23 de abril de 2014 às 12:07
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Vídeo: Crise ameaça ajuda humanitária

No momento em que a Assistência Médica Internacional (AMI) completa 25 anos, o seu fundador e presidente, Fernando Nobre, diz que a crise bate também à porta das ONG. As campanhas nos crescentes campos de refugiados, cenários de conflitos e de catástrofes naturais, estão por um fio.

Maria Luiza Rolim

Para o presidente da Assistência Médica Internacional , a crise e as mudanças climáticas estão a contribuir para aumentar o número de pobres e famintos, nomeadamente nos países em desenvolvimento. A par dessa situação, estão a aumentar os conflitos e a revolta social em todo o mundo. Isto ainda não é nada, na óptica de Fernando Nobre o caldeirão apenas começou a entornar.

Em entrevista ao Expresso, o fundador da AMI faz um balanço "positivo" dos 25 anos desta organização não-governamental portuguesa, marcados pela ajuda humanitárias em 67 países, Portugal inclusive, e ainda "pelo lançamento de um projecto ambiental consistente e uma tomada de posição pelos valores, pela ética".

Fernando Nobre aponta o genocídio no Ruanda como a "maior dificuldade" já enfrentada pela equipa da associação. A "maior frustação" foi a AMI ter sido impedida de entrar na Birmânia pela Junta Militar que governa o país. "Em mais de 30 anos de ajuda humanitária - primeiro com os Médicos Sem Fronteiras, depois com a AMI - nunca tal tinha acontecido".

Em Fevereiro deste ano, uma equipa da AMI partiu para o Zimbabwe onde implementou uma Missão de Urgência para responder ao notório agravamento da situação de um dos países africanos que mais têm tido dificuldades nos últimos anos. O principal objectivo da associação é reverter o actual cenário de cólera, má nutrição e complicações de HIV-Sida junto da população.

A AMI também estendeu a ajuda aos povos do Uganda e da Nicarágua.

Ainda este ano, o organismo vai lançar mais dois centros socais em Portugal - em Almada e Ponta Delgada - que se vêm juntar aos 11 já existentes no país.

Na sexta-feira, dia 22, a ONU pediu 450 milhões de dólares à comunidade internacional para financiar projectos de apoio aos milhões de deslocados pela recente ofensiva militar contra os talibãs, no Paquistão. É o maior êxodo já registado no país desde a sua separação da Índia,em 1947.

Comentários 8 Comentar
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OS PORQUÊS...!!!
É deveras melindroso pronunciar-mo-nos sobre algo sensível como a ajuda humanitária.
E percurso de Fernando Nobre desde a sua adolescência no Congo ex-belga até à Licenciatura em Bruxelas foi um esforço meritório como tem sido aquele que tem dedicado aos outros. Felicito-o por isso.
No entanto, em paralelo à crise que a todos os humildes atinge, acresce a descredibilização de muitas ONG's que se têm revelado, no espaço e no tempo, autenticas agências de viagens de turismo e de empregabilidade de meninos de bem que facilmente acedem a fundos para o efeito.
A certa altura, verifiquei em África, os contentores de luxo, com geradores próprios e climatisações em série, apoiadas em Jeeps topo de gama, coabitavam com a fome e a desgraça que deveriam amenizar.
Estranho, também, que no 25° aniversário da AMI ainda não tenha havido tempo de termos um novo Presidente. Estes lugares cativos tornam-se ícones de redomas invioláveis onde restritamente circulam interesses que não podem ocultar-se apenas com a voluntariedade.
Terão Madre Teresa de Calcutá ou Abbé Piérre vivido numa mansão de luxo e feito fortuna através da ajuda humanitária? Creio que não.

Não estará certa ajuda humanitária a transformar-se num neo-colonialismo que substituiu a escravidão pela dependência?

Não estará essa ajuda humanitária a ser conseguida conforme os interesses instalados?

Não virou a ajuda humanitária um comércio de escoamento de excedentes dos mais ricos?

Como será depois da crise?

A ver vamos.
EM PORTUGAL
ha um fenomeno novo que Fn nao focou: a crescente procura de ajuda feita pela propria populacao portuguesa a AMI. Era importante saber os numeros das crescentes necessidades dos portugueses, para terem de bater a porta da AMi e de outras instityicoes de ajuda.
Norte e Sul
Se um dia os que vivem a Sul, por conta da fome, atacarem os do Norte, isto vai ser do bom e do bonito. Num mundo de hipocrisia e de egocentrismo, como podemos suportar ainda os disparates (e as despesas), dos senhores do poder, perante o cenário que amigo e Nobre Fernando nos atira à cara e desafia?
Vá pedir ao Bloco de Esquerda!
Este senhor que peça ajuda ao Bloco de Esquerda! Quem está na sua posição, não se deve envolver como se envolveu partidariamente. Assim, NEM MAIS UM TOSTÃO! As minhas contribuições irão para outros lados.
É um grande problema....
Se não se resolve rapidamente este bico de obra, lá se vai o trem de vida desta gente...

Dos refugiados, quero eu dizer!
Re: É um grande problema.... Ver comentário
VOLTE!!!!!!! Ver comentário
São pessoas como Fernando Nobre que
faz renascer a esperança nos homens...
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