Em muitos locais do mundo árabe, não se convida um amigo para tomar um café, mas antes... para fumar uma "shisha". A acreditar, porém, num dos jornais mais lidos na Península Arábica, o "Gulf News", esse prazer poderá tornar-se cada vez mais raro. Nos últimos anos, vários estudos médicos sobre os malefícios da "shisha" - também conhecida por "narguila" - apontam para um aumento de vários tipos de cancro e de ataques cardíacos entre os seus consumidores.
O Expresso surpreendeu dois jovens omanitas, numa esplanada de Shatti Al-Qurum, nos arredores de Mascate. "Sabemos que faz mal à saúde. Mas isto é como o tabaco: as pessoas sabem que faz mal mas não deixam de fumar", diz um deles, fazendo uma pausa entre duas passas. "Acima de tudo, é muito relaxante", reage o outro. Os omanitas não são dos maiores consumidores de "shisha", mas nos fins-de-tarde de Primavera, com a temperatura a teimar não baixar dos trinta e muitos graus, a "shisha" torna-se inseparável de longas tertúlias ao ar livre.
Das montanhas aos desertos, dos cafés aos areais das praias, a "shisha" faz parte do estilo de vida árabe. Na Síria, chega a integrar o enxoval das noivas. Porém, a cruzada contra o fumo do Presidente Bashar Al-Assad começa a criar dificuldades entre os seus apreciadores. No mês passado, foi aprovada uma lei que proíbe o consumo de "shisha" nos dormitórios da Universidade de Damasco. Qualquer estudante apanhado a fumar sofrerá uma repreensão do reitor e terá de pagar uma multa. Estando em causa os hábitos de jovens, há quem refira que se os impedirem de fumar "shisha", outros vícios se seguirão...