26/05/2012 atualizado às 23:47
Página Inicial » Blogues » Blogues Life & Style » A vida de saltos altos » Uma inocência adiada?

Uma inocência adiada?

Acredito que a sexualidade vivida demasiado cedo distorce a realidade e torna as crianças em adultos imaturos, decididamente mais infelizes e insatisfeitos por terem crescido depressa demais. Alguém concorda?

Sofia Rijo (sapato nº39) (www.expresso.pt)
9:00 Segunda feira, 6 de dezembro de 2010
Gravidez na adolescência
Gravidez na adolescência

Confesso que já penso nisto há meses, para não dizer que o faço já há alguns anos. Mas hoje, talvez como resultado da leitura de algumas notícias que trazem a público o aumento do número de casamentos homossexuais em Portugal e a tenra idade em que a população portuguesa inicia a sua vida sexual, achei que estava na hora de desabafar este sentimento de uma certa confusão social.

Não quero com isto dizer que sou contra o casamento homossexual ou as relações entre indivíduos do mesmo sexo. Creio que cada um tem direito a ser feliz na sua sexualidade. A minha questão coloca-se é com a idade em que de facto um indivíduo tem consciência da sua sexualidade. Isto é, se gosta de indivíduos do mesmo sexo ou do sexo oposto e se tem de facto consciência da experiência sexual em si.

Século 21: Nova era ou confusão social


Creio que a nossa sociedade, não sei se por ter estado tão privada da liberdade de ação e pensamento durante tantos anos, criou uma ideia errada do que é realmente a sexualidade, a relação íntima e a identificação com pessoas do mesmo sexo ou do sexo oposto.

As meninas sempre foram habituadas a dormir com meninas e a não serem condenadas por andarem de mãos dadas ou brincarem com bonecas. Já no que diz respeito aos rapazes, a estes sempre lhes foi dito que o correto para eles era jogar à bola e brincar com carrinhos.

Na minha opinião esta é uma falha social, um preconceito. Mas, sinceramente, também acho estranho o contrário e, correndo o risco de ser mal interpretada, não acho mesmo normal que cada vez mais rapazes adolescentes conheçam tão bem com a sua sexualidade, ao ponto de quererem ser parecidos com elas, a nível de modos e comportamentos, e que sejam capazes de se afirmar homossexuais, quando mal ainda chegaram à adolescência ou pouco mais que isso.

Não sei se nos dias de hoje as grandes culpadas somos nós, as mulheres e mães, ou os homens, enquanto pais, que fazem dos filhos e filhas seres andróginos e apenas preocupados com aquilo que os outros pensam ou veem, passando de uma forma fútil, as formas corretas de ser e de estar, através de imagens manipuladas e conceitos politicamente corretos.

E se de um lado os meninos cada vez mais se parecem com meninas, também estas, cada vez mais, são autênticas predadoras sexuais com 14, 15 anos, verdadeiras "lolitas" maquilhadas e produzidas, e capazes de confundir a cabeça dos mais esclarecidos.

Assusta-me esta falta de identificação e maturidade sexual. É certo que com esta idade já tinha dado o meu primeiro beijo de fugida, mas preferia bem mais saltar ao elástico e dar grandes voltas de bicicleta pelo bairro com o maior número de amigos, e falar horas intermináveis nas noites quentes de Verão.

Viamos o "Dirty Dancing", o "Blue Lagoon" e o "Top Gun", mas daí a permitir pouco mais que um toque na cintura e uns beijinhos repenicados, ía muito mais que uma longa metragem.

Tenho saudade. Gostava que os miúdos não descobrissem tão cedo a sexualidade e fizessem dela uma distorcida imagem de afeto. Gostava que brincassem mais, andassem de mãos dadas e sentissem as primeiras borboletas no estômago sem que para isso tivessem de ter relações sexuais prematuras, que vão resultar muitas vezes em más experiências, das quais a gravidez pode nem sempre ser a pior das experiências mas, sem dúvida, uma das mais comuns actualmente.


A Vida de Saltos Altos no Facebook

A Vida de Saltos Altos também está presente no Facebook. Na página desta popular rede social qualquer um pode ser amigo deste blogue. Clique para visitar.



A Vida de Saltos Altos no Twitter

A Vida de Saltos Altos é presença assídua no Twitter, onde estão todos os posts deste blogue. Junte-se às pessoas que aí nos seguem. Clique para visitar.



Faça login pelo Facebook e comente este artigo!
Página 1 de 1   
ordenar por:
mais votados ▼
A opção (não-livre) das manipulações
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 12:41 | Segunda feira, 6 de dezembro de 2010
O feminino e o masculino são socialmente construídos, resultado essencialmente de construções e determinações sociais. As raparigas não nascem a gostar de brincar com bonecas e os rapazes a gostar de dar pontapés em bolas de futebol. Praticamente tudo o que consideramos masculino ou feminino é o resultado da construção social do género, construção social essa que muda de sociedade para sociedade e muda com o passar de gerações.

O que a Sofia está a fazer, ao dizer que os filhos/as estão "preocupados com aquilo que os outros pensam ou veem, passando de uma forma fútil, as formas corretas de ser e de estar, através de imagens manipuladas e conceitos politicamente corretos", não é mais do que ESCOLHER o seu programa "socialmente correcto", em detrimento de um outro modelo.

Ou seja, a Sofia está a "optar" (na verdade não está a optar, mas sim a refugiar-se no modelo que lhe é cultural e socialmente mais confortável - porque conhecido e porque nele foi socializada) por um modelo de socialização onde os meninos têm de dar pontapés na bola, porque isso é socialmente visto como masculino, e as meninas têm de brincar com bonecas, porque isso é socialmente visto como feminino.

