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Vídeo: As mil e uma noites do sexo conjugal

Desde séries de televisão a livros, há uma nova solução para salvar casamentos adormecidos: embarcar em maratonas sexuais. Todas as noites, sem desculpas. Por vezes durante um ano seguido.

Paula Cosme Pinto
18:13 Sábado, 13 de junho de 2009

Entre biberões e fraldas para mudar, correrias constantes, carreiras competitivas e dificuldades financeiras em tempos de crise, na vida a dois há, repetidamente, um elo mais fraco: a vida sexual. E se um dia, para contrariar a monotonia instalada, a sua companheira lhe fizesse a seguinte proposta: "Querido, o que achas se nos próximos 12 meses fizermos sexo todos os dias?".

A ideia parece tentadora. Afinal, qual é o homem que nunca sonhou em ter um festim sexual todas as noites, sem as habituais desculpas do cansaço ou das dores de cabeça? Por isso mesmo, Brad Muller aceitou prontamente o desafio lançado pela esposa, Charla, como prenda do seu 40º aniversário. Embora sem grandes pormenores mais íntimos, a experiência acabou publicada no livro "365 Nights" ("365 Noites"). A ideia repete-se na televisão, em casa de Lynette e Tom da série "Donas de Casa Desesperadas", e já há outros casais norte-americanos a tentarem a proeza.

É o caso de Annie e Douglas Brown, que publicaram há um ano o livro "Just Do It", onde relatam de forma bem menos discreta a sua maratona sexual de 101 dias. Sem desculpas - nem mesmo por causa de constipações ou viagens de trabalho - o casal cumpriu à regra o acordo estipulado para salvar um casamento mergulhado na monotonia. As suas descrições fazem qualquer leitor sentir-se parte integrante da vida íntima do casal: desde fins-de-semana românticos, brinquedos sexuais para apimentar o clima de sedução e encontros furtivos em pensões baratas, foi o vale tudo para estimular uma vida sexual há muito cinzenta.

Mas enganem-se os que pensam que esta a ideia é um mar de rosas. Numa entrevista a um jornal norte-americano, Douglas Brown confessou que muitas vezes se sentia "a cumprir uma responsabilidade a que não podia falhar, como se fosse uma reunião de trabalho". No caso dos Muller, Charla chega mesmo a dizer que, por volta do décimo mês, "era como uma cruz que tinha de carregar em segredo". Findas as maratonas sexuais auto-impostas, ambos os casais dizem que o saldo foi positivo, mas a vontade de voltar à acção só regressou um bom tempo depois.

Fica a pergunta: Afinal sexo combinado é, ou não é, uma ideia fabulosa? Não. Quem o diz é o sexólogo português Francisco Allen Gomes, que garante: "Não há ninguém cujo imaginário erótico englobe relações sexuais agendadas. Mais do que um disparate, é uma impossibilidade". Até mesmo fisicamente "há limitações", uma vez que "com o avançar da idade é difícil os homens entusiasmarem-se com a perspectiva de sexo todos os dias".

Opinião partilhada por Julio Machado Vaz, que desfaz o mito: "Não é porque estão mais tempo na cama ou no tapete em frente à lareira que os casais passam a entender-se melhor". Resumindo, "mais quantidade não significa mais qualidade" e ambos os especialistas em sexo relembram que a vida conjugal " é cada vez mais difícil devido aos nossos ritmos de vida", instalando-se "verdadeiros desertos" entre marido e mulher.

Um bicho papão chamado rotina


A chegada de um filho marca, em muitos casos, a primeira quebra sexual na vida conjugal. "A mulher passa a ter um estatuto muito mais forte do que o social, o profissional ou o conjugal. Passa a ser primeiro um corpo de mãe e não de amante", explica Allen Gomes, cujos jovens casais que lhe pedem ajuda muitas vezes já nem têm qualquer contacto físico: "Associada à diminuição da actividade sexual, estão também coisas tão simples como os carinhos porque as pessoas têm medo de dar mensagens erradas. Ele quer abraçá-la, mas receia que ela pense que ele quer mais alguma coisa. Ela tem vontade de o beijar, mas não quer dar azo a que as coisas evoluam para algo mais íntimo".

