União Europeia apoia investigação e cria 210 mil empregos
A Comissão Europeia anunciou hoje em Bruxelas o maior pacote de sempre de apoio à investigação e inovação na UE. São 8,1 mil milhões de euros que irão criar a curto prazo 210 mil empregos, apoiar projetos para dinamizar o investimento público e privado em 6 mil milhões de euros e, num horizonte de 15 anos, gerar um crescimento económico adicional de 75 mil milhões de euros.
O financiamento - aberto a organizações e empresas de todos os Estados-Membros e países parceiros - representa o grosso do orçamento de 10,8 mil milhões de euros que a UE se propõe dedicar à investigação em 2013.
Este anúncio acontece poucos dias depois de os líderes da UE terem sublinhado a importância da investigação e da inovação no Pacto para o Crescimento e o Emprego.
Os projectos a apoiar, no âmbito do 7º Programa-Quadro (2007-2013), destinam-se a dinamizar a competitividade da Europa e responder a desafios em áreas como a saúde humana e a proteção do ambiente, bem como a encontrar novas soluções para os problemas cada vez mais prementes associados à urbanização e à gestão dos resíduos.
Garantir a competitividade europeia
A comissária europeia responsável pela Investigação, Inovação e Ciência, Máire Geoghegan-Quinn, afirmou na ocasião que "o conhecimento é a moeda da economia mundial e se a Europa quer continuar a ser competitiva no século XXI, temos de apoiar a investigação e a inovação a fim de gerar crescimento e emprego no futuro".
E a concorrência para a obtenção de financiamento da UE "garante que o dinheiro dos contribuintes é aplicado nos projetos mais capazes de dar resposta aos desafios que a todos dizem respeito".
Os convites da Comissão Europeia à apresentação de propostas fazem a ponte com o programa Horizonte 2020, o próximo programa de financiamento à investigação da UE para o período 2014-2020.
No total, são 4,8 mil milhões de euros que irão financiar áreas de investigação prioritárias. Será dada especial atenção às pequenas e médias empresas (PME), que irão beneficiar de um pacote 1,2 mil milhões de euros.
Destino de classe mundial para cientistas
Cerca de 2,7 mil milhões de euros vão ajudar a consolidar o lugar da Europa como destino de classe mundial para os investigadores, essencialmente através de bolsas individuais a conceder pelo Conselho Europeu da Investigação e pelas Ações Marie Curie de apoio à mobilidade e ao desenvolvimento de carreira dos investigadores europeus.
As áreas de investigação prioritárias com caráter inovador no 7º Programa-Quadro incluem: 155 milhões de euros para a iniciativa "Oceanos para o Futuro", destinada a apoiar o crescimento sustentável nos setores marinho e marítimo; 365 milhões de euros para tecnologias de transformação de áreas urbanas em "Cidades e Comunidades Inteligentes"; e 147 milhões de euros para combater o número crescente de bactérias resistentes aos medicamentos.
O 7º Programa-Quadro já financiou 19 mil projetos que envolveram mais de 79 mil participantes (universidades, centros de investigação e empresas) de todos os Estados-Membros da UE. Até 2013 estima-se que tenha apoiado a carreira de 55 mil investigadores.
Portugal deve entrar nos consórcios europeus ganhadores
"Em Portugal há grande capacidade para atrair financiamentos da UE mas existe um problema de desarticulação entre os investimentos nacionais e os investimentos internacionais", afirmou ao Expresso Mario Campolargo, diretor na Direção Geral CONNECT da Comissão Europeia (CE).
"O país não tem capacidade para valorizar os seus investimentos em investigação no cenário europeu, em instituições tão importantes como o Instituto de Telecomunicações, o Instituto Superior Técnico, a Fundação Champalimaud ou o Instituto Gulbenkian de Ciência", acrescentou Mario Campolargo.
O responsável da CE foi um dos oradores da sessão de lançamento em Lisboa, na Representação da Comissão Europeia em Portugal, do novo pacote financeiro de apoio à investigação. A apresentação decorreu em simultâneo em todas as capitais dos 27 países membros da UE.
Campolargo defendeu ainda que os centros de investigação portugueses "devem entrar nos consórcios europeus mais ganhadores", onde aumentam as hipóteses de acesso a este tipo de financiamentos. Para isso, esses centros devem apostar mais na participação em redes de investigação e inovação europeias.
Apostar na investigação com impacto nas empresas
Portugal tem um dilema pela frente: há mais apoios financeiros europeus para a ciência mas a nível interno há restrições orçamentais no setor público e no setor privado por causa da crise, o que limita os montantes da comparticipação nacional em projectos de investigação.
Para o responsável da DG CONNECT, "o segredo para contornar esse problema é focalizar na investigação mais importante e que traz dividendos, isto é, resultados concretos no tecido empresarial e na venda de produtos no mercado".
Na sessão de apresentação em Lisboa falaram também Miguel Seabra, presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia, Eduardo Maldonado, do gabinete de promoção do 7º Programa Quadro, e foram apresentadas duas histórias de sucesso europeias que envolvem centros de investigação portugueses: o projeto SECUREFISH, uma parceria entre o Ipimar e instituições da UE, africanas, asiáticas e da América Latina, que pretende reduzir os desperdícios na indústria pesqueira (50% do peixe capturado perde-se); e o projeto NAIMIT (Instituto Gulbenkian de Ciência), que abrange uma rede académica em 15 países e ambiciona curar a diabetes.


AFP/Getty Images
O 7º Programa Quadro para a Investigação já apoiou 19 mil projetos na Europa
