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Vídeo: Chegas de bois à Barrosã

Campeonato de Chegas de Bois, em Montalegre, junta centenas de pessoas para assistir a "turras" que podem demorar apenas alguns minutos. Há 12 anos que Fernando Moura relata chegas de bois para rádio e televisão.
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Os olhos raiados de calor fazem adivinhar a tarde que se segue. Fernando Moura chega num passo que deixa dúvidas entre o apressado e o natural. A tiracolo, um saco de gravação da rádio de Montalegre. "Sim, sou eu que faço os relatos", vai dizendo enquanto caminha pelo campo de terra batida. "Está quase tudo pronto mas ainda vêem aí os bombeiros molhar o campo". As palavras de Fernando têm o ritmo próprio dos relatos: um quase cantar com pouco espaço entre as palavras. Montalegre aquece de calor. Não se vê uma única nuvem pendurada no céu azul. À entrada do recinto, cobram-se 5 euros por bilhete. Uns e outros vão chegando. Homens de camisas às riscas, calças de fazenda e chapéus na cabeça. Raparigas de calças justas e cabelos pintados. Rapazes com "Ronaldo" escrito nas costas e brinco na orelha. Sotaque que vem de longe e que se mistura com o falar recheado de expressões nascidas entre os que fazem da lavoura e da criação de gado uma vida inteira.

Tarde de chegas de bois em Montalegre. Quase na hora. Pouco antes das cinco, chegam as carrinhas com os bois. Barrosões, pois claro. Que neste Campeonato há regras a seguir e uma delas é que só o gado de raça Barrosã pode participar. "Este tipo de boi é mais pequeno do que os de outras raças...", vai explicando Fernando. O conceito de pequenez é relativo. " Têm qualquer coisa como 900 quilos". As gentes acomodam-se em volta da protecção de ferro que circunda o recinto. Na mão, copos de cerveja tirados na barraquinha das bebidas. Chegam os bombeiros. O pó levanta-se e as mangueiras de água tentam acalmá-lo. Numa quase sombra, Domingos Dias vai espreitando para o campo. "Só perco uma Chega se não puder mesmo...", diz. Domingos tem 80 anos, olhos atentos, pele onde as rugas não fazem grandes socalcos, conversa corrida. "Já tive gado, 12 vacas! Mas desde que a minha senhora morreu, deixei de cuidar dos animais. Deixei-me de tudo". Fala dos sete filhos, dos "dez ou doze netos", de toda a família que está por fora, por Lisboa e mais longe. "Olha como pula!". A conversa cruza-se com a entrada em grande força de um dos bois. "Este é o de Montalegre!", diz.

O dérbi

Nesta meia-final há duas chegas. Por coincidência, são dois animais de Montalegre, contra dois de Salto. "Um dérbi regional!", solta alguém numa gargalhada. Logo de seguida entra o outro boi, o de Salto. Mais pequeno. "Este já foi...", sentencia Germano Alves. Esteve trinta anos a trabalhar em França, como coveiro, agora regressou à terra natal. "Muito gosto disto!". Os dois bois olham-se. Fernando Moura, dentro do recinto, segura no microfone e vai passando a emoção para quem acompanha a prova pela rádio. Parece que dentro de campo todos se medem. "O de Montalegre já ganhou ano passado. E vai ganhar esta Chega...tem o dever de ganhar pelo menos, que tem mais corpo!", vai dizendo Germano. "E tacticamente é melhor o de Montalegre", reforça uma voz vinda do lado. Em pouco mais de um minuto acontece a Chega. Os bois olham-se, aproximam as cabeças, entrelaçam os cornos. O de Montalegre consegue levantar o outro. Fim de Chega. O mais pequeno sai de campo. "Bem dizia eu...!".

