupo liberal, defendeu um entendimento dessa natureza, em que o PPE nomeie o presidente da Comissão e os outros dois grupos dividam entre si o posto mais alto do Parlamento Europeu. De referir que, na mesma ocasião, Watson anunciou a sua candidatura à presidência do PE.
Quanto a Durão Barroso, Watson defende que a decisão seja apenas tomada no Outono, após a Irlanda se pronunciar sobre o Tratado de Lisboa, mas garante que o ex-primeiro-ministro português "não tem nada a temer" quanto a uma reeleição, pois nem o seu grupo, nem os socialistas deverão apresentar um candidato alternativo.