Vídeo: Crise ameaça ajuda humanitária
No momento em que a Assistência Médica Internacional (AMI) completa 25 anos, o seu fundador e presidente, Fernando Nobre, diz que a crise bate também à porta das ONG. As campanhas nos crescentes campos de refugiados, cenários de conflitos e de catástrofes naturais, estão por um fio.
Para o presidente da Assistência Médica Internacional , a crise e as mudanças climáticas estão a contribuir para aumentar o número de pobres e famintos, nomeadamente nos países em desenvolvimento. A par dessa situação, estão a aumentar os conflitos e a revolta social em todo o mundo. Isto ainda não é nada, na óptica de Fernando Nobre o caldeirão apenas começou a entornar.
Em entrevista ao Expresso, o fundador da AMI faz um balanço "positivo" dos 25 anos desta organização não-governamental portuguesa, marcados pela ajuda humanitárias em 67 países, Portugal inclusive, e ainda "pelo lançamento de um projecto ambiental consistente e uma tomada de posição pelos valores, pela ética".
Fernando Nobre aponta o genocídio no Ruanda como a "maior dificuldade" já enfrentada pela equipa da associação. A "maior frustação" foi a AMI ter sido impedida de entrar na Birmânia pela Junta Militar que governa o país. "Em mais de 30 anos de ajuda humanitária - primeiro com os Médicos Sem Fronteiras, depois com a AMI - nunca tal tinha acontecido".
Em Fevereiro deste ano, uma equipa da AMI partiu para o Zimbabwe onde implementou uma Missão de Urgência para responder ao notório agravamento da situação de um dos países africanos que mais têm tido dificuldades nos últimos anos. O principal objectivo da associação é reverter o actual cenário de cólera, má nutrição e complicações de HIV-Sida junto da população.
A AMI também estendeu a ajuda aos povos do Uganda e da Nicarágua.
Ainda este ano, o organismo vai lançar mais dois centros socais em Portugal - em Almada e Ponta Delgada - que se vêm juntar aos 11 já existentes no país.
Na sexta-feira, dia 22, a ONU pediu 450 milhões de dólares à comunidade internacional para financiar projectos de apoio aos milhões de deslocados pela recente ofensiva militar contra os talibãs, no Paquistão. É o maior êxodo já registado no país desde a sua separação da Índia,em 1947.


