Universidade de Coimbra acusada de impedir doutoramento de aluna
O Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do Porto revelou hoje que está a investigar a situação académica de uma aluna que acusa a Universidade de Coimbra (UC) de ter impedido o seu doutoramento.
"Confirma-se que deu entrada neste departamento uma denúncia relacionada com a referida matéria, tendo dado origem à instauração de um inquérito", afirma o DIAP do Porto numa nota enviada à agência Lusa.
Os factos denunciados no inquérito "encontram-se ainda a ser investigados", segundo a nota, emitida em resposta a um pedido de informações efetuado pela Lusa.
A aluna em causa, Maria Luísa Bacelar Sousa, residente no Porto, queixa-se de ter sido prejudicada pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC) na prossecução do doutoramento em Turismo, Lazer e Cultura.
Aluna acusa Universidade de recusar "lecionar mais de metade das disciplinas"
A doutoranda acusa ainda a instituição e os docentes responsáveis pelo curso de terem "recusado lecionar mais de metade das disciplinas" do primeiro ano.
Através da FLUC, a Universidade já tinha recebido "quase 2000 euros" para que Maria Luísa Sousa pudesse "frequentar o primeiro ano do doutoramento", segundo a própria.
A denunciante acusa a Universidade de impedir a sua "inscrição no segundo ano do curso" e de recusar conceder-lhe o comprovativo de que frequentou o primeiro ano do doutoramento.
Diretor desconhece investigação
O diretor da Faculdade de Letras de Coimbra, Carlos André, disse esta tarde à Lusa que desconhece a investigação desencadeada pelo DIAP do Porto, revelando que teve há alguns meses uma reunião com Maria Luísa Sousa.
Nesse encontro, manifestou-lhe "abertura e disponibilidade" para ajudar "a encontrar soluções para os problemas", adiantou o catedrático, frisando que a aluna não voltou a contactá-lo.
Em setembro, através de um "comunicado à imprensa e à comunidade académica", Carlos André refutou as "sucessivas acusações" públicas
de Maria Luísa Sousa, considerando que elas "visam denegrir a imagem" da FLUC e dos seus professores.
"A Universidade fica com o meu dinheiro, impede-me de fazer o curso e limita-se a acusar-me de difamação por eu relatar objetivamente os acontecimentos"
"A Universidade fica com o meu dinheiro, impede-me de fazer o curso e limita-se a acusar-me de difamação por eu relatar objetivamente os acontecimentos e por reivindicar os meus direitos", contestou um mês depois a doutoranda, num texto enviado ao reitor da UC, João Gabriel Silva, e aos órgãos de soberania.
Segundo o diretor da FLUC, "em todos os seminários em que a aluna estava inscrita foram lecionadas as aulas".
Por outro lado, a inscrição no segundo ano "não foi vedada. Simplesmente, aconteceu um problema informático que afetou todos os
estudantes", que foram informados do sucedido.
Carlos André recorda que a doutoranda teve dois orientadores de doutoramento, dos quais desistiu sucessivamente por sua vontade.
"Com o seu absentismo, a aluna provocou, ela mesma, a situação de que se queixa (...), a existência de um número reduzido de sessões" de um dos seminários, acrescenta na nota.
Na altura, Carlos André anunciou que a FLUC iria acionar os "mecanismos de caráter disciplinar" em vigor da UC, não excluindo também a hipótese de acionar a aluna judicialmente "em defesa do seu bom nome e da dignidade profissional" dos docentes.


Ana Baião
Universidade de Coimbra é a mais antiga de Portugal