Peço o seu perdão, Sofia! Foi você que falou em "formas corretas de ser e de estar, através de imagens manipuladas e conceitos politicamente corretos"????

Quem é que é manipulador, Sofia? Quem é?

O que é isso de formas correctas de ser e de estar? As suas? Aquelas a que foi habituada?
 
 Regras da comunidade
    Re: A opção (não-livre) das manipulações    Ver comentário
ckage (seguir utilizador), 1 ponto , 13:13 | Segunda feira, 6 de dezembro de 2010
(1) A morte do giroflé-flé-flá
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 13:05 | Segunda feira, 6 de dezembro de 2010
Cara Sofia, o que se passa consigo? Ultimamente tenho assistido a um “descarregar” de angústias preocupante. Prometo não tentar (escrevi, “tentar”) fazer “graça” com a “coisa. Uma vez já me “bateu” pelo apelo de não meter “desgraça” no blogue, mas… rendo-me às evidências.

Começo por uma de “psi” para armar ao pingarelho:

Uma das convicções é que o envelhecimento arrasta consigo a experiência. É verdade. Só que arrasta a experiência do passado. Então na sua idade (já por lá passei; na “mecha”, mas passei), também se teme o futuro. Acontece quando chegamos à conclusão que se a experiência não vale um “caracol” no presente, estamos completamente indefesos no enfrentamento do futuro.

Os miúdos de hoje são e comportam-se conforme a informação que adquirem. Eu próprio, sinto-me mais informado que há 20 anos atrás: a pedofilia, a violência doméstica, a homossexualidade, a insatisfação sexual feminina, a disfunção eréctil, etc., não são tão excepções como imaginava. Quantas mulheres (e também homens) com 50 e mais anos, não recordam nessa idade que se refere (6 aos 14), ter havido tentativas de assédio de amigos dos pais, ou familiares? Que por ignorância e medo nunca denunciaram, transportando esse trauma que a muitos afectou para sempre, a vida afectiva e sexual.

Portanto a imagem idílica, de meninas ingénuas, de mão dada no giroflé-flé-flá, é uma fantasia que nos agrada recordar, mas estou convicto não ser a mais conveniente, para defesa das próprias crianças.
 
 Regras da comunidade
    (2) A morte do giroflé-flé-flá    Ver comentário
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 13:07 | Segunda feira, 6 de dezembro de 2010
Se mal pergunte...
ckage (seguir utilizador), 1 ponto , 12:07 | Segunda feira, 6 de dezembro de 2010
... a cronista só começou a sentir atracção por rapazes depois de ter chegado à puberdade? Porque, pessoalmente, lembro-me bem que foi muito antes disso. Talvez por volta dos 6 anos? Podia não saber, na altura, como expressar e compreender tais sentimentos, mas eles estavam lá. Aliás, é mais ou menos por essa idade (para alguns, até mais cedo) que surgem as primeiras questões relativas a "de onde veêm os bebés". Que sugere que os pais respondam?
Depois, tal como gente hetero começa a ter tais interesses desde pequenos, pq acha estranho que gente homo também comece a ganhar consciência da própria preferência tb pela mesma altura? E o que acha que estas crianças em particular ganham por NÃO saber o que se passa com elas?...

Acho que o problema das gravidezes indesejadas CONTINUA a ser a falta de informação abrangente e realista; não o excesso desta. A meu ver, a tal maquilhagem aos 14 e 15 anos, nada mais é do que uma manifestação do facto da informação recebida NÃO estar a ser, de forma alguma, nem agrangente, nem realista.

 
 Regras da comunidade
    Re: Se mal pergunte...    Ver comentário
Sofia Rijo (seguir utilizador), 1 ponto , 15:40 | Segunda feira, 6 de dezembro de 2010
    Re: Se mal pergunte...    Ver comentário
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 16:53 | Segunda feira, 6 de dezembro de 2010
    Re: Se mal pergunte...    Ver comentário
ckage (seguir utilizador), 1 ponto , 16:27 | Segunda feira, 6 de dezembro de 2010
Uma Guerra que me deu Paz...
Mukany (seguir utilizador), 1 ponto , 14:11 | Segunda feira, 6 de dezembro de 2010
Estou totalmente de acordo dra. Sofia, pois fui mãe aos quinze anos (hoje tenho 36, foi uma Guerra que só me trouxe Paz), porém os conflitos não foram somente para a minha cabeça, o pior é o preconceito que nutre meu filho por mim... Acredito que nem eu e nem ele atingiremos a maturidade algum dia... Só não estou de acordo com isto: “Gostava que os miúdos não descobrissem tão cedo a sexualidade”, vejo aí uma impossibilidade, já que a sexualidade é-nos inata e a exercitamos no seio da mamacita...

http://www.youtube.com/wa...
 
 Regras da comunidade
Página 1 de 1   
PUB
 
Email
O Expresso no
Arquivo
PUB




Iludem mesmo...as aparências
9:00 Segunda feira, 30 de abril de 2012, 14
Um recado lisboeta: "Amai-vos, porra!" (fotogaleria)
10:36 Quarta feira, 18 de abril de 2012, 10
Aprenda a comer flores e a decorar pratos irresistíveis
8:30 Sábado, 14 de abril de 2012,
Cabra "fina" gosta de passear pelas ruas de Nova Iorque
8:30 Quarta feira, 11 de abril de 2012, 2
As malas de luxo mais desejadas de sempre pelas mulheres
8:30 Terça feira, 10 de abril de 2012, 1
Dúvidas de uma página em branco
9:00 Segunda feira, 9 de abril de 2012, 4
Leia aqui toda a informação das últimas 24 horas | últimos 2 dias |  anterior »
MBA
IAB