A falta de comunicação é um dos maiores problemas. Por isso mesmo, os dois sexólogos resumem os conselhos não a maratonas sexuais agendadas, mas sim a uma única palavra: dialogar. "Façam-no espontaneamente, por exemplo, no trânsito ou num passeio, sem a ansiedade e os mecanismos de defesa impostos pela expressão: temos de ter uma conversa", propõe Allen Gomes.

Já Júlio Machado Vaz fala da "importância de continuar a namorar" e lembra que na vida conjugal "o erotismo está no romantismo e não no sexo puro e duro". "Felizmente o sexo é muito mais do que o coito. Aquilo que nós deprimentemente chamamos de preliminares é de extrema intimidade. Um beijo apaixonado faz a diferença".

Tal como um dia o cantor Sting descreveu, fazer amor pode durar um dia inteiro, desde a hora em que se dá um beijo de bom dia, a sair para jantar e ir ao cinema, até ao momento em que os dois corpos se encontram, por fim, debaixo dos lençóis. Os dois sexólogos portugueses concordam. E recomendam.

 


Texto publicado na revista Única, na edição de 13 de Junho de 2009
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Casamentos sem sexo

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A linguagem
Miranda07 (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 20:14 | Sábado, 13 de junho de 2009
Uma sexologia assim, para além de inútil, parece-me perigosa. Só as pessoas envolvidas podem decidir acerca das suas necessidades, do seu desejo mais profundo, da expressão que desejam dar ao que as une. Se há uma chave para a felicidade conjugal ela tem de passar pelo reconhecimento de que o sexo não é um fim em si mesmo, antes deve ser expressão de um sentimento comum, de um projecto partilhado. Na realidade, sempre que o sexo deixa de ser expressão corporal do amor, ou até mesmo da paixão, ele deixará de ser interessante, não poderá senão cair na rotina, mesmo ao ritmo proposto. Este ritmo, de resto, parece-me doentio, impositivo, senão mesmo violento e degradante. Que haja sexólogos assim, não me espanta. O que me espanta é que haja pessoas que acreditam piamente neste tipo de remédios. E se há problemas, como tantas vezes os há, na relação conjugal, eu só vejo três saídas possíveis: diálogo, diálogo e, ainda e sempre, mais diálogo. Ao que se deve juntar arrependimento e perdão, desculpas pedidas e desculpas dadas, ternura oferecida e ternura recebida. Entre outras coisas, incluindo uma vida sexual saudável e respeitadora da integridade do outro, ao melhor jeito, na forma que mais e melhor exprima aquilo que os cônjuges sentem um pelo outro. E que ninguém se iluda: o sexo, no final de contas, é a parte mais fácil da vida conjugal. Os verdadeiros problemas, mesmo não parecendo, tendem a estar da cintura para cima. Daí, eventualmente, a necessidade da terapia a dois.
 
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As mil e uma noites....
happylady (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 19:04 | Sábado, 13 de junho de 2009
Vivemos na sociedade dos objectivos e da competição, e o sexo não escapa tem de obedecer a "figurinos" estabelecidos se os individuos não se encaixam nos padrões estabelecidos por alguns "iluminados, sentem-se fracassados, então recorrem a soluções extravagantes "sexo burocratico".
Diz Machado Vaz, quantidade ´nem sempre é qualidade, é verdade, e a falta de expontaniedade mata qualquer sentimento.
Vivamos o dia a dia com muito amor,(que é o melhor afrodisiaco) cumplicidade, e namorar muito, o resto vem por acrescimo, sem stress.
 
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eu nunca fiz sexo
B l u e S k y (seguir utilizador), 2 pontos , 19:44 | Sábado, 13 de junho de 2009
já tive 1001 noites de AmoR
...sempre conjugal.
 
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Já nos estão a mandar (f)Amar...
dedalo11 (seguir utilizador), 2 pontos , 19:46 | Sábado, 13 de junho de 2009
Felizmente que aparecem estas "subtilezas" em tempos de crise. E se já foi Fado, Futebol e Fátima, já podemos acrescentar mais um F à teoria do relaxe nacional. A ideia é boa, aliciante mesmo, e por isso promete ter mihões de seguidores. E é tudo positivo: aumenta a população, aumentam os pagadores de impostos, a mão de obra, o número de eleitores, o consumismo... O que pode diminuir também é positivo, como a obesidade e a falta de exercício. Viva o Amor!!!
 
