Caracas, 20 Jun (Lusa) - A General Motors de Venezuela (GMV) anunciou na sexta-feira que paralisou a montagem de veículos na fábrica de Valência, Estado de Carabobo, por falta de matéria-prima, já que não tem divisas para sua importação.
Num comunicado, a GMV precisa que as operações estão paralisadas até ao próximo mês de Setembro e que a sua dívida para com fornecedores estrangeiros ascende a 1200 milhões de dólares (863,3 milhões de euros), mais de 80 por cento da qual está em mora por mais de 290 dias.
"Devido a estes atrasos, os fornecedores suspenderam o abastecimento de materiais de produção desde há quatro meses, acção que obriga a paralisar as operações a partir da terceira semana de Junho", explicou a empresa.
Segundo fontes da empresa, a situação é consequência dos atrasos da Comissão de Administração de Divisas da Venezuela (CADIVI) na entrega das autorizações necessárias para a obtenção de divisas destinadas à importação de matéria-prima.
Na Venezuela está vigente, desde 2003, um sistema de controlo cambial, que impede aos venezuelanos de obterem livremente divisas estrangeiras para diversos fins. No entanto, é possível trocar moeda estrangeira para bolívares fortes, mas não em sentido contrário.
Desde 2008 que a GMV se queixa de atrasos nas autorizações para obtenção de divisas. Nesse ano, previa montar 120 mil veículos mas a produção foi inferior aos 60 mil. Em 2009, a empresa previa montar 140 mil viaturas, tendo ajustado em baixa as previsões para 42 mil unidades.
No comunicado emitido na sexta-feira, a GMV adverte que "como consequência da queda da actividade de montagem durante os anos de 2008 e 2009, alguns fornecedores nacionais e stands de automóveis encontram-se em condições precárias e poderiam encerrar definitivamente as empresas, o que aumentará o desemprego, assim como a escassez de veículos, a reposição e serviços".
Para a GMV trabalham 4000 pessoas. A sua rede conta com 254 fornecedores nacionais de serviços e fabricantes de peças que empregam quase 60 mil pessoas. Tem ainda 77 stands de automóveis e centros de serviços com 10 mil empregados.
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