19 de abril de 2014 às 21:35
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"Vice-rei do Norte" quer um novo 25 de abril, mas popular

General Pires Veloso diz que tem de haver um um novo 25 de abril, mas não podem ser os militares a fazê-lo. "Para mim, o povo é que tem a força toda".
Pires Veloso (à direita) lamenta a existência de «um gangue que tomou conta do país» Sérgio Granadeiro Pires Veloso (à direita) lamenta a existência de «um gangue que tomou conta do país»

O general Pires Veloso, um dos protagonistas do 25 de novembro  de 1975 que naquela década ficou conhecido como "vice-rei do Norte", defende um novo 25 de abril, de raiz popular, para acabar com "a mentira e o roubo institucionalizados".

"Vejo a situação atual com muita apreensão e muita tristeza. Porque sinto que temos uma mentira institucionalizada no país. Não há verdade. Fale-se verdade e o país será diferente. Isto é gravíssimo", disse hoje, em entrevista à Lusa.

Para o general, que enquanto governador militar do Norte foi um dos principais intervenientes no contra-golpe militar de 25 de novembro que pôs fim ao "Verão Quente" de 1975, "dá a impressão de que seria preciso outro 25 de abril em todos os termos, para corrigir e repor a verdade no sistema e na sociedade".

Pires Veloso, 85 anos, considera que não poderão ser as forças militares a promover um novo 25 de abril: "Não me parece que se queiram meter nisto. Não estão com a força anímica que tinham antigamente, aquela alma que reagia quando a pátria está em perigo".

"Para mim, o povo é que tem a força toda. Agora é uma questão de congregação, de coordenação, e pode ser que alguém surja" a liderar o processo.

Inversão de valores


E agora que "o povo já não aguenta mais e não tem mais paciência, é capaz de entrar numa espiral de violência nas ruas, que é de acautelar", alertou, esperando que caso isso aconteça não seja com uma revolução, mas sim com "uma imposição moral que leve os políticos a terem juízo".

Como solução para evitar que as coisas se compliquem, Pires Veloso defendeu uma cultura de valores e de ética. "Há uma inversão que não compreendo desses valores e dessa ética. Não aceito a atuação de dirigentes como, por exemplo, o Presidente da República, que já há pelo menos dois anos, como economista, tinha obrigação de saber em que estado estava o país, as finanças e a economia. Tinha obrigação moral e não só de dizer ao país em que estado estavam as coisas", defendeu.
Pires Veloso lamentou a existência de "um gangue que tomou conta do país. Tire-se o gangue, tendo-se juízo, pensando no que pode acontecer.

E ponha-se os mais ricos a contribuir para acabar a crise. Porque neste momento não se vai aos mais poderosos".

O general deu como exemplo o salário do administrador executivo da Eletricidade de Portugal (EDP) para sublinhar que "este Governo deve atender a privilégios que determinadas classes têm".

"Não compreendo como Mexia recebe 600 mil euros e há gente na miséria sem ter que dar de comer aos filhos. Bem pode vir Eduardo Catroga dizer que é legal e que os acionistas é que querem, mas isto não pode ser assim. Há um encobrimento de situação de favores aos mais poderosos que é intolerável. E se o povo percebe isso reage de certeza", disse.

Para Pires Veloso, "se as leis permitem um caso como o Mexia, então é preciso outro 25 de abril para mudar as leis", considerando que isto contribui para "a tal mentira institucionalizada que não deixa que as coisas tenham a pureza que deviam ter".

Casos como este, que envolvem salários que "são um insulto a um povo inteiro, que tem os filhos com fome", fazem, na opinião do militar, com que em termos sociais a situação seja hoje pior, mesmo, do que antes do 25 de abril: "Na altura havia um certo pudor nos gastos e agora não: gaste-se à vontade que o dinheiro há de vir".

Inversão do 25 de abril


Quanto ao povo, "assiste passivamente à mentira e ao roubo, por enquanto. Mas se as coisas atingirem um limite que não tolere, é o cabo dos trabalhos e não há quem o sustenha. Porque os cidadãos aguentam, têm paciência, mas quando é demais, cuidado com eles".

"Quando se deu o 25 de abril de 1974, disseram que havia de haver justiça social, mais igualdade e melhor repartição de bens. Estamos a ver uma inversão do que o 25 de abril exigia", considerou Pires Veloso, para quem "o primeiro-ministro tem de arrepiar caminho rapidamente".

