"Nunca transformei o Real Madrid em campo de batalha", disse Valdano na hora da despedida
Gustavo Cuevas/EPA
Jorge Valdano diz que se havia a perceção de uma batalha com o treinador José Mourinho no Real Madrid "fica claro o vencedor", depois do clube espanhol ter anunciado a rescisão de contrato com o até ontem diretor-geral.
"Fez-se uma batalha da que tentei escapar porque acreditava que não era boa para o Real Madrid. Respeito muito este clube, gosto dele, ensinou-me tudo. Chegado ao final desta temporada, é o clube que tem de tomar uma decisão e a opção é clara. Se a perceção é a de que havia uma luta entre os dois, fica claro o vencedor", disse ontem Jorge Valdano, em conferência de imprensa no Estádio Santiago Bernabéu.
Jorge Valdano falava depois de o presidente do clube, Florentino Pérez, ter anunciado a decisão da junta diretiva de extinguir o cargo de diretor-geral e rescindir o contrato com hispano-argentino, reforçando os poderes e a autonomia de José Mourinho.
"Nunca transformei o Real Madrid em campo de batalha. Todo o meu esforço ao longo desta temporada foi de contenção. Foi um esforço que se viu claramente quando fui porta-voz, quando estava obrigado à prudência, à responsabilidade e ao sentido institucional", afirmou Jorge Valdano.
Permanência de Mourinho "é saudável"
As suas relações com José Mourinho ao longo da temporada foram sempre tensas e o português chegou a manifestar publicamente o desagrado por algumas intervenções de Valdano, ex-jogador do clube.
"Não sei que intenções teve Mourinho. Eu fiz um esforço para tentar reduzir o ruído que havia em redor do clube. Pedi a Florentino Pérez uma reunião a três, com ele, o treinador e eu, mas não foi possível", contou Jorge Valdano.
O antigo internacional argentino disse que "com o passar do tempo mudaram as ideias no clube e chegou um momento em que não estava cómodo com a nova situação", uma vez que o Real Madrid tomou opções nas quais não se revia. "Fiquei sozinho e encontrei refúgio nos valores do clube", acrescentou.
Apesar de tudo, Jorge Valdano pensa que a manutenção do treinador português é uma decisão acertada: "É saudável a sua continuidade depois de muito tempo de instabilidade. O Real Madrid tem de fixar-se num projeto. Precisamos de uma liderança forte e José Mourinho representa-a".
Mourinho não vai triunfar no Real, e não terminará a próxima época ao comando da equipa. Sairá pela porta pequena, de forma inglória. A saída de Valdano é um mal menor para o Real Madrid.
Mourinho não entende a cultura desportiva do clube. E esse erro será fatal...
Confesso que este ano de Mourinho no Real de Madrid me desapontou bastante. Não tanto pelos resultados desportivos, que vão na linha do que o Real (não) tem conseguido nos últimos anos, mas pela guerrilha que o trinador português desencadeou, tendo como "escudo" provavelmente o emblema desportivo mais prestigiado do Mundo.
Sei que as vitórias são importantes no futebol. Como aliás, em qq. actividade humana. Mas nunca a qualquer preço. E Mourinho este ano, deu um ar da sua "graça" no tocante ao jogo sujo que decidiu usar para talvez, atirar areia para os olhos dos adeptos.
Por vezes penso se a estratégia de Mourinho este ano no Real não tem muito a ver com os "valores" que bebeu aquando da passagem pelo FCP. Em Portugal, é certo e sabido que resulta. A populaça acreidta que os árbitros são os malandros e os principais causadores dos fiascos desportivos. Em Espanha, sinceramente, não sei como reagem as pessoas a todo este festival de disparates.
O Mourinho iniciou uma guerra suja, através da descredibilização do Barcelona, clube que foi muitíssimo superior ao "seu" Real. Diria mesmo que a diferença do Real para o Barcelona, é sensivelmente a mesma que existe entre o FCP e o Benfica. Não há volta a dar. Há que trabalhar muito e aceitar a superioridade do Barcelona. Duvido que Mourinho retire dividendos desta guerra parva que declarou a meio mundo em Espanha. O tempo o dirá. Mas, ou muito me engano, ou o nosso Mou prepara-se para atravessar o seu deserto.
A vitória de Mou não foi apenas sobre o Valdano, venceu também a convicção do jornal Mundo Desportivo que em Fevereiro vaticinava a derrota de Mou.
Aliás nessa altura dizia-se que o S 1 tinha encostado o Florentino à parede e havia-lhe dito que teria de por o Valdano a mexer até Junho caso contrário era ele que se punha a milhas.