Uma chega em menos de dois minutos

Segunda prova. "Ui, que belas galhas tem!". Opinião unânime. "São afiadas e tem bom espaço entre elas. Dá para encaixar bem a cabeça do outro...", explica Germano. "Nestas coisa é fundamental ter uns bons cornos. Bem afiados!". Os outros concordam. Aproveitam para rir e fazer piadas. Os bois fixam-se. Demoram a pegar. Depois dão a primeira turra. Param. "Estão cansados...fizeram chega há 15 dias...", lamenta alguém. Assobia-se. Os bichos voltam a cruzar-se de olhares. Os corpos luzidios ao sol. Os cornos afiados. Seis minutos depois e várias turras, o de Montalegre vence ao de Salto. "Ora aí está! Vai ser uma boa chega!". Germano despede-se em direcção à barraca das bebidas. Dia 12 de Agosto, a final vai ser entre dois de Montalegre. "Vai ser uma festa, ganhe quem ganhar", diz Acácio Alves, o proprietário de um dos bois vencedores. As gentes vão saindo, que a festa continua por outros lados, em bailaricos que se sentem ao longe. Fernando Moura tem a pele escura e um sorriso rasgado. "Foi boa a Chega, não foi?", pergunta ao mesmo tempo que responde com o olhar, orgulhoso. Presidente da Associação Cultural e Etnográfica Boi do Povo, já lhe aconteceu ter de relatar chegas onde um dos concorrentes era o seu próprio boi. "Foi difícil...ainda para mais ele portou-se mal...".

A festa

Em Montalegre são cerca de três mil os produtores de gado mas há menos de meia dúzia de criadores da raça Barrosã. O campeonato de Chegas de Bois começa com 16 animais. O vencedor ganha 750 euros. O que perde, ganha o mesmo. "É uma questão de honra, só isso...". Em cada fase do torneio, por cada vez que os touros juntam as cabeças, ganham 500 euros. "É também uma forma de ganhar algum dinheiro, porque temos o apoio para a criação de gado mas é pouco...", diz Fernando. Entre sorrisos de saudades, Fernando Moura vai falando dos bois que já teve, das graças e dos méritos, das alegrias que já lhe deram. "Tive um boi, esse é que sim...gostava muito que eu lhe tocasse concertina...era um boi fabuloso!". Impossível duvidar. Fernando Moura guarda o microfone da rádio. Os bichos, vencedores e outros, já estão de regresso a casa. Os donos atracam-se nuns pedaços de carne num petisco improvisado mas onde não falta o que importa. Finalmente, o sol começa a pintar o céu de tons alaranjados. O calor vai dando origem a uma temperatura que sabe bem. O pó acalma. Daqui a quinze dias, é dia de grande final. Veja o vídeo (o som do relato foi cedido com a cortesia da TV Barroso).


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na foto
o brincanareia e avometralha

PS,o THUNDER tá de vacaciones....I´LL BE BACK you sons of bitches

ehhehhehehehehehhehehehhehhhhhhhehehehehehhehhhehehehhehhhehehehheh
É uma alegria...
Isto devia estar no "No Comment" da Euronews. O mais impressionante desta notícia é extensão do texto. Melhor do que isto, só mesmo uma alegre descrição que eu vi há algum tempo no JN sobre a matança de um porco.
APENAS POR CURIOSIDADE:
-- Ao contrário do que alguém parece querer passar para a opinião pública em geral, quanto mais determinadas organizações tentam denegrir quaisquer tipo de eventos que envolvam toiros, maior o número de pessoas que começa a aderir e assistir a esses espectáculos!

-- Quer em Portugal, como em espanha e outros países, grande parte das pessoas que vivem nas regiões onde espectáculos com toiros foram considerados violentos, para além de outras coisas, e abolidos, procuram esses mesmos espectáculos nas zonas em que são permitidos!

-- Em quase todos os países europeus onde este tipo de espectáculos foi abolido ou, pura e simplesmente, não há memória de terem acontecido, existe uma enormidade de pessoas que se deslocam a Portugal ou Espanha para, aproveitando as férias, assistirem aos mesmos, saindo normalmente a rasgar os mais elevados elogios!

---Afinal, de que lado estará a razão? Ou será que existirá mais do que uma?...
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