O vírus da gripe suína
, que terá já provocado 149 mortos no México,
chegou à Europa com um primeiro caso confirmado em Espanha e dois no Reino Unido
enquanto vários países em todo o Mundo adoptam medidas para evitar a epidemia.
A União Europeia
desaconselhou as viagens para o México e para alguns estados norte-americanos para limitar o risco de contágio e anunciou a realização, quinta-feira, de uma reunião dos ministros da saúde dos países-membros.
A Espanha
anunciou aquele que é o primeiro caso confirmado na Europa, num jovem de 23 anos que esteve no México. Vinte e seis outros casos suspeitos estão em observação neste país, enquanto na Escócia foram confirmados dois casos de pessoas infectadas com a gripe suína, que haviam estado no México recentemente.
No México, o governo assinalou a existência de 149 mortes provavelmente devido ao vírus e de 1.614 casos tratados, 400 dos quais ainda hospitalizados.
O vírus da gripe suína está, no entanto, confirmado em apenas 20 casos mortais no México, anunciou o mexicano da Saúde, Jose Angel Cordova.
11 milhões de doses de tratamento antiviral
Nos Estados Unidos
, foram confirmados 40 casos de pessoas infectadas, sem mortes, enquanto que no Canadá há seis casos confirmados.
O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama
, afirmou que o surto de gripe suína no país é preocupante mas não é causa para alarme e assegurou que está a acompanhar a situação.
O director das autoridades sanitárias norte-americanas
, Richard Besser, afirmou, no entanto, que as pessoas devem estar preparadas para o aparecimento de mais casos graves no país e "talvez de mortes".
Os Estados Unidos vão distribuir 11 milhões e doses de tratamento antiviral contra a gripe suína, retiradas dos stocks federais para ajudar os estados norte-americanos afectados, anunciaram hoje as autoridades sanitárias.
"A título de precaução, pusemos à disposição dos estados 25 por cento dos stocks. Isso representa 11 milhões de tratamentos antivirais", Richard Besser, durante uma conferência de imprensa.
Richard Besser adiantou que os tratamentos "estão a caminho dos estados afectados da Califórnia (ocidente), Nova Iorque (nordeste) e Texas (sul) assim como outros Estados por todo o país".
As autoridades sanitárias forneceram também aos estados kits com testes que permitem diagnosticar a febre suína.
Vigilância nos aeroportos
O receio de propagação do vírus levou vários países a colocar controlos nos aeroportos, a recomendar que se evitem alguns destinos e a colocar sob vigilância os cidadãos provenientes do México com sintomas gripais.
Há casos suspeitos que estão a ser analisados na Alemanha, em Itália, na Suíça, na Dinamarca, na Suécia, na Nova Zelândia, no Reino Unido, na Bélgica, em Israel, no Brasil e na Colômbia. Noutros países, como a França e a Austrália, havia casos suspeitos que não se confirmaram.
Os Estados Unidos, a Rússia e o Japão estão entre os países que reforçaram os controlos fronteiriços e os existentes nos aeroportos internacionais.
A China e a Rússia também suspenderam a importação de carne de porco proveniente do México e dos estados norte-americanos afectados pelo surto.
Ban Ki-moon avisa para perigo de pandemia
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon
, alertou hoje para o perigo do vírus da gripe suína, detectado no fim-de-semana no México, causar uma pandemia.
"Estamos preocupados que o vírus possa provocar uma nova pandemia gripal. Poderá ser moderada nos seus efeitos, mas também é potencialmente grave", afirmou Ban Ki-moon, numa breve declaração à imprensa.
Ban Ki-moon sublinhou ainda a preocupação dos especialistas das Nações Unidas perante o facto de a maioria das vítimas mortais no México serem jovens adultos saudáveis.
O secretário-geral da ONU qualificou a situação como "o primeiro teste do trabalho de preparação face a uma pandemia iniciado pela comunidade internacional há três anos".
Ban Ki-moon afirmou ainda que o organismo respondeu "rapidamente e eficazmente", nomeadamente através da Organização Mundial da Saúde (OMS).
"Nenhuma região do Mundo está imune"
A Organização Mundial de Saúde
(OMS) confirmou entretanto 73 casos de pessoas infectadas com o vírus, afirmando-se "muito preocupada" com a situação, e subiu para quatro (numa escala até seis) o nível de alerta de pandemia em resposta à epidemia de gripe suína com origem no México, indica a organização na sua página oficial na Internet.
"Nenhuma região do mundo está imune à propagação do vírus da gripe suína", que terá provocado já 149 mortos no México, advertiu hoje o número dois da Organização Mundial de Sáude (OMS), Keiji Fukuda.
"Numa época em que as pessoas viajam de avião muito rapidamente por todo o mundo, não há nenhuma região do mundo onde o vírus não se possa espalhar", explicou hoje Keiji Fukuda.
A mudança para nível de alerta quatro indica que a organização determinou que este vírus é capaz de transmissão entre humanos.
A decisão da OMS surge numa altura em que o número de casos, suspeitos e confirmados, de gripe suína tem aumentado em todo o mundo, com as autoridades de saúde a temeram um epidemia de amplitude mundial.
Domingo, a organização advertira que o vírus pode tornar-se "bastantes mais perigoso", mas considerou que graças à experiência da gripe das aves o mundo está mais preparado face a um risco de pandemia.
O grupo farmacêutico suíço Roche afirmou dispor de uma grande reserva de Tamiflu, o medicamento recomendado pela OMS contra o vírus da gripe suína.
Num primeiro efeito económico da epidemia, os títulos dos grupos farmacêuticos subiram nas Bolsas mundiais enquanto os das companhias aéreas e dos grupos turísticos caíram.
"Alerta máximo" na capital mexicana
No México, as medidas de precaução continuam em vigor, nomeadamente o isolamento de doentes e a distribuição de máscaras cirúrgicas, com a doença a propagar-se apenas através de humanos.
A capital, Cidade do México, com 20 milhões de habitantes, está em "alerta máximo", as reuniões públicas estão proibidas, as escolas, liceus, universidades, bares, teatros, museus e os tribunais estão fechados. Mas o aeroporto da capital de um país muito procurado como destino turístico continua aberto.
As autoridades mexicanas garantiram dispor de reservas suficientes de Tamiflu
, tal como as embaixadas estrangeiras, dizem fontes diplomáticas.
O Banco Mundial anunciou um crédito imediato de 25 milhões de dólares para o México e aprovou um outro, a médio prazo, de 180 milhões.