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Ainda prefiro variar
NãoHáInocentes (seguir utilizador), 2 pontos (Divertido), 1:28 | Domingo, 14 de junho de 2009
Sinceramente, acho que o melhor remédio para quebrar a rotina não é estabelecer uma outra rotina, desta vez sexual (a não ser que seja casado com a Angelina Jolie, a mulher do Figo, que nunca me lembro o nome, ou outra deusa qualquer). Para o cidadão português comum, de 40 anos, casado com a mesma (é uma forma de expressão) mulher há mais de 20 anos, a perspectiva de ter sexo todos os dias (com ela) é francamente assustadora.
Agora, já as escapadinhas são uma forma ótima de escapar à rotina, rejuvenescem, aumentam a auto-estima e até ajudam a melhorar a relação com a esposa, nem que seja por sentimento de culpa. Cada um terá a sua experiência mas acredito que o adultério é o melhor afrodisíaco para o casamento (e sem dúvida o mais antigo, historicamente falando).
PS: Não me deixem comentários moralistas. Para que conste, recomendo o mesmo às esposas fartas do marido. Um amante só lhes faz bem. Os problemas logísiticos relacionados com as dores da cornadura resolvem-se de forma muito eficaz. O marido (mulher) não tem nada que saber! Quem conta é parvo.
 
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    Re: Ainda prefiro variar    Ver comentário
deadend (seguir utilizador), 1 ponto , 17:01 | Domingo, 14 de junho de 2009
As mil e uma noite do sexo
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 10:49 | Domingo, 14 de junho de 2009
Este pode ser um problema para muitos homens e muitas mulheres no Mundo mas não é certamente um porblema para os portugueses. Quem pensa que isto é só garganta e língua é porque não está bem informado e pode-se-lhe chamar um analfabeto na matéria. Para quem ainda tem duvidas do desempenho dos portugueses pode consultar a experiente Cichiolina. Se é ela que o diz quem sou eu para duvidar de tal experiência. No entanto ela só veio confirmar o que já se sabia e era defendido pelo Vaticano,quando se afirma que Deus fez o branco e o preto e os portugueses o mulato. Com tudo isto as mulheres portuguesas têm razões para serem as mais felizes do Planeta, porque devem ser as únicas no Mundo que não precisam de marcar para terem com abundância. Se alguém ainda tem duvidas pergunte às Inglesas porque querem vir passar as férias no Algarve. Não é só pelo Sol e Praia, mas também porque por lá anda também o Zézé Camarinha.
 
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Tenho as minhas dúvidas
Annia (seguir utilizador), 1 ponto , 18:36 | Sábado, 13 de junho de 2009
Não sei se em vez de salvar casamentos não irá acelerar divórcios...
 
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sexo
ramsesxx1 (seguir utilizador), 1 ponto , 19:24 | Sábado, 13 de junho de 2009
E onde estão os outros(as) 364 parceiros diferentes??
 
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Folclore a dois
Alexandra Mata (seguir utilizador), 1 ponto , 22:19 | Sábado, 13 de junho de 2009
O prazer ilimitado, decorrente de preceitos desordenados e muito primários, prognostica o desapontamento do sujeito, o que propiciará, naturalmente, um conflito com o meio natural.

A experiência de decepção conceberá um novo modo de funcionamento Mental, em que o indivíduo aprende gradualmente a controlar os seus instintos, renunciando ao prazer imediato e incerto. À abdicação seguir-se-á a gratificação adiada, na qual o sujeito se restringe a determinados princípios e se subjuga às normas e reacções estabelecidas exteriormente pela sociedade, adquirindo assim, imunidade pensante.

Deve ser dada uma particular atenção às fábulas – a carochinha, o capuchinho vermelho, a roupa nova do rei, os músicos Bremen, o soldadinho de Chumbo, entre outras - de forma a acautelar formação de debuxos que propiciem os “abalos sísmicos” e fomentem desequilíbrios de vicissitudes inacabadas.

O trabalho conjunto de reparação cria vínculos.

Se mesmo assim houver dificuldade em chegar à “meta”, o mais indicado será comunicar o caso a um terapeuta, pois, para além de se esforçar por reparar os seus danos, conseguirá também reparar os dele.

Quanto à fantasia, ficará algures arraigada ao princípio do prazer.
 
