20 de maio de 2013 às 1:26
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Vale a pena acreditar na Europa

Maria Luísa Vasconcelos, Professora da Universidade Fernando Pessoa

Acusados de se esquecerem da solidariedade, Merkel e Sarkosy são progressivamente transformados em expiatório de todas as culpas. Mais Merkel, aliás, que Sarkosy, tanto mais que a França, proximamente, também poderá ser objeto da especulação nos mercados.

Declarações de confiança continuam, ainda assim e de forma incerta e volátil, a suportar alguns mercados. Em muitos casos mais parecem reflexos pavlovianos, incapazes de se libertarem de condicionamento e de perceber o desligamento entre o real e o virtual financeiro. Noutros casos, pelo contrário, corporizam já estratégias de sobrevivência, que mais não é do que uma outra forma conveniência. Assim, para o investidor comprometido, merece mais fazer fé nas palavras de Barroso, Merkel e Sarkosy, do que reconhecer a prevenção de Lagarde quanto à vertigem de uma recessão mundial.

No entretanto, não será uma saída da Grécia da zona euro que, por si só, abalará o projeto europeu (entenda-se aqui, apenas, projeto económico europeu). Se o fosse, tal prejuízo não seria consentido, e a presente saga estaria já mais adiantada, com mecanismos de estabilização mais completos já em sólida formatação.

Esse será, a seu tempo, o caminho europeu, mas não sem que antes seja conseguido o compromisso constitucional em cada país da zona euro, quiçá apenas em backstage, do que a Alemanha entende como pressuposto de crescimento: para já, devagarinho, acordo quanto a preceitos constitucionais versando genericamente sobre critérios orçamentais de cariz essencialmente monetário, consensuais na ortodoxia da teoria das finanças públicas, mas desligados das diferentes realidades económicas europeias.

O projeto da UEM não é irreversível, nem tão pouco representa um caminho único. È contudo um projeto apreciável, simultaneamente (assim se pretende) promotor do crescimento, da interculturalidade e da paz. Sem este projeto, regrediremos décadas em estabilidade económica, política e social.

Vale a pena continuar a acreditar que a Europa surgirá mais forte desta crise. Diferente e mais forte.


Clique na imagem para visitar o site da Universidade Fernando Pessoa




Nota
Este texto é da inteira responsabilidade do autor e da entidade representada.


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