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Uma Fénix portuguesa. O restauro do do Chalet da Condessa d'Edla

Margarida Ramalho (www.expresso.pt)
18:13 Sexta feira, 16 de setembro de 2011

Tal como a mítica Fénix renascia das cinzas, também o Chalet da Condessa, na parte poente do Parque da Pena, em Sintra, voltou à vida, recuperado e dotado das mais modernas funcionalidades.

O edifício estava a degradar-se em 1995, quando António Lamas, atual presidente da Parques de Sintra - Monte da Lua (PSML), fez o Plano de Salvaguarda do Parque da Pena. No ano seguinte, dado o estado do telhado, foi colocada uma cobertura. Em boa hora isso se fez pois, quando, em julho de 1999 um incêndio criminoso destruiu o edifício, essa proteção permitiu preservar in loco os escombros. De pé ficaram as paredes autoportantes e vestígios calcinados das decorações parietais a fresco e a cortiça.

Quando, em 2007, se iniciaram os trabalhos de consolidação e tratamento das superfícies decorativas fez-se, a partir dos salvados, em suporte CAD, um modelo tridimensional do edifício. O projeto arquitetónico de recuperação do chalet, do arquiteto José Maria Lobo de Carvalho (PSML), ganhava corpo.

Com o apoio financeiro da EEA Grants (mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu financiado pela Noruega, Islândia e Liechtenstein) e científico da Universidade Nova, do Instituto Português de Conservação (IMC), do Instituto Superior Técnico e do Norwegian Institute for Cultural Heritage Research concluiu-se a primeira fase de recuperação. Incluiu o restauro das paredes exteriores e coberturas, a recuperação das paredes interiores e a reconstrução das destruídas, a construção da escadaria interior, o restauro da Sala das Heras (Graça Horta-IMC), a recuperação da cozinha e átrio principal e o acrescento de copa, instalações sanitárias, redes de água, esgotos, eletricidade, comunicações (fibra ótica) e sistema antifogo.

CRONOLOGIA DE UM RESTAURO

1989 - António Lamas, presidente do Instituto Português do Património Cultural que gere o Palácio da Pena defende junto da Secretária de Estado da Cultura, Teresa Patrício Gouveia, uma gestão conjunta do Parque, sob a tutela da Direção-Geral das Florestas e do Palácio, chegando a ser negociada uma solução que não se concretiza.

1994 - Conselho de Ministros transfere para o Ambiente os Parques da Pena, Castelo dos Mouros, Monserrate, Convento dos Capuchos e várias tapadas.1995- Ministra do Ambiente, Teresa Patrício Gouveia, pede a António Lamas um Plano de Salvaguarda do Parque da Pena.

2000 - Criada a Sociedade Parques de Sintra-Monte da Lua.

2006 - António Lamas assume a presidência da PSML. São candidatados, com sucesso, ao apoio do EEA-Grants o restauro do palácio de Monserrate e a reconstrução do Chalet da Condessa.

2007- O Parque e o Palácio da Pena, separados desde 1910, passam a ser geridos pela PSML. Nova candidatura ao EEA-Grants para a recuperação dos jardins envolventes do chalet, aprovada em 2008.2009 - Inaugurado novo portão de acesso ao chalet e um Centro de Apoio ao Projeto, com sala de apresentação e área de restauro dos salvados do incêndio. É recuperada a Casa do Guarda e substituída a estrutura de proteção, permitindo a circulação de visitantes.

2010 - Projeto de reforço e reconstrução estrutural (Francisco Virtuoso- Civilser) e empreitada da primeira fase de recuperação (Daniel Silva-PSML).

D. Fernando e a condessa

Em fevereiro de 1869, o rei D. Fernando II, viúvo da rainha D. Maria II, casava com a cantora lírica Helise Fredericke Hensler de origem suíço-americana que recebera de Ernesto II de Saxe Coburgo Ghota, o título de condessa d'Edla. A união foi mal aceite, pela opinião pública e pela família real. Determinou o afastamento de D. Fernando da ribalta social. O casal leva uma vida tranquila, dedicando-se a música e à natureza. No embelezamento do Parque da Pena, a condessa será a principal colaboradora de D. Fernando. A ela se ficará a dever a Feteira da Condessa e a introdução de espécies raras provenientes da América do Norte enviadas pelo seu cunhado, o silvicultor John Slade.

Entre 1869 e 1875 é construído, na extremidade poente do Parque, um pequeno chalet inspirado nos refúgios de montanha alpinos. De dois pisos, era rodeado por varanda. Embora de alvenaria, parecia, devido à pintura em trompe l'oeil, de madeira. A cortiça que debruava janelas, varandas e telhados decorava, também, as salas, sem pinturas a fresco. Pela dedicatória num medalhão que D. Fernando ofereceu à condessa "au merite de mon cher architecte du chalet da Pena" depreende-se que a ideia ou a traça fossem de Helise Hensler.

Concebido como Casa do Regalo, o chalet, à semelhança das Casas de Fresco setecentistas ou das Casinhas de Prazer madeirenses, servia de apoio a estadas pontuais. Aqui podia-se passar o dia, receber amigos para um chá, um almoço campestre e pouco mais.

Por morte de D. Fernando, em 1885, a condessa herda as propriedades particulares do monarca (Parque e Palácio da Pena). Perante a contestação pública do testamento o Estado comprará a Helise Hensler as propriedades, sendo-lhe permitido habitar o Chalet até 1903.

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