Passos Coelho "tem de fazer ver que tem de haver justiça, melhor repartição de riqueza e que os poderosos é que têm que entrar com sacrifícios nesta crise", defendeu, apontando a necessidade de rever rapidamente as parcerias público-privadas.

"Julgo que Passos Coelho quer a verdade e é esforçado, mas está num sistema do qual está prisioneiro. O Governo mexe nos mais fracos, vai buscar dinheiro onde não há. E, no entanto, na parte rica e nos poderosos ainda não mexeu. Falta-lhes mais tempo? Não sei. Sei é que tem de mudar as coisas, disse Pires Veloso".

Comentários 113 Comentar
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Estranho...
«Quanto ao povo, "assiste passivamente à mentira e ao roubo, por enquanto. Mas se as coisas atingirem um limite que não tolere, é o cabo dos trabalhos e não há quem o sustenha. Porque os cidadãos aguentam, têm paciência, mas quando é demais, cuidado com eles".»

Ora bem, suponho que quando se proferem frases ou ideias como as acima transcritas, se está a pensar num povo idílico, um povo que não existe, porque se descreve algo que está longe da realidade. Isto porque se o povo português nem sequer vai votar (o que dizer dos níveis de abstenção altíssimos em praticamente todos os sufrágios?), como é que se pode pensar que ele se vai revoltar contra o governo no poder?! Há legitimidade para isso? E há vontade?

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PAUEM O QUE DEVEM!! Ver comentário
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Pires Veloso
Personalidade de direita, bom observador da sociedade actual, aflige-se com as diferenças abissais entre ricos e pobres.
De facto os rendimentos desses administradores são escandalosos, há gente a receber por dia o que um reformado recebe num ano.O ministro Gaspar deixou toda essa gente de fora e anda a tosquiar pobres borregos de 600 euros.

Foi com prazer que vi uma referência a alguém que conheço há 55 anos (deu-me a recruta)

Longa vida , se deseja.......
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da direita? que direita? Ver comentário
Será na cabeça do srª general em proveta idade
uma revolta popular de "malmequeres", não de cravos...
Será que a síndrome do "emplastro" se está a estender aos oficiais aposentados ?
Como referiu o Monroe, este povo adormecido neo amurdaçado nem se empenha na urna, nem faz "politica" nas ruas, nem forma novos partidos e/ou correnstes de opinião num contexto de uma democracia "pró-activa" de empenho e cidadania, quanto mais revoltas ou revoluções !
As revoltas dever-se-iam virar para os responsáveis directos que conduziram Portugal até à total perda de soberania por muitos e largos anos !
Ao contrário muitos desses responsáveis, até são agraciados, pasme-se! co, símbolos de mérito público !!!
Oh, senhor general, escreva um romance de guerra e paz, para passar o tempo ou leve os netos a passear...
No caso de Cavaco o sr. General Ver comentário
Os CRAVOS vencerão os cravas Salazarentos ! Ver comentário
"Quando o boi está à mangedoura,dêem-lhe palha"
E não lhe cocem a barriga", acrescentava o Prof.Paulo Quintela.da Universidade de Coimbra em 1975.
Queria ele dizer com isto que os generais quando já estão reformados e com as pantufas calçadas,o que querem mesmo é a reforma a horas e que lhe não tirem as mordomias.
Tinha razão o falecido Paulo Quintela.
Veloso, o General está com mêdo que lhe toquem na creforma.
Só isso!
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Portugal está transformado numa panela de pressão
As tensões sociais estão-se a acumular como que numa panela de pressão , fruto de só austeridade em cima de austeridade , este governo , estas elites que governam o país perderam completamente a autoridade moral , só baseiam já o seu poder e a sua defesa através da coacção e do uso da força por parte da polícia.

Com as tensões sociais crescentes na panela de pressão que este país está tornado , se este processo não for revertido , vai chegar ao ponto em que apenas um qualquer triste acontecimento , um incidente menor , levará a uma explosão social incontrolável por todo o país.
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Outro? Não chegou um?
Para criar mais um rol de políticos nascidos sabe-se lá de baixo de que pedra a apreoveitarem-se da situação?
Não, muito obrigado!
Re: Outro? Não chegou um? Ver comentário
A válvula da panela de pressão está a soltar-se...
quando um homem militar sempre ligado à Direita vem dizer....

que lamenta a existência de «um gangue que tomou conta do país...