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Imitações rafeiras
M.Farid (seguir utilizador), 1 ponto , 1:31 | Domingo, 14 de junho de 2009
A solução proposta é no mínimo hilariante.Este tipo de solução,para o combate a uma rotina desagregadora da vida sexual do casal,não se deveria restringir a esta dimensão da existência humana.
Há outros aspectos da vida que,de tão rotineiros,mereceriam o mesmo "tratamento" de choque.Que tal o almoço tomado num qualquer "fast food" manhoso,ser substituído,durante um ano,por pratos típicos de cozinha caseira?Ou as intermináveis e demoradas filas de trânsito, de e para o trabalho,serem substituídas durante um ano,por deslocações em horários flexíveis evitando-se as aglomerações?Ou durante um ano não se tivesse de contar os cêntimos dos míseros vencimentos vendo se ainda sobram alguns, para oferecer um presente à esposa e aos filhos?
Ou se durante um ano fosse proibido despedir e lançar no desemprego ambos os membros do casal?
Ao sermos privados das vivências essenciais,qual ouro da vida,somos aconselhados a substitui-las por imitações rafeiras,numa tentativa patética de nos devolverem a normalidade que seria suposto existir,caso a demagogia não imperasse.
 
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Falar abertamente
Guayaes (seguir utilizador), 1 ponto , 8:25 | Domingo, 14 de junho de 2009
Sexo agendado no Calendário? Não me parece a melhor das soluções.
Meio caminho para o êxito, para total cumplicidade conjugal, é o diálogo.
Falar abertamente com a(o) parceira(o) é a melhor solução. Quando se cala, quando o silêncio é o caminho escolhido, começa o virar as costas, o alheamento, a traição ou a procura de sexo noutras paragens.
 
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Todos os dias????
Mckendrick (seguir utilizador), 1 ponto , 8:36 | Domingo, 14 de junho de 2009
Somos casados há mais de uma vintena de anos. Temos dois filhos. Creio só termos feitos amor duas ou três vezes para termos a certeza de que seríamos pais. Para mim foi mais do que suficiente, e para a minha mulher também. Temos uma relação muito aberta quanto a isso e já falámos o suficiente sobre a nossa sexualidade.
Enquanto homem vou-me contentando com as minhas colegas, até porque tem vantagens: não há rotinas, vão variando e são sempre novas... e boas.
Sou um homem feliz e não faço amor frequentemente com a minha mulher.
 
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A coisa mais acertada que li nos ultimos tempos
Bomfim (seguir utilizador), 1 ponto , 12:25 | Domingo, 14 de junho de 2009
Caros amigos o texto mais ilucidativo que li nos ultimos tempos está neste blog:

http://humordobaninha.blo...
 
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'Quem Sabe Sabe e o BES Sabe.' (*)
Special Agent (seguir utilizador), 1 ponto , 14:49 | Domingo, 14 de junho de 2009
«Dir-se-ia que, por ventura ou por leite, haverá que enfatizar ou enfocar mais a dimensão do Espírito Santo, i.e., procurar uma solução integral por via de disciplinas de meditação espiritual ou transcendental, filosofias ou mantras de origem Hindu, tais como o Yoga e o Kamasutra, especialmente se os cônjuges não estão mentalmente predispostos a renovar o seu natural ou habitual desejo carnal -- i.e., o desejo pela intimidade sexual -- ou a sua natural ou habitual líbido, ou mesmo se, metaforicamente, Eros ou Cupido se encontrem ocupados com a sua própria 'clientèle', ou ausentes por motivo de 'vacances' ou eventual 'force majeure' -- i.e., o caso de desilusão ou frustração no flirting

(*) Citação do slogan oficial do Banco Espírito Santo.
 
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Relacionar...
deadend (seguir utilizador), 1 ponto , 16:59 | Domingo, 14 de junho de 2009
Relacionar sexo e amor parece-me muito redutivo, como se dependensem um do outro...
São dois conceitos muito diferentes, que a "instituição" do casamento tenta relacionar.
Amor é amor, sexo é sexo. Podemos ter sexo com amor (há quem diga que é do melhor), sexo sem amor (tambem existem mts adeptos), amor sem sexo (não confundir com o platonico) e amor com sexo (parece-me de todos o mais dificil).
Agora fazer um depender do outro... parece-me o mesmo que associar sexo e dinheiro...tb existe, com e sem (dinheiro é claro...)
 
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