Se juntar esta declaração com a de Otelo e agora a da Associação do 25 de abril...

as coisas estão mesmo a ultrapassar os limites....
Re: A válvula da panela de pressão está a soltar-s Ver comentário
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Re: A válvula da panela de pressão está a soltar-s Ver comentário
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ESTRAGARAM, DEPRAVARAM, ABASTARDARAM ...
O 25 de Abril de 74 ... e agora é preciso um novo ...

Quem foi ???!!!

Foi o poder político e o poder económico ...

E a manterem-se os mesmos protagonistas ... eles fazem a um eventual novo 25 de Abril ... exactamente o mesmo que fizeram ao 25 de Abril de 74 ...

Estragam-no, depravam-no e abastardam-no ...
Já cá canta, diz o título. A quem, pergunto eu
12 mil milhões são para a banca + 15 mil milhões para o BPN e para a Madeira, ambos laranja. Só aqui já temos 35% do valor do empréstimo que o POVO está apagar "porque não há alternativa", dizem aqueles que tudo fizeram para ir ao "pote". Depois de chegados ao "pote" lançaram medidas que nem de perto nem de longe, para muito pior, são parecidas com aquelas que os outros queriam mas que estes não deixaram porque "o sacrifício do povo tem limites" e não se podia aumentar mais os impostos e as privatizações eram um crime...

Para que servem as medidas de austeridade que paralisaram a economia lançando milhares de trabalhadores no desemprego, levando à falência milhares de empresas, roubando salários e os 13º e 14º meses, facilitando os despedimentos, diminuindo o valor das indemnizações, aumentando o gás e a electricidade, aumentando os transportes e as taxas moderadoras, privatizando tudo e mais qualquer coisa ao desbarato, sacando o fundo de pensões da banca dando o dinheiro aos bancos e os à encargos à Segurança, proibiram as reformas antecipadas...

Sim, para que serviu tanto roubo ao povo e ao património???

Falam em aumentar a idade da reforma; este será o futuro:

goo.gl/dCFGv

Sr General
O Sr. é mais um desiludido e enganado como muitos milhares que pensávamos que saíamos de uma ditadura para ter uma democracia onde todos nos pudéssemos orgulhar, mas afinal a democracia saiu uma seita de metralhas ainda pior que o Salazar
desiludido acredito... Ver comentário
Re: desiludido acredito... Ver comentário
os metralhas do sucialismo Ver comentário
Re: os metralhas do sucialismo Ver comentário
Re: os metralhas do sucialismo Ver comentário
Vice Rei do Norte quer um novo 25 de Abril
Quando se levantou a polémica de Catroga ir para a EDP com o vencimento escandaloso à pergunta de Judite de Sousa na TV, Medina Carreira não quis comentar, mas sempre foi dizendo que isto ainda vai correr mal. Acrescentou ainda como se sentiria uma pessoa que ganha 600 euros. Na verdade andam a gozar com a tropa como se costuma dizer. Foi por injustiças iguais e parecidas que se deu a Revolução Francesa e a de Outubro. Há dias D. Januário Bispo das FA tecia fortes criticas ao executivo. Aconselho a quem de direito a ler nas entrelinhas. A continuar assim a tampa vai saltar.

viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/04/hora-da-liberdade25474.html

viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/04/seres-decentes-ramalho-eanes.html?utm_source=BP _recent

viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/04/blog-post_06.html
FALA,SUXIA!! Ver comentário
sabes, esse clone e pago para isso... Ver comentário
O povo é burro que nem um calhau, ó camarada!
O povo!?!?

O mesmo povo que tem nas suas mãos votar nos governantes, de 4 em 4 anos, e que acaba por votar sempre nos mesmos? Estamos a falar desse povo?

Lá força tem o povo, falta é uma coisa muito importante: inteligência.

Já agora, qual é a reforma deste general Pires Veloso? É que estes militares da abrilada é que a levam direita!!
Re: O povo é burro que nem um calhau, ó camarada! Ver comentário
cá e lá fora
começam a soprar ventos de mudança. Quem tudo quer, tudo perde...
ABRAM OS OLHOS DEMOCRATAS!
A tirania totalitaria não se edifica sobre as virtudes dos totalitarios mas sobre as faltas dos democratas.
A política é a arte de servir-se dos homens fazendo-lhes crer que se os serve a eles.
Ninguém pode adoptar a política como profissão e seguir sendo honrado.
Associação 25 de Abril recusa celebrações oficiais
Afinal muita gente já se apercebeu que o governo está longe de se identificar com o 25 de Abril.
Só quem está ao pé do pote, acha que está tudo bem, que temos uma democracia plena, etc, etc!
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